segunda-feira, 30 de junho de 2008

A vida acontece na calçada

E pela primeira vez David parava o trânsito. Mão estirada, o som de um breque. Todos atravessaram a rua sem problema apesar dos gritos de ofensa do motorista.

David era um perfeccionista, acreditava piamente na utopia e lutava, sem cansaço e sem medir perdas, pelo que acreditava. “Porque se a gente esquecer a utopia... que vida chata, né?” dizia freqüentemente. Politicamente: nem de esquerda, nem direita. Muito menos em cima do muro! Negava os rótulos, embora não olhasse com maus olhos o de anarquista (não que ele admitisse isso).

Pela criação que teve adquirira um gosto absurdo pela natureza e fazia o impossível para conservá-la. Entrava em debates e discussões a respeito da chamada crise ambiental em que invariavelmente ficava isolado em sua opinião. Era a favor da rediscussão da sociedade como um todo e não só do modelo de extração energética. “Sim ao ônibus e não ao carro flex!” dizia essa frase panfletária freqüentemente. E esse pensamento o levou a comprar a briga que lhe custaria mais caro.

A luta do homem contra o carro. Animal contra máquina. Pele contra metal. Parou de usar carro particular de todo. Crise familiar, briga com os pais que não queriam seu filhinho andando por aí. “Não importa! Ou transporte público ou nada!” gritou David, o teimoso. Decisão tomada, decisão realizada. O tempo deve ser pensado de outro jeito, as horas de ônibus se juntariam horas de caminhada.

Tempo é o menor de seus problemas. Dias de chuva, jatos de água por parte de seus amigos motoristas. Dias normais, uma eternidade para alguma máquina parar na faixa pela gentileza ínfima de seu escravo condutor. E a caminhada onde não passam ônibus é claro.

O que realmente o incomodava era o desrespeito da máquina. David, o teimoso, resolveu forçar o respeito... Parava no meio da rua, sua mão estirada, parava o trânsito e por um efêmero instante o homem era dono da cidade. Imensa a coragem do garoto para desafiar sociedade tão bem acomodada. Foi assim que começou.

Isso virou rotina. Mão estirada, David sentia seu poder aplicado para a comunidade humana em detrimento da comunidade automotiva. Orgulho, estava lutando pelo que acreditava. Força, todo dia era uma batalha da grande guerra que ele venceu.

David, o teimoso, seus atos se espalharam, não é mais o único a desafiar a máquina. Os humanos voltam a ser realmente os donos da cidade. David sorri, está feliz. Fez o que queria fazer, ganho para a maioria.

A guerra foi vencida, mas David perdeu uma batalha.

E pela última vez parava o trânsito. Corpo estirado, o som de um baque. Ninguém atravessou a rua e todos acompanharam os gritos do motorista desesperado.

David não veria o impacto de suas vitórias. A máquina só foi apreendida. O motorista só mudou de gaiola.

“Mas não importa! O que vale é lutar pelo seu ideal, sem medir esforços e sem baixar a cabeça!” diz David, o teimoso, freqüentemente.

sábado, 28 de junho de 2008

...

Estrelas brilham no céu, idéias nascem.
Algumas nuvens tapam a nossa visão, mas ele sabe que as estrelas existem. Ele acredita. No amor, na esperança, no mundo melhor! De vez em quando não se conforma com o seu cotidiano, mas e dái? Já passamos por situações piores! Ele ainda acredita. Na educação, na ética, na moral, e em revoluções e protestos. Desenha o mundo como vê, cores, alegria, misérias, algumas meninas claro, um copo de chopp. Uma tarde na chácara. Tá tudo desenhado. Tudo que ele acredita!
Algumas notícias não são das melhores. Se ele acreditava na educação, hoje sua escola não existe mais. Para ele, algumas coisas inéditas acontecem, coisas que ninguém imaginaria acontecer, hoje acontece. E? Ele protesta, (povo de esquerda nasceu pra protestar) na tentativa de conseguir alguma coisa. Ele não vai desperdiçar suas idéias em vão. Luta pelo que acredita!
Para ele, hoje é férias(claro, ele vai para outra escola, a dele não existe). Passou bem na escola, fez por merecer. Cada passo, e cada estrela brilha mais para iluminar o caminho dele (essa é uma parte meio direita dele).
Talvez ele viva num mundo isolado, mas deseja um dia contar uma história. De amor, de romance, de paradas no tempo, de revoluções, e protestos. E contar a história que acredita no amor, que este faz as estrelas brilharem., Ele talvez conte a história de como as idéias nascem.

De uma tentativa!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A nova Vida Madalena

O texto é a redação de um conhecido meu para ser entregue na escola. Achei interessante a discussão que ele pode gerar e o ponto de vista no mínimo discutível deste ser. O título é de minha autoria.


