sexta-feira, 27 de novembro de 2009
A Aula de informática
Na forma de um relato desesperado escrevo esta prosa
A partir de agora poesia
decidi escrever em estrofes
Tal qual luz na intempérie da tempestade minha mente fulgura
não de inteligência, sobressalto
ou algo divino
Brilho com o desespero de uma chama que não quer ser apagada pela tempestade
que tudo oprime e subjuga
pra que raios no currículo de um médico
constam aulas de informática para crianças?
Na forma de um relato desesperado escrevo essa prosa, que deixou de ser poesia porque a maldita da vaca da professora me mandou desligar o computador.
Baseado em fatos reais
A partir de agora poesia
decidi escrever em estrofes
Tal qual luz na intempérie da tempestade minha mente fulgura
não de inteligência, sobressalto
ou algo divino
Brilho com o desespero de uma chama que não quer ser apagada pela tempestade
que tudo oprime e subjuga
pra que raios no currículo de um médico
constam aulas de informática para crianças?
Na forma de um relato desesperado escrevo essa prosa, que deixou de ser poesia porque a maldita da vaca da professora me mandou desligar o computador.
Baseado em fatos reais
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
édem(eu)
poderia eu ter nascido...
no jardim da alienação
onde todos os campos sao eliseos
toda flor é de plastico
e toda pretençao é poesia...
por lá onde não há hipocrisia
nao existe guerra para se temer
nem deusa para louvar
onde o céu é certo
a comida nao engorda,
o fumo não mata,
a droga não vicia,
e se é intocavel
onde se compreende tda
a dor,
a brisa,
o amor,
a vida
local erudito, no qual...
o toque, nada mais é que um toque.
a beleza nada mais é do que a face.
e o pensar é inútil, ninguem o fez, faz, ou mesmo fará
poderia eu ter nascido...
no jardim da alienação
onde todos os campos sao eliseos
toda flor é de plastico
e toda pretençao é poesia...
por lá onde não há hipocrisia
nao existe guerra para se temer
nem deusa para louvar
onde o céu é certo
a comida nao engorda,
o fumo não mata,
a droga não vicia,
e se é intocavel
onde se compreende tda
a dor,
a brisa,
o amor,
a vida
local erudito, no qual...
o toque, nada mais é que um toque.
a beleza nada mais é do que a face.
e o pensar é inútil, ninguem o fez, faz, ou mesmo fará
aqui jaz mais um poema de amor repetitivo;
MEU CÉU, MINHA TERRA, E MEU MAR (eu)
amor, nao tenha medo de chorar..
pois suas lagrimas
lacrimejam em meu mar
amor, nao tenha medo de amar..
pois seu lindos suspiros
perfumam meu ar
amor. deixe-me ve-la
cantar...
sorrir e dançar
ou aconchegar-te
ja que outros muitos
nao vao entender-te
viva, sorrindo
sentindo
ou sofrendo...
viva
com suas petalas
crio minha rosa-dos-ventos
com suas palavras meus mapas
e de tua euforia uma poesia
MEU CÉU, MINHA TERRA, E MEU MAR (eu)
amor, nao tenha medo de chorar..
pois suas lagrimas
lacrimejam em meu mar
amor, nao tenha medo de amar..
pois seu lindos suspiros
perfumam meu ar
amor. deixe-me ve-la
cantar...
sorrir e dançar
ou aconchegar-te
ja que outros muitos
nao vao entender-te
viva, sorrindo
sentindo
ou sofrendo...
viva
com suas petalas
crio minha rosa-dos-ventos
com suas palavras meus mapas
e de tua euforia uma poesia
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
O Fim
Fernando Sabino
Manuel Bandeira
Cada um do seu jeito
A última, o último
Questão de gênero?
Dedicatória final no meio de um livro final:
O papel é curto, viver é cumprido.
É e nem o mundo de papel, escorrendo pelos oceanos de cortazar
Infindáveis.
La Vie em Close - Hoje não obrigado, nem amanhã. Ontem sim, será bom.
