quinta-feira, 30 de abril de 2009

Procurar o azul.

Procurar o azul.

Sonolento, seria um sonho?
uma alucinação. Seria a fuga? Ou apenas perturbação?
Poderia acabar.

o Caos não procura razões, encontra glândulas, e apêndices
a ilusão azul não cessará.

Sonolento, seria um sonho?
A alucinação com cara de sonho, não é justificativa, é causa
e efeito, o fim da sanidade, a loucura que irracionalmente procurava
o céu azul.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Incompleto

Um dia São Paulo amanheceu sem prédio algum. Nos lugares onde antes se encontravam os edifícios, havia buracos enormes, como se de repente eles tivessem se aborrecido e resolvido dar umas voltas, deixando as cercas elétricas, as guaritas, os estacionamentos e carros nos terrenos. Quem estava na rua via uma imagem nunca vista antes: o horizonte se estendendo por toda à volta, como únicos intervalos às serras que circundam a cidade e de trás delas um sol nascendo por inteiro, não uma fração entrecortada pela janela da sala, ou pelos varais do vizinho.
Verdade que a visão não era bela, a cidade parecia uma boca que perdera todos os dentes. A população moradora das casas, que sempre fora contra os edifícios em prol das pequenas residências, percebeu isso e se reuniu para ver onde foram parar os prédios. Aqui faço uma pausa para uma pequena explicação: as pessoas que moravam em casas eram contra os prédios pelo caráter banal que tinham, eram como árvores enormes e cinzas que estão por todo o lado, enquanto suas casas eram pequenas criaturinhas sobrevivendo na selva de concreto, mas quando não havia mais selva alguma, as casas perderam completamente seu status. Sem falar no sol que agora batia diretamente nos jardins, fazendo com que se tornasse um ato desagradável a permanência nesses por longos períodos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Confianzas
(Juan Gélman)

se sienta a la mesa y escribe
«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice

y más: esos versos no han de servirle para
que peones maestros hacheros vivan mejor
coman mejor o él mismo coma viva mejor
ni para enamorar a una le servirán

no ganará plata con ellos
no entrará al cine gratis con ellos
no le darán ropa por ellos
no conseguirá tabaco o vino por ellos

ni papagayos ni bufandas ni barcos
ni toros ni paraguas conseguirá por ellos
si por ellos fuera a la lluvia lo mojará
no alcanzará perdón o gracia por ellos

«con este poema no tomarás el poder» dice
«con estos versos no harás la Revolución» dice
«ni con miles de versos harás la Revolución» dice
se sienta a la mesa y escribe

sexta-feira, 3 de abril de 2009

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"Aquilo que nós, actualmente, chamamos o mundo, é o resultado de uma quantidade de erros e de fantasias, que surgiram paulatinamente, durante toda a evolução dos seres orgânicos, se soldaram uns aos outros e, agora, nos são transmitidos por herança como tesouro acumulado do passado inteiro - como tesouro, pois o valor da nossa humanidade repousa sobre isso"
Humano, Demasiado Humano - Friedrich Nietzsche