segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Estrela da sorte
brilha forte raramente e longe das outras no azul límpido
estrela egocêntrica egoísta e idiota
que sorte pode passar a qualquer adorador iludido
sonho com a banheira de agua fervente
despejada em minha cabeça num borbulhar inacababavel
despojada estrela solitaria, não salva os escaldados
que da agua retiram vida
que da vida retiram fatos
sussurrenta brigadora enfrentando toda a virtude
estrela da sorte solitária vague só
toda a noite
desprendida da beleza, do sentido e do valor
estrela amada e maldita suma agora
vá bem pra longe nessa hora
que não há mais bem alguém
que deseje de te ver
Iludida, ilusória, ó maldita, falsa glória
morra agora, e não volte nunca mais
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
tarde demais pra amar
tarde demais pra sonhar
andava nas ruas sozinha
minha cabeça doía
mas você não estava ali pra me ajudar
já era tarde, e a noite caía
Ainda é cedo
ainda é cedo pra se preocupar
as histórias se cruzavam no olhar
Mas que olhar?! Ele ficou perdido no ar
e vejo o mesmo rosto que a amou
O adeus já se aproximava você se perdeu no luar
O amor ficou com elas.
Ainda é cedo
Já é tarde
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Sem Título(ainda)
Absolutamente nada:
É só isso que vejo,
Quando abro um jornal,
Quando a televisão se liga.
Quer saber?
Não quer?
Te digo do mesmo jeito:
Uma merda é isso que é.
Necessário dizer isso, uma merda.
Ainda não vejo absolutamente nada.
Estarei cego?
Não,
Os cegos não vêem porque não podem,
Sou um cego que não vê porque pode.
Assim, não entendeu, quer que eu desenhe?
Quando vou dormir tenho só um sonho,
Todo dia, que me persegue como o outono(veja, uma rima):
O dia em que eu irei dormir e finalmente perceba,
Que depois de tanto tempo acordado, eu consegui sonhar
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Um certo estandarte
Atrás de toda arte
Em cima do céu vermelho
Atrás da igreja
Em frente ao palácio,
Quando não via mais nada
Dos olhos, cinzas fumaças,
E os carros parados
Os vidros fechados
Duros, malditos, incautos
Períodos e paradoxos
E rimas.
Incautos.
De aço e vidro, sou.
Buzinas e semáforos
Musas de plástico
Os prédios e muros
Lâmpadas elevadas ao sol
E o céu saído sobre um copo
Enraizando meus pés à cama
Enquanto vejo não vejo
Estou, não sou
E o relógio não passa
Espelho quebrado
Da janela do carro.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
O Fardo.
Os olhos estavam pregados as olheiras negras que passavam por noites mal dormidas e por manhãs mal acordadas, dentro do passado e do presente que às vezes sobressaltavam sobre o mundo quando abria os olhos, mostrando duas velas quase apagadas, como se fosse o ultimo dos sétimos dias. Via assim o pássaro e o avião passando pelo vermelho sangue do céu azul.
Nos braços desnudos carregava histórias escritas sobre a pele, debaixo das mangas rasgadas do espectro que já foi uma vida. Ainda é a vida, tenta se convencer colocando um casaco sobre as feridas já saradas a tanto tempo, mas que insistem em aparecer para ele.
Volta as mãos sobre a pilha de objetos que se avolumam a sua frente, escolhe alguns, passa a mão, sente o objeto para si e deposita dentro do saco que carrega nas costas. Coloca a mão sobre outro objeto, sente com as mãos, depois com os olhos, com o nariz e com a alma, que subsistia sobre o crucifixo de prata que apanhara tempos atrás. O mais difícil é escolher algo que não lhe interesse.
Depois desse lento processo de vasculhar, ver, tocar, sentir, engolir, amembrar a seu corpo, começa um caminhar penoso com o fardo nas costas. Subindo morros, descendo, entrando em vielas, bueiros, bocas de lobo, avenidas, túneis, viadutos, passando e vindo por onde as pessoas não andam, procurando pelo esquecido e pelo não querido.
Encontra em seu caminho chupetas, abraços, o primeiro brinquedo, os primeiros sonhos, de creme e de chocolate, o primeiro algodão que era nuvem em um palitinho, as primeiras fotos, engatinhadas, roupas, beijos, palavras, cachorro, caminhadas, linhas, cadernos, bicicletas, dias de aula, sessões de cinema, beijo, cartas, fotos, adeus, abraços, viagens, namoradas, faculdades, trabalho, aliança, casa, fotos, abraços, adeuses.
Vai pegando tudo que encontra e guardando no saco e vai carregando este fardo pelas ruas cada vez mais escuras e mais vazias. Suava, tossia, era o peso do esquecido que lhe pesava, o peso do não querido. Morria, levantava, continuava.
Já não se preocupa com as faixas de tráfego e anda pelo meio da rua entre buzinadas e freadas, rindo, era um tango entre ele e a vida, mas continua sua jornada, vai aumentando seu fardo aos poucos e vai suando, tossindo e rindo. Os carros como insetos desviavam dele, como se algo os impedisse de atropelá-lo. Assim vai passando e engolindo a cidade aos poucos, porém a cidade lhe responde a súplica de afogado.
Encontraram depois apenas uma sacola e dentro dela, uma criança viva.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
"O Brasil não podia continuar colônia dos EUA. Nós eramos república das Bananas, bordel! O teatro tinha que ajudar nas tranformações. Como? 'Conscientizando' platéias populares! Quem faria a revolução? O povo! Quem o conscientizaria? Nós! Muito simples, meu caro Watson..."
"Foi assim, sonhando que muitos líderes foram mortos. O desejo de liberdade era tão grande, sincero, que não podiam ver o perigo dos rios,a inclemência da natureza, o poder de fogo do inimigo fardado"
Augusto Boal - preso, torturado e exilado durante a ditadura...
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Vivaz e Fosco numa caixa.
despindo então meus ossos da carne
estico a couraça nervosa,
e alinho as veias num varal.
Saco as lâmpadas oculares,
e encaixoto o cérebro e seu conjunto,
desencaixo os meus ossos calmamente,
e tudo se acomoda em recipiente.
desmontado, humano ainda hei de ser
mas não para a companhia de outrem,
que não o meu pensamento e o meu saber.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Cotidiano
vida vivida, mal vivida, vida existida
vida mal existida, vida mal
vida aproveitada, vida generalizada
vida mal aproveitada, vida mal
vida mal generalizada, vida mal
the show must go on
vida vivida, vida aproveitada
vida mascarada, vida sem vida
vida com existência, vida de perguntas
vida de caminhos, vida generalizada
vida de estradas, vida de shows
é vida que evolui!
talking about my generation
ah, que vida vivida!
que cantem, que vibrem
vida do passo inicial
vida que hoje é do passado
mas que vive, nao passa em branco
Uh Baby, they're talking about my generation!
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
ah , você sabe!
Anêmona, rasura, Nietzche, razão, porta, paralelepípedo, frango, lápis, sintaxe, shorts, panela, arcadismo, Zanzazibar, inconstuticionalissimamente, poesia, xadrez, triângulo eqüilátero, sinônimo, papel, colegiais, violão, muuuuuuu, museu de história natural, sorvete, selva, cimento, bolas de carne, ornitorrinco, interruptor.
- Girassol.
-Mitocôndria.
Porque sim, porque sim, porque sim, porque sim, porque não.
Cabelo, mas não na laranja.
X em função do coco.
-Carlos de óculos azul, enquanto céu incrivelmente.
Chico.
Paca
Paca
Paca
Eu sei, você sabe?
Você sabe! Ou não?
Onomatopéia de parede “wyheiroamshf”.
Separação do meio, ginga, público do privado.
Vomitar, esfaquear, dormir, mico, alavancar, cozinhar, defenestrar, mapear, digitar, correr, esmerar, urucum, espreguiçar, urbanizar, sonhar, latir.
Esquina do mar da noite, é náutico...
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Anarquismo
fica pra pensar...
texto extraído de:
http://www.radical.org.uk/anarchism/
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Leve
Um caminho desnudo
Cruza o tempo com graça
Mesmo estando eu na praça
Pensando sobre o tempo que passa
(Dimas e Tomás)
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Requien de letras
blind guardian - goodbye my friend
O sol matinal serpenteia a sobra da cruz invertida no meu chão
os solos falhos e foscos entediam a multidão que vibrava
e as nuvens aliviam uns poucos por quanto o calor aqueceu
os gritos das cigarras meu mau humor cansado chamava
lalamilalalasomilala
lalalmila so mi lalala
Vivaz oriunda o cego, e vivo circunscreve o verso quando de noite
a lua te fala que amanhã vai achar o carrasco dos seus erros
pode ser amanha mesmo ou depois, mas sabe que esta para chegar o açoite
segue calado entediado, e sem nada mudar!
juiz apenas a mente
a justiça do penintente
NAO
Quando o dia e a noite sao enfadonhos e inuteis, o céu e a terra colidem
o conceito de geraçoes se torna redundante e inutil, e a verdade ilusoria e egoista
se torna nossa e deles, calibra a visao a audição e eludece na bebida e no ópio
amanha o dia é longo e sabio? ou um tolo breve numa tarde de sabado?
Tolo
lalala la mi mi so mi la
lala mi mi so mi la
Despoesia
Só viu o céu e caiu depois
Algo que não possa ser percebido
Abri minha janela e tomei um tiro
O verso branco, semi-pardo
Lembra? É aquele que atingimos com um dardo
Num dia de sol muito nublado
Enquanto contávamos cabeças de gado
Estava andando no parque
Com o sol do meu lado
Num dia de sábado
Meu lábio estava todo rachado
Vivemos disse o, Porra!
Porra? Disse o, cão?