“Os mortos governam os vivos”
Governam? Frase feita já dizia um lá.
Muito bonito esse negócio de acabar morrendo.
Se quiser pode até fingir isso: que morremos
Mas um Pessoa já não disse que somos cadáveres adiados?
Então os mortos governam os mortos?
Sem soluções no momento.
“deixe o quarto como está. Agora, está tudo pronto. Estamos prontos. Quer ir?”
É domingo, fim de tarde. Domingo tem cara de fim de tarde e fim de tarde de domingo tem cara de fim de semana, bem no primeiro dia da semana.
Esse poente, esse conhaque, o homem atrás dos bigodes, o gauche e o Raimundo, deixam a gente comovida como o diabo.
Manuel Bandeira
Cada um do seu jeito
A última, o último
Questão de gênero?
Dedicatória final no meio de um livro final:
O papel é curto, viver é cumprido.
É e nem o mundo de papel, escorrendo pelos oceanos de cortazar
Infindáveis.
La Vie em Close - Hoje não obrigado, nem amanhã. Ontem sim, será bom.
“Os mortos governam os vivos”
Governam? Frase feita já dizia um lá.
Muito bonito esse negócio de acabar morrendo.
Se quiser pode até fingir isso: que morremos
Mas um Pessoa já não disse que somos cadáveres adiados?
Então os mortos governam os mortos?
Sem soluções no momento.
“deixe o quarto como está. Agora, está tudo pronto. Estamos prontos. Quer ir?”
É domingo, fim de tarde. Domingo tem cara de fim de tarde e fim de tarde de domingo tem cara de fim de semana, bem no primeiro dia da semana.
Esse poente, esse conhaque, o homem atrás dos bigodes, o gauche e o Raimundo, deixam a gente comovida como o diabo.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
VOMITO;
Regorgitando palavras
may all life come to an end
may it come from the palm of my hand
may us watch as your holly being cries over your blood
may its tears wash away all corruption all god
shalt thee fall to its knees
me and all else watch its plead
shall it assume guilty of all
your sins, your mistakes hipocratic in bore
humanity worms
contorting, disrupting, destroying all joy
shalt my blessing represented in tackles
show nothing but mercy to your good old intentions
depravated
emancipated
may my hand free the world of you;
"love hate
hate love
anything can be loathed"
may all life come to an end
may it come from the palm of my hand
may us watch as your holly being cries over your blood
may its tears wash away all corruption all god
shalt thee fall to its knees
me and all else watch its plead
shall it assume guilty of all
your sins, your mistakes hipocratic in bore
humanity worms
contorting, disrupting, destroying all joy
shalt my blessing represented in tackles
show nothing but mercy to your good old intentions
depravated
emancipated
may my hand free the world of you;
"love hate
hate love
anything can be loathed"
sábado, 27 de junho de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Soneto da música pop recém-composta
bolo
encanto
rolo
pranto
chora
imbecil
bora
senil
três
versos
burguês
reversos
talvez
encanto
rolo
pranto
chora
imbecil
bora
senil
três
versos
burguês
reversos
talvez
universos
terça-feira, 16 de junho de 2009
O Fardo
Os olhos estavam pregados às olheiras negras que passavam por noites mal dormidas e por manhãs mal acordadas, dentro do passado e do presente que às vezes sobressaíam sobre o mundo quando os olhos se abriam, mostrando duas velas quase apagadas, como se fosse o último dos sétimos dias. Via assim o pássaro e o avião passando pelo vermelho sangue do céu azul.
Nos braços desnudos carregava histórias escritas sobre a pele, debaixo das mangas rasgadas do espectro que já foi uma vida. Ainda é a vida, tenta se convencer colocando um casaco sobre as
feridas já saradas há tanto tempo, mas que insistem em aparecer para ele.
Volta as mãos sobre a pilha de objetos que se avolumam à sua frente, escolhe alguns, passa a mão, sente o objeto para si e deposita dentro do saco que carrega nas costas. Coloca a mão sobre outro objeto, sente com as mãos, depois com os olhos, com o nariz e com a alma, que subsiste no crucifixo de prata que apanhou tempos atrás. O mais difícil é escolher algo que não lhe interesse.
