sábado, 27 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Soneto da música pop recém-composta
bolo
encanto
rolo
pranto
chora
imbecil
bora
senil
três
versos
burguês
reversos
talvez
encanto
rolo
pranto
chora
imbecil
bora
senil
três
versos
burguês
reversos
talvez
universos
terça-feira, 16 de junho de 2009
O Fardo
Os olhos estavam pregados às olheiras negras que passavam por noites mal dormidas e por manhãs mal acordadas, dentro do passado e do presente que às vezes sobressaíam sobre o mundo quando os olhos se abriam, mostrando duas velas quase apagadas, como se fosse o último dos sétimos dias. Via assim o pássaro e o avião passando pelo vermelho sangue do céu azul.
Nos braços desnudos carregava histórias escritas sobre a pele, debaixo das mangas rasgadas do espectro que já foi uma vida. Ainda é a vida, tenta se convencer colocando um casaco sobre as
feridas já saradas há tanto tempo, mas que insistem em aparecer para ele.
Volta as mãos sobre a pilha de objetos que se avolumam à sua frente, escolhe alguns, passa a mão, sente o objeto para si e deposita dentro do saco que carrega nas costas. Coloca a mão sobre outro objeto, sente com as mãos, depois com os olhos, com o nariz e com a alma, que subsiste no crucifixo de prata que apanhou tempos atrás. O mais difícil é escolher algo que não lhe interesse.
Depois desse lento processo de vasculhar, ver, tocar, sentir, engolir, amembrar a seu corpo, começa um caminhar penoso com o fardo nas costas. Subindo morros, descendo, entrando em vielas,
bueiros, bocas de lobo, avenidas, túneis, viadutos, passando e vindo por onde as pessoas não andam, procurando pelo esquecido e pelo não querido.
Encontra em seu caminho chupetas, abraços, o primeiro brinquedo, os sonhos, de creme e de chocolate, o primeiro algodão doce (que era uma nuvem no palitinho), fotos, engatinhadas, cheiros, roupas, beijos, palavras, cachorro, caminhadas, linhas, cadernos, bicicletas, dias de aula, sessões de cinema, beijo, cartas, abraços, viagens, namoradas, faculdades, trabalho, aliança, casa, fotos, abraços, adeus.
Vai pegando tudo que encontra, guarda no saco e carrega este fardo pelas ruas cada vez mais escuras e vazias. Suando, tossindo, sentindo o peso do esquecido, o peso do não querido, segue. Morre, levanta, continua. Já não se preocupa com faixas de trânsito e anda pelo meio da rua entre buzinadas e freadas, rindo. É um tango entre ele e a vida, mas seu caminho continua, aumentando o fardo aos poucos. E sua e tosse e ri; os carros como insetos, desviam dele como se algo os impedisse de atropelá-lo. Assim vai passando e engolindo a cidade aos poucos, porém ela lhe responde a súplica de afogado.
Encontraram depois apenas uma sacola e, dentro dela, uma criança viva.
(Demorei tanto pra corrigir esse texto que achei que deveria postar de novo)
Nos braços desnudos carregava histórias escritas sobre a pele, debaixo das mangas rasgadas do espectro que já foi uma vida. Ainda é a vida, tenta se convencer colocando um casaco sobre as
feridas já saradas há tanto tempo, mas que insistem em aparecer para ele.
Volta as mãos sobre a pilha de objetos que se avolumam à sua frente, escolhe alguns, passa a mão, sente o objeto para si e deposita dentro do saco que carrega nas costas. Coloca a mão sobre outro objeto, sente com as mãos, depois com os olhos, com o nariz e com a alma, que subsiste no crucifixo de prata que apanhou tempos atrás. O mais difícil é escolher algo que não lhe interesse.
Depois desse lento processo de vasculhar, ver, tocar, sentir, engolir, amembrar a seu corpo, começa um caminhar penoso com o fardo nas costas. Subindo morros, descendo, entrando em vielas,
bueiros, bocas de lobo, avenidas, túneis, viadutos, passando e vindo por onde as pessoas não andam, procurando pelo esquecido e pelo não querido.
Encontra em seu caminho chupetas, abraços, o primeiro brinquedo, os sonhos, de creme e de chocolate, o primeiro algodão doce (que era uma nuvem no palitinho), fotos, engatinhadas, cheiros, roupas, beijos, palavras, cachorro, caminhadas, linhas, cadernos, bicicletas, dias de aula, sessões de cinema, beijo, cartas, abraços, viagens, namoradas, faculdades, trabalho, aliança, casa, fotos, abraços, adeus.
Vai pegando tudo que encontra, guarda no saco e carrega este fardo pelas ruas cada vez mais escuras e vazias. Suando, tossindo, sentindo o peso do esquecido, o peso do não querido, segue. Morre, levanta, continua. Já não se preocupa com faixas de trânsito e anda pelo meio da rua entre buzinadas e freadas, rindo. É um tango entre ele e a vida, mas seu caminho continua, aumentando o fardo aos poucos. E sua e tosse e ri; os carros como insetos, desviam dele como se algo os impedisse de atropelá-lo. Assim vai passando e engolindo a cidade aos poucos, porém ela lhe responde a súplica de afogado.
Encontraram depois apenas uma sacola e, dentro dela, uma criança viva.
(Demorei tanto pra corrigir esse texto que achei que deveria postar de novo)
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