Venderam meu cavalo hoje
Meu belo carneiro de chocolate
(de Dimas, Tomás, Luiz e Marco)
sábado, 9 de agosto de 2008
"O Tigre
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?
Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas ousou ele o vôo?
Com que mão ousou pegar o fogo?
Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo
Que mãos e que pés horrendos?
Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? Que tenaz
Pegou-çhe os horrores mortais?
Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?
Tigre, Tigre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou imortal mão ousaria
Traçar-te a horrível simetria?"
William Blake (1757-1827)
Tradução de José Paulo Paes
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Cogito
Vivendo comigo mesmo não pude deixar de perceber o quão melancólico esse que chamo de eu é. E, como melancólico, jamais negarei que cogitei...
Cogitei jogar tudo pra cima, desistir, chutar o balde, largar a vida, pular da ponte, beijar o meio-fio e tantas outras formas que há de fazer essa mesma coisa.
Confesso também que todas as vezes não passaram de impulsos ultra-românticos temporários. Hoje olho para aqueles momentos e vejo uma ridícula vontade de desistência e um egoísmo extremo, não pelo estado que meus conhecidos poderiam ficar e todo esse blá-blá-blá de sempre.
O motivo desse meu olhar atual é que não vejo nada como meu e acredito que essa história de propriedade está toda errada. E assim nada deveria ser usado só para mim ou em meu benefício, inclusive a vida que me deram.
Sendo essa vida algo em que eu tenho voto minerva por acaso do destino e sendo essa vida algo que direta ou indiretamente influencia a todos penso logo que as minhas decisões devam ser sempre em prol do coletivo. Duvido que o interesse deste seja a morte de qualquer um, e seguindo esse raciocínio me mantenho vivo e lutando pelo que acredito melhor para todos.
E que “minha” vida seja por todos e não por mim... nem que não seja de todo.
Essas reflexões eu posto para todos aqueles que já cogitaram.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Música
Sigo pela via das dúvidas buscando a via das respostas. Adorando pelo avesso mina atual condição desde que percebi a infrutibilidade de minha busca. Por dezesseis anos, sem pressa, busco a entrada. Dirijo no escuro sem luz que me guie e sempre com alguém ao meu lado... alguém que sempre muda. Sigo.
No fundo sempre sozinho, fazendo o meu caminha na infinita auto-estrada. Buscando a hipotética via que me guiará ao Nirvana ou, quem sabe, ao inferno.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Carpe Diem
Seus olhos naqueles óculos pareciam maiores, a roupa negra me lembrava os inquisidores naqueles tempos de censura, o caderno com o brasão vermelho e a caneta eram para mim naquele instante estante, cruz e fogo. Fiquei parado um tempo. A platéia esperava. Quer saber? não me importo, diria. Mas não disse, me importava. Baixei a cabeça e entrei. A criatura virou-se para aquela pedra verde que botam nas paredes, de uma caixa de madeira tirou pequenos cilindros brancos, que ao tocar a pedra me lembraram o choque do frio numa manhã ao sair das cobertas.
Pego meu caderno, pequenas histórias cotidianas se passam na minha cabeça. Talvez um grito, uma rebeldia qualquer do nada, para o nada. Mas um grito me livraria do proprio? Dizem que sim, "valvula de escape" é a palavra usada, acho que não acredito nisso. Deito a caneta e a cabeça, nessas horas o melhor é sonhar.
"Carpe Diem" diz a velha senhora. Eu já ouvi isso antes, "carpe diem", se não me engano numa tatuagem e embaixo os dizeres: "viva a vida como um louco". Foram os romanos que inventaram, diz a velha senhora, mas o sentido era diferente de viver a vida adoidado, sem preocupações. "Significa aproveitar a vida". O que seria aproveitar realmente a vida?
Chega nova criatura, não é tão velha quanto a outra e definitivamente não tão amendrotadora. Em vez de se ater a pedra verde, fica a monologar com a platéia, embora muitos prefiram virar os olhos. Fala sobre maquiavel, que as vezes queremos mais os fins, do que os meios. Contanto que o fim seja bom, o meio nao importa, diz ela. Concordo, nao quero o meio, quero o fim.Procura uma folha pra escrever isso, acabo encontrando outra coisa, um conto de alguem, que tinha me emprestado pra ler. Para se chegar, era o titulo...
"Acordar. sem levantar.Ligar aquela musica e viver debaixo do edredom 5 minutos interminaveislevantar de pes descalcos. Sentir a vida que pulsa mais um diaIndependente do sol ou da chuva, dizer bom dia..."
Um sol batia de leve na madeira, tocou ainda mais de leve minha mao. Meios, nao existem, sao sempre fins, depende de como vemos nossa vida. Pode-se viver sempre tentando alcancar algo, na verdade voce acaba nao vivendo, so tentando viver, o unico jeito de viver e vivendo. E seguir vivendo é sim "aproveitar a vida".
(ja peco perdao pela falta de acentuacao e de cedilha, mas este computador que estou usando nao os tem, peco perdao tambem pois este texto eh soh a primeira versao, ou seja, ainda vai ser reescrito, postei para saber o que acham)
segunda-feira, 21 de julho de 2008
De vez em quando ele sonha. Sua vida está formada aos dezoito anos. Realizou todos os desejos, menos um. Difícil de descobrir, para ele, a vida é fácil, mas alguma coisa falta. Seu conhecimento é o necessário, aprendeu com a vida.
Ele só ensaia a vida, eis o pecado do teatro. A vida formada é no teatro. Sua vida real se confunde em linhas, palavras, emoções, ou que compõe sua vida, a arte. A arte de ser belo, de ter uma vida fácil, de ter uma vida encenada. Para ele a vida continua fácil, afinal 0 teatro é sua vida. Como todos desejam a mesma coisa.
Aquela menina passa de seu lado, e se confunde em seus passos, tropeça por ele. Olha bem para o seus olhos (tomara que ele não perceba, ela pensa), e pensa: bem, até agora, o que já aconteceu na sua vida? Os olhos do menino escondem tudo que ele já passou, afinal, as lágrimas escorridas por amor já se foram, as de risadas se acumulam no seu rosto, formando a angecalidade de seus traços. Aquele ponto de dúvida no rosto do menino, deixa a menina encantada.
Se ele reparou na menina? Bem, deve ter dado uma olhada, mas não liga muito, afinal ainda falta algo em sua vida. Mas ele não se preocupa, continua ensaiando a vida, e a deixa fluir.
Para ele, a única coisa que despenca agora são as cortinas do teatro.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Devaneio infantil
não é nessas linhas vagas que se expõe o nulo desejo de significar?
e nao é nesse mesmo desejo que um espirro vira palavra e atrapalha
o raciocinio com subjetividade? subjetividade?
por que anseia pela dificuldade de compreemção? elitismo?
ou exigencia?
um copo d'agua por favor
e uma maçã
o dia foi longo, foi louco, e água e maçã seram meus dotes para o amanhâ.
faminto, sedento, divago.
terça-feira, 15 de julho de 2008
After
Quais palavras você usaria? Será que soaria legal, interessante, bizarro, cômico, ou vivo? Será que isso existe? Esse resumo revolucionaria o mundo? Seria uma saída barata de antenar as pessoas?
Qual seria o peso dessas palavras? Fazer em algumas linhas o que esse livro pesado fez com o mundo é de um tanto complicado. O que seria a junção estranha de palavras (no caso palavras calóricas, porque hoje em dia até calypso, infelizmente, é música) com ritmo? É a junção de preguiça com música, de um resumo à uma arte (como viveríamos sem música?), de uma vida à uma dança?
Tantas questões, mas não saímos do mesmo lugar. Um resumo lírico é vida, é arte, é paixão. Junção de dois lados diferentes, que se completam. Junção de duas maravilhas.
Mundo pequeno... Se fôssemos pensar bem, Renato Russo resumiu o Brasil em uma música. Chico Buarque definiu a ditadura em uma música.
O que resta de nossa parte?
(out for a few days now, mas fiquem a vontade pra comentar, quando eu chegar, eu olho!)
Humanos
Um dia desses um amigo me propôs uma questão. Quem é você?
Essa pergunta tem me feito pensar muito no assunto. Minha primeira resposta foi meu nome, então meu amigo me respondeu “não te perguntei seu nome, mas quem é você?”. Respondi novamente meu nome. Não que este tenha um grande significado etimológico (na verdade, só tem algo a ver com azeitona), mas meu nome hoje significa muita coisa para mim e, espero, para quem bem me conhece também. Significa bem mais que minha data de nascimento, endereço, telefone, RG, etc... Ainda assim senti que meu nome não respondia satisfatoriamente a pergunta.
Busquei em dicionários, enciclopédias, livros, textos, poemas... Átomos de carbono? Um feixe de relações? Dúvidas? Um animal com inteligência abstrata? Soldadinho do sistema? Pura química? Tudo isso e ao mesmo tempo nada disso. Minha busca não me deixou nem um milímetro mais perto de uma resposta.
Sinto que todos tentaram responder o que é o homem (pergunta já difícil o suficiente sem especificar um homem). Ao vê-los buscar a resposta para essa pergunta vi as mais maravilhosas mentes se perderem dentre as milhares facetas humanas e, no máximo, responder a uma delas.
Para responder essa pergunta teríamos de ser completamente secos e indiferentes à resposta e portanto não-humanos... percebi que não conseguiria a resposta para nenhuma das perguntas. Peço ajuda, se alguém for capaz:
Quem é você? O que é o humano?