Depois desse lento processo de vasculhar, ver, tocar, sentir, engolir, amembrar a seu corpo, começa um caminhar penoso com o fardo nas costas. Subindo morros, descendo, entrando em vielas,
bueiros, bocas de lobo, avenidas, túneis, viadutos, passando e vindo por onde as pessoas não andam, procurando pelo esquecido e pelo não querido.
Encontra em seu caminho chupetas, abraços, o primeiro brinquedo, os sonhos, de creme e de chocolate, o primeiro algodão doce (que era uma nuvem no palitinho), fotos, engatinhadas, cheiros, roupas, beijos, palavras, cachorro, caminhadas, linhas, cadernos, bicicletas, dias de aula, sessões de cinema, beijo, cartas, abraços, viagens, namoradas, faculdades, trabalho, aliança, casa, fotos, abraços, adeus.
Vai pegando tudo que encontra, guarda no saco e carrega este fardo pelas ruas cada vez mais escuras e vazias. Suando, tossindo, sentindo o peso do esquecido, o peso do não querido, segue. Morre, levanta, continua. Já não se preocupa com faixas de trânsito e anda pelo meio da rua entre buzinadas e freadas, rindo. É um tango entre ele e a vida, mas seu caminho continua, aumentando o fardo aos poucos. E sua e tosse e ri; os carros como insetos, desviam dele como se algo os impedisse de atropelá-lo. Assim vai passando e engolindo a cidade aos poucos, porém ela lhe responde a súplica de afogado.
Encontraram depois apenas uma sacola e, dentro dela, uma criança viva.
(Demorei tanto pra corrigir esse texto que achei que deveria postar de novo)
Nos braços desnudos carregava histórias escritas sobre a pele, debaixo das mangas rasgadas do espectro que já foi uma vida. Ainda é a vida, tenta se convencer colocando um casaco sobre as
feridas já saradas há tanto tempo, mas que insistem em aparecer para ele.
Volta as mãos sobre a pilha de objetos que se avolumam à sua frente, escolhe alguns, passa a mão, sente o objeto para si e deposita dentro do saco que carrega nas costas. Coloca a mão sobre outro objeto, sente com as mãos, depois com os olhos, com o nariz e com a alma, que subsiste no crucifixo de prata que apanhou tempos atrás. O mais difícil é escolher algo que não lhe interesse.
Depois desse lento processo de vasculhar, ver, tocar, sentir, engolir, amembrar a seu corpo, começa um caminhar penoso com o fardo nas costas. Subindo morros, descendo, entrando em vielas,
bueiros, bocas de lobo, avenidas, túneis, viadutos, passando e vindo por onde as pessoas não andam, procurando pelo esquecido e pelo não querido.
Encontra em seu caminho chupetas, abraços, o primeiro brinquedo, os sonhos, de creme e de chocolate, o primeiro algodão doce (que era uma nuvem no palitinho), fotos, engatinhadas, cheiros, roupas, beijos, palavras, cachorro, caminhadas, linhas, cadernos, bicicletas, dias de aula, sessões de cinema, beijo, cartas, abraços, viagens, namoradas, faculdades, trabalho, aliança, casa, fotos, abraços, adeus.
Vai pegando tudo que encontra, guarda no saco e carrega este fardo pelas ruas cada vez mais escuras e vazias. Suando, tossindo, sentindo o peso do esquecido, o peso do não querido, segue. Morre, levanta, continua. Já não se preocupa com faixas de trânsito e anda pelo meio da rua entre buzinadas e freadas, rindo. É um tango entre ele e a vida, mas seu caminho continua, aumentando o fardo aos poucos. E sua e tosse e ri; os carros como insetos, desviam dele como se algo os impedisse de atropelá-lo. Assim vai passando e engolindo a cidade aos poucos, porém ela lhe responde a súplica de afogado.
