domingo, 31 de maio de 2009

Tinha Cabelos...

Tinha cabelos, quem sabe, olhos bonitos à sua maneira, um nariz, uma boca, muito provavelmente, orelhas, seios, nádegas, fígado, rins, pâncreas...E via aquele sujeito. Velho desamparado, a figura dos cortes que o tempo faz à face. Carregava consigo apenas as roupas do corpo.
- Quem é você? – perguntou a mulher.
- Sou tua resposta.
- O quê?
- Deus, se quiser colocar nessa simplória palavra.
Fazia sentido, não entendia de todo, mas fazia, como se soubesse desde que vira o sujeito sentado no banco da praça instantes atrás.
Deus colocou as mãos junto as dela, trazendo uma segurança que não sentia desde que era criança, de todo sentia como se fosse de novo uma criança e tudo estivesse seguro sob uma redoma de futuro. Deus foi chegando mais perto, trouxe as mãos para a face, aproximou sua própria e deu um beijo. Ela não reagiu, deixou-se levar como numa onda que lhe carregasse pelo mar por toda a eternidade, afinal, navegar não é preciso?
“O homem criou a mulher, com o que afinal? Com uma costela do seu deus, de seu ideal” - Friedrich Nietzsche

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