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Esse dono... não tem pressa, leva 5 minutos, 15 minutos, 10 dias, 1 ano, 20 anos, uma vida para completar essa página. Ela é um refresco da vida, um ideal dos ideais, ou apenas o ideal. É uma vida, é um sentimento, é uma confissão, de ódio, de amor, de solidão. O dono não tem pressa, tem responsabilidade; Cada letra é meio caminho percorrido, um pedaço de vida, inscrito, escrito, confessado em uma página em branco, rabiscada. As palavras estão sendo rabiscadas, deixando o sentido fluir na artéria da página, deixando o sentido claro, se completando, como imagina a cabeça desse dono. Dono sem medo, dono com sentimentos, dono revoltado, dono amoroso. É um dono, com fome de sabedoria, de ser correspondido pelo sentido que suas palavras rabiscadas têm na grandiosa página. É uma grande aventura, tentaviva. Algumas vezes sai falida, mas foi o caminho percorrido, que vai ser recomeçado com aventura, amor, ganância (...), protesto, que recomeçará com uma nova chance de uma vida redundante...
Escrever
Eu penso. Quase tanto quanto respiro. Mas pensar nem sempre é involuntário.
Eu sinto. Quando estou pensando, quando estou respirando e também quando escrevo.
Eu sinto sem pensar, eu sinto antes de escrever e sentir é, por vezes, mais incontrolável do que respirar.
Duvido de quem diz que escrever é natural como respirar. Duvido, pois respirar ninguém escolhe, é involuntário, é necessário. Já escrever, eu vejo como conseqüência do pensar e do sentir. Não que seja fácil, pois escrever é puxar algo do interior e trazê-lo para fora, organizá-lo, apresentá-lo, mostrá-lo.
Escrever é tecer com fios que vêm da mente, e quem escreve deixa sempre um reflexo de si impresso no papel.
Quem escreve cria ação, e a deixa fluir no papel.
Quem escreve, antes tem de respirar e antes de pensar tem de sentir.
Creio que é isso que me encanta sobre o escrever.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Inverno
Esses dias, enquanto passeava pelo mundo material e viajava por meandros entre as perguntas irrespondíveis e os campos obscuros até para a mais esclarecida das mentes. Eis que me deparo com bela árvore florida em tão hostil época do ano. Ponho-me a pensar instantaneamente sobre essa curiosa planta com a qual tenho uma relação de amor intenso desde que reparei em sua curiosa florescência. Dessas apaixonadas reflexões brotou esse texto.
Conte-me, ipê, porque floresce no inverno? Contrarias todas as regras e lógicas e despindo-se de suas folhas e preconceitos mostra toda sua beleza. Ofuscando, com suas lindas flores, o brilho de tudo a sua volta que se acanha ainda mais nesse período do ano. Pequenas obras de artes ressaltam-se na paisagem gélida, pontos rosas, amarelos, brancos, roxos...
És um sublime grito natural pela diferença e autonomia. Fugindo da regra e se abrindo para o mundo sozinho quando a maioria se esconde e se fecha em eterna vontade de autopreservação. Não temes o frio e desafia-o com seu amor colorido, com seu calor desfolhado. És companheiro de quem sai para o frio, esses pobres nômades sem a capacidade de se fixar em um lugar por muito tempo. Acalenta-os e inspira suas almas dividindo com eles sua beleza incomparável.
Destemida árvore que se abre quando os outros se fecham em vergonha e um egoísta cuidado individual. Obstinada árvore, mate-me nesse momento de prazer antes que ele passe e chegue a ressaca, mil vezes pior que se o prazer não existisse. Doce embriagues da inspiração, bebo com orgulho de sua gélida e colorida fonte da inspiração.
E aos leitores, proponho um brinde ao ipê e à qualquer que sejam suas fontes de inspiração, naturais ou não.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
O conhecimento
Porque estudar tanto? Não faço essa pergunta questionando a utilidade prática do conhecimento. Não quero saber onde usaríamos em nossa vida tudo que aprendemos. A pergunta se refere ao porque saber tudo isso, qual é o sentido desse conhecimento na nossa história e na nossa vida.
O conhecimento pelo conhecimento é legítimo (e até apreciável na minha opinião), mas esse é obtido em centros acadêmicos mais aprofundados nos assuntos e esse conhecimento não é de fácil acesso para o público exterior que esteja interessado. O conhecimento mais difundido atualmente é, infelizmente, aquele não criticado nem verdadeiramente compreendido (pelo ser que o está absorvendo). E mesmo quando o conhecimento é criticado e compreendido propriamente ainda assim ele é muito.
Não que não devamos conhecer um mínimo sobre tudo, sou o primeiro a criticar o sistema americano de ensino e o primeiro a elogiar o francês (que atualmente influencia a maior parte das escolas em nosso país). Só busco a causa dessa necessidade de saber, saber tanto sobre tantos assuntos, e tantos detalhes conjunturais... Jamais digo que o conhecimento tem de ter aplicação prática, mas tem de ter algum sentido nela em nossas vidas. Não na vida particular de cada um de nós, mas na história comum às pessoas. Será que nossa condição histórica pede tanto mesmo?
Para nos entendermos precisamos realmente saber quem foram tantas pessoas? Não seria mais importante saber as linhas ideológicas mais importantes de cada época e o contexto histórico em que elas se inseriam? Claro que o pensamento e questionamento dessas pessoas é importante para desenvolvermos o nosso próprio, mas será que tanto conhecimento absorvido não nos torna os homens modernos de Nietzsche?
Repito que não devemos ter tudo como útil no mundo material. O que sabemos, no entanto, deve ser sempre utilizado para uma reflexão e que essa se reflita em atuação no coletivo, do coletivo e pro coletivo.
Sejamos mais que só um vaso de conhecimento, sejamos ação conhecedora, e espalhemos esse conhecimento para todos que pudermos atingir. Mudemos o mundo com tudo que sabemos e saberemos, tendo em vista sempre o coletivo. Aprendamos sempre tendo em vista o sentido do aprendizado em nossa história e em nosso momento histórico específico.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
A vida acontece na calçada
E pela primeira vez David parava o trânsito. Mão estirada, o som de um breque. Todos atravessaram a rua sem problema apesar dos gritos de ofensa do motorista.
David era um perfeccionista, acreditava piamente na utopia e lutava, sem cansaço e sem medir perdas, pelo que acreditava. “Porque se a gente esquecer a utopia... que vida chata, né?” dizia freqüentemente. Politicamente: nem de esquerda, nem direita. Muito menos em cima do muro! Negava os rótulos, embora não olhasse com maus olhos o de anarquista (não que ele admitisse isso).
Pela criação que teve adquirira um gosto absurdo pela natureza e fazia o impossível para conservá-la. Entrava em debates e discussões a respeito da chamada crise ambiental em que invariavelmente ficava isolado em sua opinião. Era a favor da rediscussão da sociedade como um todo e não só do modelo de extração energética. “Sim ao ônibus e não ao carro flex!” dizia essa frase panfletária freqüentemente. E esse pensamento o levou a comprar a briga que lhe custaria mais caro.
A luta do homem contra o carro. Animal contra máquina. Pele contra metal. Parou de usar carro particular de todo. Crise familiar, briga com os pais que não queriam seu filhinho andando por aí. “Não importa! Ou transporte público ou nada!” gritou David, o teimoso. Decisão tomada, decisão realizada. O tempo deve ser pensado de outro jeito, as horas de ônibus se juntariam horas de caminhada.
Tempo é o menor de seus problemas. Dias de chuva, jatos de água por parte de seus amigos motoristas. Dias normais, uma eternidade para alguma máquina parar na faixa pela gentileza ínfima de seu escravo condutor. E a caminhada onde não passam ônibus é claro.
O que realmente o incomodava era o desrespeito da máquina. David, o teimoso, resolveu forçar o respeito... Parava no meio da rua, sua mão estirada, parava o trânsito e por um efêmero instante o homem era dono da cidade. Imensa a coragem do garoto para desafiar sociedade tão bem acomodada. Foi assim que começou.
Isso virou rotina. Mão estirada, David sentia seu poder aplicado para a comunidade humana em detrimento da comunidade automotiva. Orgulho, estava lutando pelo que acreditava. Força, todo dia era uma batalha da grande guerra que ele venceu.
David, o teimoso, seus atos se espalharam, não é mais o único a desafiar a máquina. Os humanos voltam a ser realmente os donos da cidade. David sorri, está feliz. Fez o que queria fazer, ganho para a maioria.
A guerra foi vencida, mas David perdeu uma batalha.
E pela última vez parava o trânsito. Corpo estirado, o som de um baque. Ninguém atravessou a rua e todos acompanharam os gritos do motorista desesperado.
David não veria o impacto de suas vitórias. A máquina só foi apreendida. O motorista só mudou de gaiola.
“Mas não importa! O que vale é lutar pelo seu ideal, sem medir esforços e sem baixar a cabeça!” diz David, o teimoso, freqüentemente.
sábado, 28 de junho de 2008
...
Algumas nuvens tapam a nossa visão, mas ele sabe que as estrelas existem. Ele acredita. No amor, na esperança, no mundo melhor! De vez em quando não se conforma com o seu cotidiano, mas e dái? Já passamos por situações piores! Ele ainda acredita. Na educação, na ética, na moral, e em revoluções e protestos. Desenha o mundo como vê, cores, alegria, misérias, algumas meninas claro, um copo de chopp. Uma tarde na chácara. Tá tudo desenhado. Tudo que ele acredita!
Algumas notícias não são das melhores. Se ele acreditava na educação, hoje sua escola não existe mais. Para ele, algumas coisas inéditas acontecem, coisas que ninguém imaginaria acontecer, hoje acontece. E? Ele protesta, (povo de esquerda nasceu pra protestar) na tentativa de conseguir alguma coisa. Ele não vai desperdiçar suas idéias em vão. Luta pelo que acredita!