Encontraram depois apenas uma sacola e, dentro dela, uma criança viva.
(Demorei tanto pra corrigir esse texto que achei que deveria postar de novo)
domingo, 31 de maio de 2009
Tinha Cabelos...
Tinha cabelos, quem sabe, olhos bonitos à sua maneira, um nariz, uma boca, muito provavelmente, orelhas, seios, nádegas, fígado, rins, pâncreas...E via aquele sujeito. Velho desamparado, a figura dos cortes que o tempo faz à face. Carregava consigo apenas as roupas do corpo.
- Quem é você? – perguntou a mulher.
- Sou tua resposta.
- O quê?
- Deus, se quiser colocar nessa simplória palavra.
Fazia sentido, não entendia de todo, mas fazia, como se soubesse desde que vira o sujeito sentado no banco da praça instantes atrás.
Deus colocou as mãos junto as dela, trazendo uma segurança que não sentia desde que era criança, de todo sentia como se fosse de novo uma criança e tudo estivesse seguro sob uma redoma de futuro. Deus foi chegando mais perto, trouxe as mãos para a face, aproximou sua própria e deu um beijo. Ela não reagiu, deixou-se levar como numa onda que lhe carregasse pelo mar por toda a eternidade, afinal, navegar não é preciso?
“O homem criou a mulher, com o que afinal? Com uma costela do seu deus, de seu ideal” - Friedrich Nietzsche
- Quem é você? – perguntou a mulher.
- Sou tua resposta.
- O quê?
- Deus, se quiser colocar nessa simplória palavra.
Fazia sentido, não entendia de todo, mas fazia, como se soubesse desde que vira o sujeito sentado no banco da praça instantes atrás.
Deus colocou as mãos junto as dela, trazendo uma segurança que não sentia desde que era criança, de todo sentia como se fosse de novo uma criança e tudo estivesse seguro sob uma redoma de futuro. Deus foi chegando mais perto, trouxe as mãos para a face, aproximou sua própria e deu um beijo. Ela não reagiu, deixou-se levar como numa onda que lhe carregasse pelo mar por toda a eternidade, afinal, navegar não é preciso?
“O homem criou a mulher, com o que afinal? Com uma costela do seu deus, de seu ideal” - Friedrich Nietzsche
segunda-feira, 11 de maio de 2009
flor
logo lá, tao longe
ja nem sei mais onde..
reside a flor alienada
com seus olhos sonhadores pairando incertos
a mais bela das flores
sempre tao intocavel
se dista tanto de seu amor
remanece , permanece, sozinha com os vencedores
flor, que de tua haste so me restam teus espinhos
nem teu vento nem teu vinho
os meus afetos
nao te afetam
óde a flor!
que tuas petalas
belas como estrelas
que de linhas certas e incertas
escreve minha estoria
tire-me dessa noia,
prive-me do tão obvil,
me deixe esquecer..
as flores
flor que nao ve aqueles fatos
para mim tao claros fatos
tao obvios como aplausos dos ignorantes
a incerteza esperançosa corajosa e incerta de ter-lhe algum dia sustenta-me
logo lá, tao longe
ja nem sei mais onde..
reside a flor alienada
com seus olhos sonhadores pairando incertos
a mais bela das flores
sempre tao intocavel
se dista tanto de seu amor
remanece , permanece, sozinha com os vencedores
flor, que de tua haste so me restam teus espinhos
nem teu vento nem teu vinho
os meus afetos
nao te afetam
óde a flor!
que tuas petalas
belas como estrelas
que de linhas certas e incertas
escreve minha estoria
tire-me dessa noia,
prive-me do tão obvil,
me deixe esquecer..
as flores
flor que nao ve aqueles fatos
para mim tao claros fatos
tao obvios como aplausos dos ignorantes
a incerteza esperançosa corajosa e incerta de ter-lhe algum dia sustenta-me
quinta-feira, 7 de maio de 2009
sou triste, outrora sou feliz
sou a dor, o amor
sou o alienado apaixonado
sou sortudo azarado
sou o pretérito, perfeito e imperfeito, indefinido, grosso e primitivo
sou a loucura atraz da propria beleza
sou o conjunto do nada
sou feliz, com minhas baixas vontades repentinas, pequenas e curtas felicicades falsas.
