segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

tentativa pretensiosa de entendimento dos poetas humanos.

“Queria ser burro, assim não sofria tanto”.
Lá na época de Sebastião, um dos grandes exemplos de liderança medíocre e de estupidez.
No enterro de Camões, um dos seres mais humanos jamais vistos, Pessoa, que estava passeando pela história, olha chateado para o poeta caolho(inutilmente jazido no caixão, agora exposto como frango de padaria para os futuros intelectuais e outros animais) quando Quiroga afirma sarcástico:
-Atacam quem reclama do desconcerto do mundo, mas aquele de olhar atento, deve ficar no mínimo desconcertado, com os supostos homens que neste planeta apodrecem.
-Me desculpe, mas você está muito certo.- respondeu Pessoa dando nadando na garrafinha de absinto que escondia em seu paletó.
Para Quiroga, o velório já acabara, pois logo estaria em casa, e cometeria suicídio, ocasião a qual ele não poderia chegar atrasado, quanto ao Pessoa, já não importava, pois havia mais uma centena de nomes para procurarem enquanto estivesse ausente, então resolveu ir para um boteco da esquina acalmar o cérebro.
Chegando lá encontrou um sujeito maltrapilho que "arrotava" poesia, dormindo na mesa do fundo com um galão de vinho barato em sua mesa.
-Olá, posso tomar um trago dessa garrafa? A propósito, muito prazer, meu nome é Fernando.
-Você parece menos babaca que os outros filhos da puta que estão aqui, pode tomar, meu nome é Bukowski, Charles Bukowski... Você não é aquele gênio que escrevia uns troços e bebia demais?
-Achei que esse era você, o escritor marginal.
-Somos todos nós, “escrever é como uma doença, uma droga, uma forte compulsão, não me agrada pensar em mim como escritor. Talvez escrever seja apenas uma forma de lamento, alguns simplesmente se lamentam melhor que os outros.”*
-Nosso problema é simplesmente que somos humanos demais, pensamos demais, e sentimos demais, por isso nos matamos, enchemos a cara, e nos marginalizamos... As pessoas são estúpidas e torturam os homens com sua estupidez, não somos assim, por isso sofremos.
-E vale a pena?
-”tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”.



*parafraseado do livro ''Hollywood'' de Charles Bukowski.