Para ele, hoje é férias(claro, ele vai para outra escola, a dele não existe). Passou bem na escola, fez por merecer. Cada passo, e cada estrela brilha mais para iluminar o caminho dele (essa é uma parte meio direita dele).
Talvez ele viva num mundo isolado, mas deseja um dia contar uma história. De amor, de romance, de paradas no tempo, de revoluções, e protestos. E contar a história que acredita no amor, que este faz as estrelas brilharem., Ele talvez conte a história de como as idéias nascem.
De uma tentativa!
quarta-feira, 25 de junho de 2008
A nova Vida Madalena
O texto é a redação de um conhecido meu para ser entregue na escola. Achei interessante a discussão que ele pode gerar e o ponto de vista no mínimo discutível deste ser. O título é de minha autoria.
Paulistano ama paulistano. Nós, sem o igual, não somos nada (até as viagens de formatura são sempre para Porto, e, durante os feriados, quem não vai para Campos ou Bertioga?). Somos os paulistanos e amamos nossa cidade; afinal ela é o centro cultural do Brasil (qual outra cidade tem tantos cinemas?). Estamos na maior cidade do país e ainda assim nos conhecemos. Somos muitos e muitos são os lugares,, mas conhecemos todos e tudo. Mas essa cidade já não é mais a mesma ! é a violência, culpa desses baianos que vem para cá sem ter o que fazer.
Paulistano ama paulistano, e por isso foge de São Paulo. Vai construir uma cidade, uma sem violência, sem preconceito, sem desigualdade... Ahh, nossa amada Alphaville. Não gostamos da cidade, muito sujo por ali, mas é onde tudo acontece... então todos nós, paulistanos, vamos para lá todo dia de carro e ficamos horas no trânsito, cercados de paulistanos, cada um em seu carro. todos nós, paulistanos, convivemos entre nós, moramos perto, estudamos nas mesmas escolas e freqüentamos os mesmos lugares (como São Paulo é pequena!). Ou melhor, boa parte de nós, paulistanos.
Paulistano ama paulistano, e quase todos moramos na boa periferia. Alguns não. Esses conseguiram continuar vivendo em São Paulo, morando lá conseguem tudo, estão no centro do mundo, onde as coisas acontecem, compram pão na Covadonga e vão aos bares da Vila. Moram na cidade que odiamos e têm a vida que amamos. Suas casas ficam no décimo andar de seus prédios e a segurança destes é tão alta que vai até o nono.
Só assim para que nós, paulistanos, moremos em São Paulo.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Aqui vai o sol!
Feito na agenda, este aqui.
Gostaria de manter estes momentos nalgum lugar seguro, como pequenos tesouros que eu pudesse contemplar, quando quisesse.
Não me parece justo que estes milagres do cotidiano se consumam e passem por mim sem o consentimento de minha memória.
Eu sou estes momentos, e o sentimento infindável que vem deles eu guardo em mim, como ecos deste tempo remoto que chamo de presente meu.
Como se todas as cores do arco-íris que me acontecem em certos dias pudessem esperar por mim no pote de ouro, no fim.
Pois direi que eu era feliz. E sabia.
Só queria ter a certeza de que não vou esquecer.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Caros amigos...
Senhores, ela simplesmente me ignorou.
Estava andando na rua e aquela bela senhorita nem sequer parou para me cumprimentar. Não que ela não me conheça. Não meus senhores, esse é o pior. Grande amiga minha era ela, um acaso do destino nos afastou e perdemos o contato desde então apesar de residirmos tão próximos um do outro. Contar-lhes-ei o caso.
Enquanto caminhava eu na direção dessa singela reunião de cavalheiros eis que surge no horizonte uma bela dama. A beleza é tanta que no mesmo instante prende minha atenção completamente, ao aproximarmos-nos reconheço a face de uma antiga amiga com quem não falo a algum tempo, alegro-me com tal visão.
No entanto não anda sozinha, pelo contrário, senhores, caminha ao lado de outra dama, igualmente bela e completamente desconhecida para minha pessoa. Sorrio na direção de minha amiga, trocamos olhares por um instante e eis que vejo passar uma expressão indescritível por sua doce face no mesmo momento em que seus lindos olhos cor de amêndoa caminham sobre minha figura de cima a baixo. Essa expressão me lembra pena, desgosto e quem sabe até um certo desprezo. Expressão, senhores, difícil de descrever e compreender, ainda mais quando disfarçada por um pequeno sorriso visivelmente amarelo.
Paro para cumprimentá-la propriamente, mas eis que surpreendo-me mais ainda pois ambas voltam a conversar e, como se já não fosse o suficiente, alteram minimamente seu trajeto para desviarem-se de minha pessoa. Deixam-me assim, senhores, a olhar estarrecido o grande vazio em minha frente enquanto seguem sua rota tagarelando futilidades.
Pergunto-me então, meus senhores, o que levaria essa dama a ignorar velho amigo sempre tão dedicado e simpático para com sua pessoa? A resposta não terei jamais, mas tenho a impressão que ela reside naquela momentânea expressão indecifrável e naquele rápido e profundo escrutínio.
Sr. Gewöhnliche
sábado, 21 de junho de 2008
individualismo - egoísmo - egocentrismo

Por algum tempo me achei uma pessoa perdida. Nascida em tempo, cidade e século errado.
Toda essa consideração por uma outra pessoa. Realmente, não me levou à nada. Ainda sou esquecida, despercibida. Raras as vezes que me passo como uma pessoa 'notada'. Estranho, as pessoas me estranham quando me vêem andando sozinha. Meu mundo é sozinho, nasci sozinha, morrerei sozinha. Na verdade, só queria desfrutar do tempo que vivo e que tenho alguém para compartilhar esses momentos. (A felicidade só é real quando compartilhada- Alex Supertramp).
Me considero uma pessoa feliz. Tenho várias pessoas para conversar, mas perco os meus problemas. Queria um dia falar todos os meus problemas. Já fui discriminada por não contar esses, da mesma forma que discriminei algumas pessoas, já esperando a reposta (Sério?! Que legal...). Queria que meus problemas fossem resolvidos. Tá, quem não quer isso? Por isso sou mais uma, tenho os mesmo problemas, as mesmas angústias e enjôos, talvez um mau gosto, mas aí eu fujo do assunto e mudo de cor. Cansei de ser esquecida, de achar e saber que as pessoas não lembram de mim, como eu lembro delas, de como eu gosto delas. Fui esquecida.
Acho motivos pra andar na cidade em busca de meus livros, do meu cineminha que passo irreconhecível e desfruto do verdadeiro cinema (fora os grandes filmes da casa da minha vó). Acho motivos pra alguma companhia, mas raros aqueles que me acompanham ("esses filmes dão sono!" - se eu falo que é porque a pessoa só entende de comédias românticas, sou chata), quando me acompanham, é para um chá e jogar conversa fora.
Passo nos lugares e até penso, que talvez elas não me conheçam e meu motivo para estar em tal lugar. Mas aí são pessoas normais, algumas com um sorriso enorme, felizes, tendo que provar do que toma conta delas. A cara dessa frustação é de um verão sem fim. É daquele sol que derrete os corações, é a cara de quando você deseja morar na Sibéria (e desejar um solzinho, beeem de vez em quando por lá), já que não pode morar na Europa,e desfrutar daquilo que você acha que pode ser onde estejam plnatadas as suas raízes...
Por isso que eu continuo aqui, sentada, sonhando, escrevendo. Algumas vezes inspirada, outras bêbada, outras mudando de cor, de espírito e descordando de tudo que te falam.
Ainda sonho, quero viajar, quero conhecer o mundo do mesmo modo que o mundo conhece a previsibilidade de nossos atos. Só queria um funeral decente.
(imagem- vá no google e procure por solidão. é uma das primeiras)
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Por Liberdade!
Há quem diga que é tudo na vida.
Pode-se até dizer que ela é necessária.
Mas há também aqueles que vêem neste incessante "dêja vú" algo de cinzento.
Monotonia é trabalhar num só tom, disse meu professor de arte. Ele não tinha idéia de que essa fala faria tanta diferença na minha vida...
Monotonia?
Monotonia é o cinza do meu dia!
Que pensamento forte, que fraqueza que dá! Levantar às seis então...
E todo dia tomar o mesmo café da manhã, e dar o mesmo "bom dia" ao homem da portaria.
E o engraçado é o ritmo de rima pobre que isso tudo tem.
Ora, por que deveria ser monótona a minha rotina?
Não precisa ter nada de agitado.
Desde que saia do tom único. Desde que saiba se espalhar.
Por que deveria ser uma rotina a monotonia?
Não que ela não seja necessária. Tanto a monotonia, quanto a rotina.
Sim, pois sem rotina fico perdida.
E sem poder me concentrar num só tom de vez em quando, minha vida perde algo de seu sentido.
Por isso um grito!
Por liberdade, é isso!
Uma fuga da rotineira monotonia, da monótona rotina!
Que se façam notar os pedaços de outras cores entre nossos inúmeros horários.
Que se façam notar, e que ganhem o espaço de nossa rotina, os pedaços de nós ! Presos entre os tons monótonos que trabalham somente em si mesmos.
E que os horários saibam nos espalhar entre os inúmeros tons monótonos de nossas vidas!
Um grito de guerra contra a coesão!
Um esboço
Catarina,
Você sumiu.
Essa semana inteira não teve um dia em que não fiquei me perguntando o tempo todo o que foi feito de você.
Liguei pra sua casa e o Raul me passou esse endereço. Se você pensa que isto esclareceu todas as minhas dúvidas, engana-se: simplesmente não consigo entender por quê um ser humano planeja uma viagem e sai do país sem dizer nada aos amigos.
Por isso, não vou lhe perguntar como estão as coisas e aí, talvez, você concentre suas energias em responder minha pergunta.