sou homem..
sou como você
nao sei que sou, ou mesmo se sou?
sou a dor, o amor
sou o alienado apaixonado
sou sortudo azarado
sou o pretérito, perfeito e imperfeito, indefinido, grosso e primitivo
sou a loucura atraz da propria beleza
sou o conjunto do nada
sou feliz, com minhas baixas vontades repentinas, pequenas e curtas felicicades falsas.
sou homem..
sou como você
nao sei que sou, ou mesmo se sou?
chat complicado
gabi entra na sala...
gabi diz:
oi, tudo bem? quer tc?
bochecha diz:
claro, pq nm
gabi diz:
quem eh vc??
bochecha diz:
eu sou eu, quem mais haveria de ser
gabi diz:
afff...
bochecha diz:
eu acho que a melhor pergunta a ser feita é.... '' qual é o seu nome ''
gabi diz:
tá bom, mais qual eh a diferença, a mesma coisa!
bochecha diz:
nao, veja bem... eu sou mais que o meu nome, imagine quantos carlos existem, ''quem é você'', tem significados muito abrangentes, muito subjetivos!
gabi diz:
entao vc eh carlos?
gabi diz:
*quer dizer, vc se chama carlos?
bochecha diz:
na realidade, eu me chamo carlos da silva, como muitos outros, eu poderia me chamar jorge que nao mudaria quem eu sou.... eu posso ter chamado jorge em outras vidas, ou terem me adotado e mudado meu nome de jorge, para carlos, nao se pode ter certeza de nada.
bochecha diz:
falando relativamente, se é que me entende...
gabi diz:
ta bom.
gabi diz:
tchau
gabi sai da sala...
gabi diz:
oi, tudo bem? quer tc?
bochecha diz:
claro, pq nm
gabi diz:
quem eh vc??
bochecha diz:
eu sou eu, quem mais haveria de ser
gabi diz:
afff...
bochecha diz:
eu acho que a melhor pergunta a ser feita é.... '' qual é o seu nome ''
gabi diz:
tá bom, mais qual eh a diferença, a mesma coisa!
bochecha diz:
nao, veja bem... eu sou mais que o meu nome, imagine quantos carlos existem, ''quem é você'', tem significados muito abrangentes, muito subjetivos!
gabi diz:
entao vc eh carlos?
gabi diz:
*quer dizer, vc se chama carlos?
bochecha diz:
na realidade, eu me chamo carlos da silva, como muitos outros, eu poderia me chamar jorge que nao mudaria quem eu sou.... eu posso ter chamado jorge em outras vidas, ou terem me adotado e mudado meu nome de jorge, para carlos, nao se pode ter certeza de nada.
bochecha diz:
falando relativamente, se é que me entende...
gabi diz:
ta bom.
gabi diz:
tchau
gabi sai da sala...
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Procurar o azul.
Procurar o azul.
Sonolento, seria um sonho?
uma alucinação. Seria a fuga? Ou apenas perturbação?
Poderia acabar.
o Caos não procura razões, encontra glândulas, e apêndices
a ilusão azul não cessará.
Sonolento, seria um sonho?
A alucinação com cara de sonho, não é justificativa, é causa
e efeito, o fim da sanidade, a loucura que irracionalmente procurava
o céu azul.
Sonolento, seria um sonho?
uma alucinação. Seria a fuga? Ou apenas perturbação?
Poderia acabar.
o Caos não procura razões, encontra glândulas, e apêndices
a ilusão azul não cessará.
Sonolento, seria um sonho?
