sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Já era tarde
tarde demais pra amar
tarde demais pra sonhar
andava nas ruas sozinha
minha cabeça doía
mas você não estava ali pra me ajudar
já era tarde, e a noite caía

Ainda é cedo
ainda é cedo pra se preocupar
as histórias se cruzavam no olhar


Mas que olhar?! Ele ficou perdido no ar

Mas ainda é cedo, me olho no espelho
e vejo o mesmo rosto que a amou

O adeus já se aproximava você se perdeu no luar

As estrelas revelam que o amor não se perdeu

O amor ficou com elas.

Ainda é cedo

Já é tarde

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sem Título(ainda)

Absolutamente nada:

É só isso que vejo,

Quando abro um jornal,

Quando a televisão se liga.


Quer saber?

Não quer?

Te digo do mesmo jeito:

Uma merda é isso que é.

Necessário dizer isso, uma merda.


Ainda não vejo absolutamente nada.

Estarei cego?

Não,

Os cegos não vêem porque não podem,

Sou um cego que não vê porque pode.


Assim, não entendeu, quer que eu desenhe?


Quando vou dormir tenho só um sonho,

Todo dia, que me persegue como o outono(veja, uma rima):

O dia em que eu irei dormir e finalmente perceba,

Que depois de tanto tempo acordado, eu consegui sonhar

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Encontrei em mim um dia
Um certo estandarte
Atrás de toda arte
Em cima do céu vermelho
Atrás da igreja
Em frente ao palácio,
Quando não via mais nada
Dos olhos, cinzas fumaças,
E os carros parados
Os vidros fechados
Duros, malditos, incautos
Períodos e paradoxos
E rimas.
Incautos.
De aço e vidro, sou.
Buzinas e semáforos
Musas de plástico
Os prédios e muros
Lâmpadas elevadas ao sol
E o céu saído sobre um copo
Enraizando meus pés à cama
Enquanto vejo não vejo
Estou, não sou
E o relógio não passa
Espelho quebrado
Da janela do carro.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O Fardo.

Os olhos estavam pregados as olheiras negras que passavam por noites mal dormidas e por manhãs mal acordadas, dentro do passado e do presente que às vezes sobressaltavam sobre o mundo quando abria os olhos, mostrando duas velas quase apagadas, como se fosse o ultimo dos sétimos dias. Via assim o pássaro e o avião passando pelo vermelho sangue do céu azul.

Nos braços desnudos carregava histórias escritas sobre a pele, debaixo das mangas rasgadas do espectro que já foi uma vida. Ainda é a vida, tenta se convencer colocando um casaco sobre as feridas já saradas a tanto tempo, mas que insistem em aparecer para ele.

Volta as mãos sobre a pilha de objetos que se avolumam a sua frente, escolhe alguns, passa a mão, sente o objeto para si e deposita dentro do saco que carrega nas costas. Coloca a mão sobre outro objeto, sente com as mãos, depois com os olhos, com o nariz e com a alma, que subsistia sobre o crucifixo de prata que apanhara tempos atrás. O mais difícil é escolher algo que não lhe interesse.

Depois desse lento processo de vasculhar, ver, tocar, sentir, engolir, amembrar a seu corpo, começa um caminhar penoso com o fardo nas costas. Subindo morros, descendo, entrando em vielas, bueiros, bocas de lobo, avenidas, túneis, viadutos, passando e vindo por onde as pessoas não andam, procurando pelo esquecido e pelo não querido.

Encontra em seu caminho chupetas, abraços, o primeiro brinquedo, os primeiros sonhos, de creme e de chocolate, o primeiro algodão que era nuvem em um palitinho, as primeiras fotos, engatinhadas, roupas, beijos, palavras, cachorro, caminhadas, linhas, cadernos, bicicletas, dias de aula, sessões de cinema, beijo, cartas, fotos, adeus, abraços, viagens, namoradas, faculdades, trabalho, aliança, casa, fotos, abraços, adeuses.

Vai pegando tudo que encontra e guardando no saco e vai carregando este fardo pelas ruas cada vez mais escuras e mais vazias. Suava, tossia, era o peso do esquecido que lhe pesava, o peso do não querido. Morria, levantava, continuava.

Já não se preocupa com as faixas de tráfego e anda pelo meio da rua entre buzinadas e freadas, rindo, era um tango entre ele e a vida, mas continua sua jornada, vai aumentando seu fardo aos poucos e vai suando, tossindo e rindo. Os carros como insetos desviavam dele, como se algo os impedisse de atropelá-lo. Assim vai passando e engolindo a cidade aos poucos, porém a cidade lhe responde a súplica de afogado.

Encontraram depois apenas uma sacola e dentro dela, uma criança viva.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

"O Brasil não podia continuar colônia dos EUA. Nós eramos república das Bananas, bordel! O teatro tinha que ajudar nas tranformações. Como? 'Conscientizando' platéias populares! Quem faria a revolução? O povo! Quem o conscientizaria? Nós! Muito simples, meu caro Watson..."

"Foi assim, sonhando que muitos líderes foram mortos. O desejo de liberdade era tão grande, sincero, que não podiam ver o perigo dos rios,a inclemência da natureza, o poder de fogo do inimigo fardado"

Augusto Boal - preso, torturado e exilado durante a ditadura...