Atenciosamente,
Lúcio.
Quim,
Recebi uma carta do Lúcio esta sexta. Não sei se ele te informou do meu paradeiro, ou ainda se você se deu ao trabalho de ligar pra minha casa. Talvez você não tenha nem se dado conta da minha ausência, mas a verdade é que estou muito decepcionada. Esperava que você me procurasse antes dele.
Enfim, fiquei muito contente em saber que alguém se preocupa comigo, ainda que este alguém não tenha sido aquele que eu esperava. Diga ao Lucinho que estou bem, ok? Muito bem, na realidade. E vê se estuda, que não quero vê-lo passando de ano por pouco de novo.
Beijos e abraços,
Catarina.
Cata,
E o que é que você é agora? Um ser onisciente nas nossas vidas? Isto tudo é um teste?
Em primeiro lugar, fiquei fulo com o fato de você fugir e ainda me acusar por não estar dando o sangue pra te agradar, como se eu ficasse abanando o rabinho como um cão. Acho que você esqueceu que não me chamo Lúcio.
Em segundo lugar, fiquei excepcionalmente fulo de ver que você continua escrevendo certinho feito um vestibulando puxa-saco.
Mas você pode adivinhar que estou feliz por ter notícias suas.
Foi bastante esquisito não te ver na saída, abraçando seus livros que nem colegial de novela. Senti falta de te ver sorrir enquanto me chama de Holden Caulfield.
Você sabe que eu te amo, não?
Pronto. Agora tô à altura do Lúcio?
A quem possa interessar,
Kim.
Esses três são pedaços de mim.
terça-feira, 17 de junho de 2008
A vida fala mais alto... por enquanto...
Mais um protesto que um texto. Ainda assim um texto e não um protesto.
Abaixo a ditadura da felicidade! Pelo fim da necessidade de competição. Atualmente precisamos ser felizes e eficientes. A tristeza virou doença e ganhou novo nome, ninguém fica triste ou melancólico, as pessoas estão todas deprimidas. E como doença que é doença, tem médico e cura. Vamos ao psicólogo e tomamos remedinho, a pílula da alegria.
Sou humano, porra, não sou perfeito, nem completo! Não sou Deus, nem quero sê-lo, sou apenas um discípulo errante de minha própria vida. Falta algo em mim e é a falta que me faz humano, não adianta encher do que não sou eu que não vai ficar bom, não vou viver bem.
Já inventaram a mercadoria por excelência, ela, além de prometer, dá felicidade. E por ser ilegal muitos a consideram resistência ao sistema quando é sua parte mais interna. Inventaram também a música da nossa geração, construíram a música da felicidade. É pra gritar, tirar o pé do chão e ser feliz em Salvador... reconhece?
Nossa própria felicidade é o que importa, comemos o outro, ele(a) é gostoso(a) e a noite foi uma delícia. E o outro? Gostou? Quem liga? Foi bom! Pra você...
Xinguem a ditadura da magreza e a indústria cultural, mas há coisas mais importantes. Deixe que digam como aparentar e pensar. Só não deixem que dominem seus sentimentos, é o que nos resta de humanidade!
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Sobre existencialismo, razão, consciência e eu mesmo
Sabe qual o problema do mundo? o homem. E o problema do homem? o mundo. Assim diz Heidegger, o homem e o mundo no mesmo instante, "Por que há simplesmente o ente e não antes o nada."
Só que o cão continua me observando do meu espelho.
Ok, botar a culpa no homem e no mundo é fácil. O problema mesmo é a palavra problema. Afinal o que é um problema? nada mais que o nada.
"Boa desculpa, meu caro, mas você nem sequer se convenceu".
Fui diminuindo e diminuindo e diminuindo...Até que virei uma barata. Então meu cão pisou em mim. Eu sei qual o problema...
"Não seja dramático."
O que voce quer que eu seja?
"Um hipócrita, uma mentira, uma verdade, uma tristeza, uma felicidade, uma beleza. Não importa, seja algo, seja tudo, seja nada. Só seja real"
A arte de navegar
Naquele tempo, a última coisa que eu queria era ter um objetivo. Pra quê? Não sou nenhum jogo de tabuleiro, eu pensava. Não tenho regras. Não tenho planos.
Acreditava nisso. Acreditava mesmo.
"E sonhos?", ela me perguntou. "Sonhos são uma grande propaganda enganosa que alguém inventou pra te forçar a se engaiolar nas regras".
Que filósofo eu era! Que rapaz inteligente!
Com o conceito de liberdade que ela me ensinou, eu a abandonei. Que esperto!
Mas ela tinha as convicções dela, e eu não queria ficar preso.
Mal sabia eu que estava prestes a me acorrentar para sempre.
Na solidão.
(Kim)
domingo, 15 de junho de 2008
Minha história
Sonho, perdido em meu momento nostálgico. Imagino, e se... Se tudo fosse diferente? Se eu cedesse à sua vontade? Se eu parasse com as mentiras corriqueiras? Se, realmente, me abrisse com as pessoas?
Elas saberiam meus medos, minhas inseguranças, minhas fraquezas, meus sonhos, meus gostos, meus preconceitos, minhas imagens...
Seria tão ruim?
Poderiam me destruir, me jogar no chão cuspir em mim, mostrar -me novamente que a máscara é minha única forma de sobrevivência. Afinal, são humanos.
Mas, e se eles aceitassem, gostassem, convivessem, liberassem? Será que é humano ser tão ruim assim? Não posso confiar neles?
Sou um simples animal. Um cachorro, acuado sempre que vejo um homem, o medo da mão estirada.
Medos. Traumas. Passado.
Todos temos histórias...
O problema
O problema era eu. O dia amanheceu sujo, o sol saiu detrás dos prédios e só serviu para mostrar o bueiro imundo que chamamos de cidade. O céu se azulou e depois adquiriu uma cor marrom amarelada. As pessoas pareciam sonâmbulos perdidos andando na rua e um parecia mais feio, mais decrépito e mais pobre que o outro. A água tinha um leve gosto de ferrugem e o vento trouxe fumaça pros meus pulmões, o tempo ainda parecia conspirar contra mim e andava lento.
O negócio é que tristeza não está na cena, está na cabeça.
sábado, 14 de junho de 2008
Lugar
Como palavra parada, não tem sentido, é só e frio, informal. Um simples qualquer sem histórias. Um sinônimo de "local"
Local, por sua vez, descreve um espaço físico no qual pessoas se inserem fisicamente. E nada mais. É informação, referência.
Mas o lugar tem ambições muito maiores do que o local apostaria. O lugar não quer ser usado como mera referência, não quer que pisem nele e passem por ele com pressa.
Lugar quer é ser verbo, porque quando as pessoas aprenderem a conjugá-lo, perceberão que ele e todos que neles estão são muito mais que estado físico ou referência. Quem conjuga o verbo lugar permite-se fazer parte e permite também que outros façam parte de si.
Penso que o desafio é transformar um "lugar comum" num "lugar em comum". E é a isso que se dá o nome de "respeito".
escrito no começo do ano.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Instintivo
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Desperdício.
Fomos criados com ótimos pais que nos proporcionaram um futuro de sonhos. Quebrados pelas drogas da sociedade, desde aquela maconha, até a falta de cidadania que nos compõe nesses dias.
A nossa criação é o resultado de muitas noites mal dormidas, de sofrimento e de angústias. Na tentativa de ser alguém, nos iludimos no exilir de cada momento, aproveitando, que de vez em quando passamos despercibidos na rua, mas notados por aquele velhinho na rua que derrubou o pão duro que seria seu jantar do seu lado.
E você, nem pra olhar, olha.Você olha para aquele aquele 'véio' que nunca teve um tratamento médico decente (mesmo se esse se decorresse ao SUS, algumas pessoas com plano de saúde que nao utilizam no momento, passou na frente dele), que deve ter no mínimo uma dor nas costas. Ele ainda carrega o peso de sua infância, de suas noites mal dormidas de frios e amigos congelados pelos inverno, queiamdos no calor, mas a felicidade de ter chegado até esse ponto. Vivo, sobrevivendo.. você chegou até aqui, sem fome, sem dor nas costas ou muito menos com peso na consciência, afinal, você já doou aquele quilo de feijão. Que legal, muito ferro para eles!
Mas você passa reto dele e de todos os outros que morreram afogados, subornados e pressionados pelo que fizemos com a sociedade. Essas pessoas nasceram cegas, surdas e mudas, poucas as que passam. Elas nao enxergam o mundo com o nosso olho, o que elas vêem, para alguns é traumatizante (ônibus 174), o que elas ouvem é desumano, liberdade de expressão então?... Fora as vezes em que o toque é sensibilizado.
Realmente o que resta é a escolha. E quem disse que eles aprenderam a escolher o caminho certo? eles querem o mais fácil, menor caminho, o da menor vida.
Fomos manipulados para ter medo dessas pessoas que roubam 10 reais,e sua carteira. Onde já se viu? Como sabemos para que ele vai usar aquele dinheiro?
Aquele que tem fome, continua com fome. Ele vai usar esse dinheiro para drogas, sexo, rock'n roll,e para aquele outro quilo de feijão. é uma rotina, até acabar na aids. Pra que adianta ser um dos melhores país no tratamento da AIDS, sem a prevenção (sexo, drogas e rock'n roll, agora substituído por outras gêneros musicais) que é o mais básico?
Nós somos o lixo da sociedade, a minoria que não divide o bolo, e que passou o chapéu no pobre. A nossa rotina acaba quando nosso sonhos acabam. Queríamos mudar o mundo (combater o aquecimento global, evitar a gravidez precoce, a AIDS e afins) até que fazer da nossa rotina, uma vida viciada nas drogas da sociedade é melhor, mais fácil. Não nos faz sofrer ao lembrar desses problemas.