A alucinação com cara de sonho, não é justificativa, é causa
e efeito, o fim da sanidade, a loucura que irracionalmente procurava
o céu azul.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Incompleto
Um dia São Paulo amanheceu sem prédio algum. Nos lugares onde antes se encontravam os edifícios, havia buracos enormes, como se de repente eles tivessem se aborrecido e resolvido dar umas voltas, deixando as cercas elétricas, as guaritas, os estacionamentos e carros nos terrenos. Quem estava na rua via uma imagem nunca vista antes: o horizonte se estendendo por toda à volta, como únicos intervalos às serras que circundam a cidade e de trás delas um sol nascendo por inteiro, não uma fração entrecortada pela janela da sala, ou pelos varais do vizinho.
Verdade que a visão não era bela, a cidade parecia uma boca que perdera todos os dentes. A população moradora das casas, que sempre fora contra os edifícios em prol das pequenas residências, percebeu isso e se reuniu para ver onde foram parar os prédios. Aqui faço uma pausa para uma pequena explicação: as pessoas que moravam em casas eram contra os prédios pelo caráter banal que tinham, eram como árvores enormes e cinzas que estão por todo o lado, enquanto suas casas eram pequenas criaturinhas sobrevivendo na selva de concreto, mas quando não havia mais selva alguma, as casas perderam completamente seu status. Sem falar no sol que agora batia diretamente nos jardins, fazendo com que se tornasse um ato desagradável a permanência nesses por longos períodos.
Verdade que a visão não era bela, a cidade parecia uma boca que perdera todos os dentes. A população moradora das casas, que sempre fora contra os edifícios em prol das pequenas residências, percebeu isso e se reuniu para ver onde foram parar os prédios. Aqui faço uma pausa para uma pequena explicação: as pessoas que moravam em casas eram contra os prédios pelo caráter banal que tinham, eram como árvores enormes e cinzas que estão por todo o lado, enquanto suas casas eram pequenas criaturinhas sobrevivendo na selva de concreto, mas quando não havia mais selva alguma, as casas perderam completamente seu status. Sem falar no sol que agora batia diretamente nos jardins, fazendo com que se tornasse um ato desagradável a permanência nesses por longos períodos.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Confianzas
(Juan Gélman)
se sienta a la mesa y escribe
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
y más: esos versos no han de servirle para
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo coma viva mejor
ni para enamorar a una le servirán
no ganará plata con ellos
no entrará al cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos
ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera a la lluvia lo mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
se sienta a la mesa y escribe
(Juan Gélman)
se sienta a la mesa y escribe
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
y más: esos versos no han de servirle para
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo coma viva mejor
ni para enamorar a una le servirán
no ganará plata con ellos
no entrará al cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos
ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera a la lluvia lo mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
se sienta a la mesa y escribe
sexta-feira, 3 de abril de 2009
.
"Aquilo que nós, actualmente, chamamos o mundo, é o resultado de uma quantidade de erros e de fantasias, que surgiram paulatinamente, durante toda a evolução dos seres orgânicos, se soldaram uns aos outros e, agora, nos são transmitidos por herança como tesouro acumulado do passado inteiro - como tesouro, pois o valor da nossa humanidade repousa sobre isso"
Humano, Demasiado Humano - Friedrich Nietzsche
Humano, Demasiado Humano - Friedrich Nietzsche
quarta-feira, 25 de março de 2009
A Máquina
A máquina invadiu a vila. O uniforme, a sujeira do tempo e a língua estranha eram o que tornavam um inimigo e não vários. As armas tinham o terrível poder de poder apagar a vida nos homens. Era o absurdo invadindo a pequena vila alemã; um aglomerado de verde e aço tomavam passagem pelo real: as pequenas ruas, as casas, as lojas, as crianças. Destruía provando que a realidade pode ser destruída, assim como o passado, pois ambos só se mantém através dos tijolos, estátuas e livros.
Nenhum homem na máquina era um homem, mas apenas parte do conjunto exército, inimigo. A máquina que desmonta o mundo periodicamente para lembrar aos homens de sua fraqueza.
Nos olhos de um garoto a imagem passava; o fogo, o aço e o inimigo. Essa não era sua história, mas a história de tantos. O tempo passa, mas a imagem continuou; sua vida amassada sob o peso do inimigo. Um estandarte. Sua vida era a lembrança do momento em que a máquina o invadiu, pois se refletia na reles sopa que era sua refeição, na mendigação nas ruas, na cara negra de enxofre e em todos os momentos.