Nós temos o melhor bolo, a melhor desigualdade. Claro, o queimadinho fica com o carinha da rua, afinal, é tudo bolo! nós somos o lixo da sociedade, mas nao aquele resto, até pelo contrário, a elite, mas aquele lixo que só acumula espaço. Nas lixeiras, ou nas grandes construções. Tacamos os marginais nos cantos,e a 15 anos atrás, uma pessoa ainda morria de cólera.
Juntamos duas rotinas diferentes, com sonhos diferentes, e fazemos um ciclo sem fim, com pedras no meio,e problemas deixados para tras (sabe aquela história de querer o mundo, já citada?) que fogem de nossa realidade.
Como ainda desejamos ser alguém na vida? Poucos percebem, mas como disse uma menina em uma das redações exemplo da Fuvest esse ano, quanto mais leite, mais nata (tudo bem que ela usou essa comparação em computadores, vamos usar na sociedade). Quanto mais aquele metidinho a nao ter nada continuar nos estragando, mais nata teremos, resto, lixo da sociedade.
No dia que isso mudar, o plano de vida de cada um muda. É mudando nossa pessoa que nós mudaremos o mundo. Ética, cidadania, questões morais, filosofia, nós não aprendemos á toa. É pra aplicar na sociedade, no dia-a-dia.
Eu, reclamo escrevendo, palavras e palavras. Mal escolhidas, mal colocadas. Erros de concordância, pensamentos errado. Tentei, minha parte tentarei fazer.
Desperdício.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Devaneios de uma dita mente culta
Cheguei em casa. Estava vazia, ambas, eu e a casa. Fui para meu quarto, olhei pela janela, vi a morte, mais comumente chamada de vida. Lembrei-me do ônibus, as pessoas em minha volta, muitas pessoas em minha volta, ilustres desconhecidos... é a minha cidade 15 milhões de pessoas, 15 milhões de anônimos desimportantes, o onipresente anonimato da cidade grande.
Sentei. Que tenho que fazer? Matemática, física, geografia e português... Melhor dizendo geologia e gramática... Ahh, as desumanidades, que tristeza. Tiro um caderno da mala aleatoriamente, física. Letras em igualdade, a lógica numérica das variáveis. Eu não entendo nada, tenho até dezembro pra entender e tenho que saber só até a data do vestibular. Depois? A vida inteira pra esquecer, só mais uma pedra de conhecimento indigesto. Desisto, tenho mil dúvidas para cada problema e mais várias delas para o resto das coisas.
Arranco uma folha puxo um lápis e me ponho a desenhar. O que? A imagem do futuro... Com a bota não encontro problemas, ela é simples, dura e forte, sem detalhes, é um bloco monolítico e sem subjetividade. O problema é a face humana... De quem seria ela? Ela está sentindo dor? Gritando contra a bota? Tenta se esquivar de alguma forma? Ou está quieta, suportando, submissa? Agradecendo? Quando a situação se estatizar será o fim da história, sem dialética, sem humanos, só máquinas... O fim da contradição, o perfeito duplipensar, melhor seria chamá-lo de nulipensar. Seremos gado. Somos gado! Já escrevia Nietzsche sobre a vaca colorida... Nietzsche... Como soa bonito, citar um filósofo alemão parece tão inteligente. Mas e o Brasil? Cadê minha cultura? Cultura global? Multinacional? Indústria global!
Perdida em meus devaneios desisto do desenho. Vou beber água, paro, ligo a TV. Oh lindo mundo plástico! Pena que sou carne, a dura responsabilidade de escolher, pensar, viver... Porque não sou como as pessoas do lado de lá da tela? Porque não estou absurdamente feliz? Será que estou doente? Ligo para a psicóloga. É só tomar mais umas daquelas pílulas? Tem certeza? Obrigada! Tomo a pílula, volto para a TV. AH! Esses pensamentos que não me deixam! Desisto. Desligo.
Vou ao computador, ligo o Orkut. Desligo-me.
Bianca
terça-feira, 10 de junho de 2008
Desamparo
Será que existem pessoas que nunca tiveram sonhos de liberdade? Como elas podem viver com si mesmos? Mas pior são aquelas que tiveram, jogaram fora e riram com escárnio.
Mas não é sobre isso que eu queria falar. É sobre relações humanas, sobre a morte de um sonho, a fraqueza da vontade, o medo de perder, o fim da esperança.
É tão difícil agüentar um relacionamento aberto? Sartre estava tão errado assim? É necessário chamar o outro de seu, subjugá-lo em favor de sua vontade e unicamente desta? Somos humanos, falhamos, nenhum de nós está completo, não somos deuses, nada preenche o que nos falta. Não é matando o outro que viveremos melhor. Porque as pessoas caem nessa moda aprisionadora do namoro? Porque ninguém agüenta ser diferente? Por favor, não cometa você a loucura de parecer normal.
E quando alguém concordou com você depois cai e se submete? Cai um ídolo, morre uma esperança. Como se nada do que foi dito houvesse, de fato, sido dito. A morte de algo admirado é triste, mas mais triste é a morte de uma crença. As pessoas, os objetos são efêmeros. Mas as idéias... Ahh as idéias, essas são pra sempre...
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Tinha um Espelho da Geladeira.
os nove botões trouxeram ansia e vertigem, eram um deserto
não poderia vegetar naquela tarde.
-Você conhecia aquela historia? - Ouviu do corredor a voz cinica de João.
-Não.
-Mas deveria.
-...
Se levantou ignorando o invasor, e largou o aparelho remoto no chão, que no chão se
dividiu em pilhas, controle, e capa das pilhas.
tuc, tuc, tuc, o barulho do seu andar tuc tuqueava e tuc tuqueava, e ele parou
-você ta muito fresco hoje viu! parece até que vai aviadar de vez! - João criticou
ainda no corredor
"quando a justiça dava gargalhadas"
Na cozinha abriu a geladeira
viu um homem careca, velho, magricelo, e sem vida. e se definiu UM
UM caiu no chão. João o escorou e socorreu, mas UM ja nao ouvia mais.
A televisão tornou tudo turvo
o controle atrofiou sua mão
e o choque de saber, mesmo sem se enxergar como individuo
UM qualquer morreu naquela cozinha. passava Esporte na TV.
Problema de amor
Andava devagarzinho, como se levasse um fogão amarrado em cada pé. Olhava para todo mundo meio torto, mas um torto bonito, engraçadinho, dava vontade de pegar aquele torto e colocar em um quadro.
Não é para menos que logo que a viu, se apaixonou. Andava atrás dela a quatro patas, enquanto a garota só no sorriso torto. Quem diria qualquer coisa sobre isso? Ela olhava assim também para a vespa e para a largartixa. Foi como o menino foi se sentindo, ê Maria, lagartixa. Ficou verde e de cama. Doente de amor, viu? Benção não resolvia, que não era de santo seu problema. Era problema de amor, doutor, seu padre, ah, pai.
Minha nossa Maria!
domingo, 8 de junho de 2008
Obstinada Feminina
Não sabe fazer poesia, senhor. Que problema, entretanto? As unhas vermelhas em torno do lápis, o olho em fenda, suor perfumado. “Nasci para me defender”, gritavam todas as bocas de todos os poros. Não sabe fazer poesia, senhor. Mas a proporção metricamente escaramanchada admitia que poesia era ela inteira.
obs: feito por causa de uma matéria que eu li sobre o preconceito embutido no termo "olhar feminino", quando nos referimos a qualquer expressão artistica feita por uma mulher. Ele também significa um olhar raso, sem profundidade. Vamos lá, provar que não é verdade.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
O Passado
E aí, perguntou, o que vai ser?
Era assim que tinha que agir. Submissa e arrogante. Mas e esse seu rosto, agora já bordô, que não entendia nada e ia se contorcendo em agonia?
Ele respondeu, olhando para baixo:
Sei lá, o que você recomenda?
Era assim que tinha que responder. Pacífico, compreensivo. Ainda mais arrogante.
O que você gostar mais.
Faço questão que me diga o que recomenda.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Às vezes tenho medo de arrogância intelectual.
Conhecimento por conhecimento, que diferença faz?
Ver o topo do mundo... Tantas verdades, tantas teses.
De quê adiantariam?
Encerrar tantas convicções, tanta sabedoria, numa só mente.
Encerrar qualquer desenvolvimento, cessar a glória de aprender.
Tenho medo. De intelectualidade sem qualquer espaço para bobagem.
De vida sem um pouco de futilidade.
De individualidade individualista.
Não quero que, para poder considerar-me um indivíduo, eu tenha de utilizar uma autonomia completa que não me pertence.
Não quero me desgarrar do sentimento para poder, enfim, mencioná-lo, tampouco.
Uma quimera que me realizasse os sonhos em troca da abdicação de ser o personagem que escolhi ser.
Para Rafa
quarta-feira, 4 de junho de 2008
INRI cresceu do lado de lá
Tudo seria poesia naquele chão de papel. Não, não, manchete não tinha. Sobre os cabelos, um véu. E sobre as imagens, as máscaras. Verde-vermelho a brilhar.
Se Deus não quisesse, não seria assim. Diria: “Não quero”, pra você e pra mim. Mas diante dos olhos, o mundo. Verde-vermelho a brilhar.
Pois desceu o grito e o muro e o nosso jardim.
Edson morto no chão.
Veja, meu bem, que surpresa. Atrás do muro, o mundo era cimento. E nesse mundo daí, não existia poesia.
Os bois rodearam Edson, morto no chão. Roda morta gira, gira?
A última ficha caiu. Com ela, as máscaras. E se juntaram ao Edson, morto, no chão.
Caíram as pétalas das coroas de flores da Gente Humilde.