Só lhe desapareceram as lembranças da antiga vida, morta quando ele deixou de lado sua história e sua vida, suas derrotas. O importante era sobreviver, para manter vivo o sangue derramado e o fogo que o queimara.
Até que uma mão lhe foi estendida; uma bela mulher que o trouxe à superfície, lhe mostrando o mais belo do mundo, em troca ela só quis a sua vida, entregue de bom grado. Ele tinha de lutar contra o inimigo, aquele mesmo que destroçara sua vida, para extinguir do mundo o mal que o mata; os homens, a máquina, o inimigo.
Apenas os homens e a máquina podem extinguir o homem e a máquina, então ele se tornou uma parte da engrenagem que destruiria aquilo que destrói. Ele se tornou sua pátria, de passado e futuro gloriosos, ganhou o poder da imortalidade através dos feitos, de não sofrer mais o mundo, mas o de criar o mundo.
O que o homem não viu foi que sua bandeira vermelha era tão vermelha quanto à do inimigo.
Nenhum homem na máquina era um homem, mas apenas parte do conjunto exército, inimigo. A máquina que desmonta o mundo periodicamente para lembrar aos homens de sua fraqueza.
Nos olhos de um garoto a imagem passava; o fogo, o aço e o inimigo. Essa não era sua história, mas a história de tantos. O tempo passa, mas a imagem continuou; sua vida amassada sob o peso do inimigo. Um estandarte. Sua vida era a lembrança do momento em que a máquina o invadiu, pois se refletia na reles sopa que era sua refeição, na mendigação nas ruas, na cara negra de enxofre e em todos os momentos.
Só lhe desapareceram as lembranças da antiga vida, morta quando ele deixou de lado sua história e sua vida, suas derrotas. O importante era sobreviver, para manter vivo o sangue derramado e o fogo que o queimara.
Até que uma mão lhe foi estendida; uma bela mulher que o trouxe à superfície, lhe mostrando o mais belo do mundo, em troca ela só quis a sua vida, entregue de bom grado. Ele tinha de lutar contra o inimigo, aquele mesmo que destroçara sua vida, para extinguir do mundo o mal que o mata; os homens, a máquina, o inimigo.
Apenas os homens e a máquina podem extinguir o homem e a máquina, então ele se tornou uma parte da engrenagem que destruiria aquilo que destrói. Ele se tornou sua pátria, de passado e futuro gloriosos, ganhou o poder da imortalidade através dos feitos, de não sofrer mais o mundo, mas o de criar o mundo.
O que o homem não viu foi que sua bandeira vermelha era tão vermelha quanto à do inimigo.
sábado, 14 de março de 2009
(...)
Por quoi? C'est que mon couer au mileu de délice
D'un souvenir jaloux constamment opressé
Froid au banheur présent vo checher ses supplices
Dans l'avenir et le passe.
D'un souvenir jaloux constamment opressé
Froid au banheur présent vo checher ses supplices
Dans l'avenir et le passe.
Alexandre Dumas
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Uivando
Uivando, só uivando, o lobo desdenhava o fedor e a sujeira.
a noite toda filho da puta, uivando, o lobo uivava à vontade.
A noite se foi, e o lobo uivou.
Uivando e só uivando, outra lua subiu e o lobo uivou.
os homens passando, e o lobo bisoiando, só uivando. Só uivando.
o fedor grudento e implacavel secava a fome do esfomiado.
Uivando, seu filho da puta, só uivando...
a noite toda filho da puta, uivando, o lobo uivava à vontade.
A noite se foi, e o lobo uivou.
Uivando e só uivando, outra lua subiu e o lobo uivou.
os homens passando, e o lobo bisoiando, só uivando. Só uivando.
o fedor grudento e implacavel secava a fome do esfomiado.
Uivando, seu filho da puta, só uivando...
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