Mas Deus não viu, não.
Tinha tarja preta no olho. E a censura no coração.
Para Chico Buarque.
terça-feira, 3 de junho de 2008
relações
3ª Crônica: The Horse and his boy, capítulo 11, última página:
"I was the lion". And as Shasta gaped with open mouth and said nothing, the Voice continued. "I was the lion who forced you to join with Aravis. I was the cat who comforted you among the houses of the dead. I was the lion who dorve the jackals from you while you slept. I was the lion who gave the Horses the new strength of fear for the last mile so that you should reach King Lune in time. And I was the lion you do not remeber who pushed the boat in which you lay, a child near death, so that it came to shore where a man sat, wakeful at midnight, to receive you"
nao sei se eu passei certo, mas podem perceber uma certa relação entre Deus, aquele amado dos cristãos e radicalizando um pouco, com aquela música do grande Raul, Gitã?
Sim, Lewis foi bem criticado por todos, inclusive por seu parceiro, Tolkien (que até o momento naão tinha criado Senhor dos Anéis), que o mandou uma carta, que resumindo, julgou que textos desse tipo, nada de interessante tinham.
As Crônicas de Nárnia podem parecer filminhos bobos, livros infantis, mas tem uma história, tem um contexto, no qual a infantilidade se torna o sentimento mais maduro que qualquer um pode ter. A imaginação colore o mundo, o mundo é aquele que o conreto domina, que o abstrato está cada dia com menos expressão.
A relação, acho que está meio clara, no qual o leão, no caso Aslam, é Deus, tem atitudes da música de Raul e pode ser retratada nesse livro, no qual eu gosto muito. A intenção de Lewis era mostrar um mundo perfeito, talvez? Ou o céu, ou aquele que nunca nso pertenceu, no qual só chegam os selecionados? Ou ele é um Gitã da vida (Eu sou as coisas da vida, eu sou o medo de amar (...), eu sou o início, o fim e o meio?)
Espero não ter sido chata, nem infantil.
"pega uma cachaça e um automóvel, é uma das coisas mais sem graças de que eu ja ouvi falar"
vou em uma lambretinha descobrindo os problemas inexistentes!
Oh! lambretinha querida. ela que me levou em cada canto latino, em cada tristeza brasileira.
A lambretinha me levou a argentina, bolívia, paraguai, e eu nao achava o meu lugariznho, o meu cantinho latino anglo-saxônico.
nao sei se é em outro mundo, ou se esse texto é uma resposta de meu pensamento, dos meus livros ou da minha lambretinha.
é, ainda nao resolvi onde é esse meu lugariznho. lugariznho, ele é pequeno, ele é distante. só quero saber como é que eu vou parar nele, a lambretinha nao aguenta...
ah lugarzinho, por que surgiu na minha mente, como um queijo em minha vida?, é pra eu ser um ratinho? oh lugarzinho, encontrarei um lugar para descansar, sem contar com os meu problemas?
oh lugariznho! seria você a copa de uma árvore, ou um prato de feijão, ou o sertão nordestino?
O lugariznho me deixa com dúvidas de todas as certezas e incertezas da minha vida.
no começo, eu só queria um lugar para descansar, agora me questiono simplesmente se minha lambretinha aguenta. (agora entra aquela música 'movido a alcool')
as duvidas continuam, assim como a lambretinha.
se eu achei meu lugarinho? Talvez
se eu fui feliz? Talvez
Mas sei, um dia agradecerei pela existência de uma lambretinha. que, me trouxe certezas e incertezas, mas que um dia me fez feliz !
A nova religião - trecho
- Debaixo das grandes roupas e armações, todos corpos estão nus. Debaixo da pele nenhum pulsa igual, mas são todos corações aqueles que bombeiam. Então uni-vos, pois teu sangue é o sangue dele e mesmo em alma os dedos se entrelaçam.
obs.: pequeno trechinho de uma história em desenvolvimento.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Imaginação
Desperta a consciência
e a ciranda girando...
Ondas suspensas no ar
Ferem o silêncio
e a ciranda girando...
Girando lá fora
E alguém que vê de fora
Só foge porque mora
Nos seios da imaginação
Deita sonhando no colo sem chão
domingo, 1 de junho de 2008
Mary, a Imortal
ele disse volte logo, eu te amo, eu também
Me conte seu segredo, Mary, o que há depois do chão?
Quarenta e três velhas bonecas de cetim e de algodão.
Louca, louca, louca como uma pena
Mary flutua em paralelepípedos de cristal.
No céu só brilham as estrelas de cinema
mas quando vem o sol é só Mary a imortal
Um Desastre Iminente
Um manifesto pelo bem daquilo que amo, porque sem ela você sabe o resto!
sábado, 31 de maio de 2008
Diários de observação. Parte I.
Olhe os velhinhos... Decidindo o humor em dependência do tempo. Não estão errados. Sem sol, todas as ruas são escuras. Eles que sabem, no final. Um dia terei coragem tirar os óculos escuros. Será? Serei.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Por quê?
Não, de verdade. É apenas um ato sádico nos colocar no mundo? Para depois estender a mão, dar uma piscadela e dizer: "É isso aí, meu chapa. Acabou."?
Perdão pela blasfêmia, sindicados dos seres humanos à parte, mas religião deveria no mínimo reconfortar. Dar a mão depois de dar o tapa? Vai entender. Se o nariz saiu muito torto, Gepeto, foi você quem fez.
Chega desse eterno "expressar da subjetividade" através de metáforas. Vamos ser objetivos, sim? Não quero renascer coisíssima nenhuma. O botão da rosa que me desculpe, mas só desejo crescer com a mesma impressão na identidade.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Sobre o Casaco
- Dá pra atende o telefone?!
Sentado na cadeira, na frente do PC, ouvindo Led Zeppelin, conversando no Skype, tomando um Toddy, olhando seu wallpaper estrelado e de fone de ouvido.
- Será que não é possível viajar só por 5 minutos?!
Ciranda de Pedra
Com um sopro livrou-se do levíssimo fardo e caiu de costas no sofá. Contemplou o livro que capítulo a capítulo era destruído na sequência da novela. Falas longas demais, pensamentos muito pequenos. Acharam um novo modo de queimar as fadas na Inquisição. Através de uma maçã envenada ou espartilho de Branca de Neve, eles sempre venciam depois do para sempre.
Segurou o controle remoto e impulsivamente apertou todos os botões. Ligou. Imediatamente emergiram as lágrimas que não manchavam maquiagem, as cabeças e cabelos endurecidos. Fechou os olhos e assim permaneceu encarando-os até o fim.
Eles não deram a mínima.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
É
domingo, 25 de maio de 2008
Sinceramente
Então você me pergunta: e se colocassem uma câmera na sua cozinha?
Bem, querido curioso, eu acharia uma delícia. Você também acharia. Nós dois poderíamos nos maravilhar com os pães italianos, queijos franceses e chocolates belgas. Eu com o paladar e você com a visão. Não daqueles em promoção no mercado! Daqueles importados. Especialmente para mim.
Agora, e quanto ao quarto? Ótimo questionamento. Já dizia minha boa avó, se quer conhecer uma pessoa esqueça a mente, vá ao armário. E no meu você vai encontrar os produtos mais atuais em quesito de máscaras faciais, perfumes. Roupas que mantém a coluna erguida. Lentes de contato.
Sinceramente? Se tivessem colocado câmeras comuns na minha casa, eu não teria me importado. Sou muito maior que isso. Mas não foi o que fizeram. O que fizeram foi instalar um aparelho pior. Desconhecido e desconcertante.
No meio da noite fui acordada por aquela besta mecânica. Desrespeitando minhas oito sagradas horas de sono e todas as onze de trabalho que viriam a seguir, ela me assustou com seu frenético processar de dados adquiridos. Então, me embebedou de horror com as imagens armazenadas e fez com que eu caísse com os braços em formato de cruz sobre a cama.
“Pois é”, disse a voz triste da máquina, enquanto eu ainda pensava em como faria para me levantar. “Então quer dizer que você envenenou as orquídeas dos próprios vizinhos”.
“E a questão não foi nem inveja... Você mal se importava com o próprio jardim. Tudo, e veja bem que patético, foi o ciúme da relação de uma pessoa com uma planta. Você não vale nem isso para uma amizade. Você é pior que uma planta. Uma planta. Que vida. Que vida, hem?”
“E sua comida? Você manda vir diretamente para casa. Ainda é o medo de freqüentar lugares públicos? Pudera. Você sabe melhor que ninguém que o medo não é se misturar com os outros, mas que os outros não queiram se misturar com você. Bonito, tão bonito.”
Achei e apertei o objeto na tentativa de quebrá-lo. No entanto, quanto mais o apertava, mais ele falava. Quanto mais o atingia, mais dor eu sentia.
Finalmente adormeci, exausta.
O som tic-e-tac de um objeto que nem sempre se parecera um relógio me enlaçou, mas nenhuma das duas mãos ousou, qualquer dia a seguir deste, sair de cima do pulsante e reprimido peito esquerdo.
sábado, 24 de maio de 2008
Uma Historia de Passarinho
Um dia cheguei em casa e vendo aquela maldita galinha ciscando meu caderno e só parecendo cada vez mais com o que ela já se mostrara, me trouxe uma fúria súbita, agarrei o pescoço da ave e apertei até a pobre perder todas as penas, depois juntei todos os restos e joguei no lixo.
Mas não é que aquela ave viria me atormentar de novo! Um dia quando estava sem fazer nada em casa eu vi que como uma fênix de papel a ave voltara, dessa vez sob uma forma de gavião! E que gavião! Penas negras, garras afiadas, olhos aguçados! Apenas um pequeno detalhe: na ultima estrofe, lá no último verso, eu vi que sua perna estava quebrada. Que pena eu tive da pobre ave, tão bela, tão imponente, mas não pode existir uma ave de caça que por culpa da pata quebrada dependa do dono, um gavião tem de viver sozinho e este morreria com a tal da pata quebrada. Tentei consertar a pata, mas gavião não foi feito para ter auxilio do dono. Coitado, tive de matá-lo.
Passei um bom tempo chorando por meu belíssimo gavião, mas quando eu menos esperava ele reapareceu e queimando se transformou em um passarinho de estimação, um pequenino periquito.Não era grande coisa, pequenino, não muito bonito, poucas penas, bico curto, olhos pequenos...mas acabei criando por ele um certo carinho. Não tive dúvida, comprei uma folha de papel e botei o periquito nela.
espinhos
Beleza;
da mais pura e artificial, da mais bela e superficial.
Onde moram as mentes mais insanas e perigosas, onde moram as gordas poupanças de dinheiro. Me deparo com rostinhos bonitos, que não tem nada, além de uma bela aparência rosada com as pétalas de dinheiro que sai dos bolsos de seus pais. Estas belezas expressam o pior tipo de espinho de uma rosa negra, que chama atenção, que exala beleza por cada espinho, que atinge aos poucos todos os amores e sentimentos de seus amados, de seus amantes.
A rosa negra exala beleza por seu jeito único de ser, por serem mentes fracas, porém amadas. Elas conseguem o que querem, elas têm o que querem, nunca tiveram dificuldades, não iriam entender o próximo, se nem entendem a elas mesmas. É difícil entender aquele "vô chato" da esquina que pede para elas pararem com a musica alta. Há um ar de sofrer de pura indignação! Onde já se viu? É a banda do momento! Onde já se viu? Agora é proibido música alta?
Provocá-las não pode, elas são intocáveis, usam máscaras de ferro, escondem os sentimentos, menosprezam os outros. De tato esconder, já perderam os sentimentos,a moral, a razão. O que ganharam? Entendimento delas mesmas?
Quando menos tentam entender quem são, mais superficiais ficarão, ignorando aquele pobre senhor, que um dia teve felicidade, que um dia viveu, que hoje pede dinheiro na praça, para um trocado para um pão.Em troca, recebe espinhos, ignoram os fatos que as circundam, acreditando na sua própria existência, somente nela. Ou ignorando aquela pessoa que não tem as mesmas atitudes que ela e nem anda conforme elas esperavam.Essa pessoa está errada,ela não vive, ela não sente! (essa pessoa provavelmente tem uma moral estabelecida ainda, no mínimo).
Sua rotina tediante as torna viva na hora de armar um escândalo para cada catástrofe que passam, como quebrar uma unha, ou, não receberam o presente que um dia as comprariam. Freqüentar o melhor salão da cidade é o mínimo o dever dela, passar tardes e tardes em tal lugar perdendo tempo, ganhando ferro...
...
O que se tornarão?
O que eu me tornei?
Bem, o que estas pessoas se tornarão, só elas sabem, mas com certeza, eu me tornei um ser hipócrita, ou uma vó chata, que um dia se arrependerá de cada palavra dita, de cada emoção sofrida um dia pela imagem que a rosa negra passa pelos seus espinhos.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Conversa
Entende... Sei que entende.
Mas você entende isso, querido? Entende que a loucura explicada já não é mais loucura, mas é charme de gente culta? Entende que isso está me deixando morta de raiva, porque todos dizem que fico efusiva demais em dias assim?
Ah, mas tem sangue correndo nas minhas veias, passeando através de cabinhos pelo cérebro! E isso, não é efusivo? A vida por si só não é efusiva?
Qual diabo a morte. O assunto do descanso já me cansou tanto que perdeu o sentido.
Eu amo escrever sobre isso, sabia? Sempre elogiam tanto. Eles amam. Eles amam a insanidade quando não é física e está bem quietinha no papel. Caso contrário, ah, mas que efusiva! São loucos, eles. Isso sim.
Esses Kafkas, esses Poes. Estão todos na segunda leva do romantismo. Mas ficavam loucos da vida quando dizíamos isso. Porque não queriam que lhes déssemos nome, isso não. Ficavam tão bravos que nome parecia ser a única coisa que importava.
Como você sabe?, ele perguntou.
Ah, ah. Era assim com música, os músicos, e de música meu amigo entende (já posso assegurar que eu não entendo de nada).
E por que tem que ser assim com literatura?
Quantas perguntas, quantas perguntas.
Essencial, caro. Porque a música e a literatura estão ligadas por um ponto crucialíssimo: o ser humano.
Você entende? Me entende?
“Claro que entendo. Já passei por isso.”.
Somos tão charmosos, querido. Só falta um retrato em preto e branco e um cigarro. Clarice, Clarice. Uma idiota. Mas era tão charmosa.
Falar de charme te lembra algo erótico demais? Qual! Estamos no auge da sexualidade na escrita. Falar “sexo” ficou tão charmoso. Acho bonito, acho bonito. Só pensamos em sexo mesmo. A literatura não podia estar mais certa.
Não fique bravo, não quero que pense mal de mim. Sei que na sua imagem eu sou tão boa nesse sentido. Recatada até. Gosto muito da imagem que você tem de mim. Gosto tanto que ao colocá-la no álbum, junto às imagens que outras pessoas têm, reservarei uma página só para ela.
Mas querido, se lembre: eu sou tão ruim quanto você é. Porque somos seres humanos. E só nós dois sabemos o quão mal pode ser isso.
Rosana
obs: Oba. Primeiro heterônimo. Mais conhecido como heterônimo das extremidades.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Um certo melhor amigo
E é claro que foi a pergunta mais tola que ele já me fez: como poderia não me lembrar? Ainda que minha memória se esvaísse da noite pro dia, de modo que eu não soubesse nem mesmo qual era meu nome, reconheceria naquele rapaz o meu Quim. É simplesmente mais do que alguns fatos. Meus sentimentos se confundem com as lembranças que eu tenho, e mesmo que elas fossem embora, os sentimentos ficariam, eu sei.
Mas me lembro de cada segundo de nossas vidas. Uma coisa tão boba e sem sentido. E ainda assim, uma coisa que eu amo.
É incrível como somente bobagens assim conseguem atingir o nível do sublime, ainda que pareçam, ainda que sejam medíocres. Afinal, são coisas que amo.
Penso nos nossos tempos de criança e miro aquilo que nos tornamos. Estamos juntos há tanto tempo! E por mais que eu queira sair, me libertar, conhecer o mundo e viajar, sei que poderei sempre voltar. E quando o fizer, será pra ele, pois estamos tão unidos que me sinto como se fosse ele o meu lar.
É toda a minha certeza nesse mundo: um garoto magrelo e desengonçado como todo magrelo deve ser, um menino-homem, um amigo amor que eu chamo de Quim, de Quin-dim, o meu querido Joaquim.
(Cata)
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Linhas tortas
"Vou escrever com a mão esquerda hoje"
Só que Deus era destro, e só sabia escrever direito, com todos os circunflexos e agudos no lugar devido, com tudo perfeitamente arranjado.
Neste dia, criaram aquela expressão "Deus escreve certo por linhas tortas".
E assim nasceu o ser humano.
O país sem face
No meu jornal estava escrito que finalmente o ouro passou por cima da lingua, que nós estamos tão perdidos que nem vimos isso. Disse que até mesmo os portugueses, tão defensores desta língua tão bela, tão diferente em cada canto, desistiram quando viram os navios de novo abarrotados de açucar e café.
Guimarães, Machado e Vínicius que sejam lembrados, porque agora, não virá mais nada.
Descendencia que não nos orgulhamos, lingua que temos vergonha, matamos os índios, afogamos yemanjá, unificamos o portugues, aprendemos ingles, quebramos nossas violas, compramos novas guitarras, destruimos o verdadeiro carnaval, desinventamos o samba. A troco de quê? Me pergunto: A troco de quê?
sábado, 17 de maio de 2008
O Caderno
Desenhos sem sentido, rabiscos, uma palavra perdida, uma frase encontrada, uma mancha de caneta, um poema, uma folha em branco, uma folha rasgada. Um sonho, um pensamento, seus olhos, sua dor, seus medos, suas alegrias, seus sonhos...
O caderno era sua vida atrasada. Ou a vida seria o caderno atrasado?
As páginas novas do caderno apagavam as páginas velhas, que perdiam o sentido. Mas um caderno não se apaga, pode-se arrancar uma folha ou tentar apagar um pedaço ou outro, mas ainda fica as marcas que sobraram, uma folha arrancada é uma folha faltante. Um caderno segue até a última página, aí ele acaba.
O homem olhou para o caderno. A vida é assim? Ela acabará quando não tiver mais páginas para escrevê-la? Estou no meio de uma história que o propósito é chegar a um fim? Não posso fugir daquilo que já foi(ou será) escrito? Jogou o caderno na lareira, quem manda na minha vida sou eu.
Saúde
Sal? Hipertensão
Carne? Ataque Cardíaco
Frutas? Diabetes(de novo)
Cerveja? Cirrose
Cigarro? Cancer
Café? Cancer
Doces? Cáries
Se for pra viver sem nada disso prefiro que me dêem um tiro de uma vez.
melhor viver pouco com uma vida doce e salgada do que viver muito à pão e água.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Contradição
Coloco um chapéu na cabeça e um charuto na boca. Ei, querido, a noite é uma criança já faz duzentos anos. Então cale a boca e encare a contradição. Poesia que é poesia não se faz com lápis na mão.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Questão de vida ou morte
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Desequilíbrios da idade
Tudo teria ido tão bem se naquele outubro, há dez anos, ela não tivesse zerado a prova de física.