Paulistano ama paulistano. Nós, sem o igual, não somos nada (até as viagens de formatura são sempre para Porto, e, durante os feriados, quem não vai para Campos ou Bertioga?). Somos os paulistanos e amamos nossa cidade; afinal ela é o centro cultural do Brasil (qual outra cidade tem tantos cinemas?). Estamos na maior cidade do país e ainda assim nos conhecemos. Somos muitos e muitos são os lugares,, mas conhecemos todos e tudo. Mas essa cidade já não é mais a mesma ! é a violência, culpa desses baianos que vem para cá sem ter o que fazer.

Paulistano ama paulistano, e por isso foge de São Paulo. Vai construir uma cidade, uma sem violência, sem preconceito, sem desigualdade... Ahh, nossa amada Alphaville. Não gostamos da cidade, muito sujo por ali, mas é onde tudo acontece... então todos nós, paulistanos, vamos para lá todo dia de carro e ficamos horas no trânsito, cercados de paulistanos, cada um em seu carro. todos nós, paulistanos, convivemos entre nós, moramos perto, estudamos nas mesmas escolas e freqüentamos os mesmos lugares (como São Paulo é pequena!). Ou melhor, boa parte de nós, paulistanos.

Paulistano ama paulistano, e quase todos moramos na boa periferia. Alguns não. Esses conseguiram continuar vivendo em São Paulo, morando lá conseguem tudo, estão no centro do mundo, onde as coisas acontecem, compram pão na Covadonga e vão aos bares da Vila. Moram na cidade que odiamos e têm a vida que amamos. Suas casas ficam no décimo andar de seus prédios e a segurança destes é tão alta que vai até o nono.

Só assim para que nós, paulistanos, moremos em São Paulo.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Aqui vai o sol!


Feito na agenda, este aqui.

Gostaria de manter estes momentos nalgum lugar seguro, como pequenos tesouros que eu pudesse contemplar, quando quisesse.
Não me parece justo que estes milagres do cotidiano se consumam e passem por mim sem o consentimento de minha memória.
Eu sou estes momentos, e o sentimento infindável que vem deles eu guardo em mim, como ecos deste tempo remoto que chamo de presente meu.
Como se todas as cores do arco-íris que me acontecem em certos dias pudessem esperar por mim no pote de ouro, no fim.
Pois direi que eu era feliz. E sabia.
Só queria ter a certeza de que não vou esquecer.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Caros amigos...

Senhores, ela simplesmente me ignorou.

Estava andando na rua e aquela bela senhorita nem sequer parou para me cumprimentar. Não que ela não me conheça. Não meus senhores, esse é o pior. Grande amiga minha era ela, um acaso do destino nos afastou e perdemos o contato desde então apesar de residirmos tão próximos um do outro. Contar-lhes-ei o caso.

Enquanto caminhava eu na direção dessa singela reunião de cavalheiros eis que surge no horizonte uma bela dama. A beleza é tanta que no mesmo instante prende minha atenção completamente, ao aproximarmos-nos reconheço a face de uma antiga amiga com quem não falo a algum tempo, alegro-me com tal visão.

No entanto não anda sozinha, pelo contrário, senhores, caminha ao lado de outra dama, igualmente bela e completamente desconhecida para minha pessoa. Sorrio na direção de minha amiga, trocamos olhares por um instante e eis que vejo passar uma expressão indescritível por sua doce face no mesmo momento em que seus lindos olhos cor de amêndoa caminham sobre minha figura de cima a baixo. Essa expressão me lembra pena, desgosto e quem sabe até um certo desprezo. Expressão, senhores, difícil de descrever e compreender, ainda mais quando disfarçada por um pequeno sorriso visivelmente amarelo.

Paro para cumprimentá-la propriamente, mas eis que surpreendo-me mais ainda pois ambas voltam a conversar e, como se já não fosse o suficiente, alteram minimamente seu trajeto para desviarem-se de minha pessoa. Deixam-me assim, senhores, a olhar estarrecido o grande vazio em minha frente enquanto seguem sua rota tagarelando futilidades.

Pergunto-me então, meus senhores, o que levaria essa dama a ignorar velho amigo sempre tão dedicado e simpático para com sua pessoa? A resposta não terei jamais, mas tenho a impressão que ela reside naquela momentânea expressão indecifrável e naquele rápido e profundo escrutínio.


Sr. Gewöhnliche

sábado, 21 de junho de 2008

individualismo - egoísmo - egocentrismo


Por algum tempo me achei uma pessoa perdida. Nascida em tempo, cidade e século errado.
Toda essa consideração por uma outra pessoa. Realmente, não me levou à nada. Ainda sou esquecida, despercibida. Raras as vezes que me passo como uma pessoa 'notada'. Estranho, as pessoas me estranham quando me vêem andando sozinha. Meu mundo é sozinho, nasci sozinha, morrerei sozinha. Na verdade, só queria desfrutar do tempo que vivo e que tenho alguém para compartilhar esses momentos. (A felicidade só é real quando compartilhada- Alex Supertramp).
Me considero uma pessoa feliz. Tenho várias pessoas para conversar, mas perco os meus problemas. Queria um dia falar todos os meus problemas. Já fui discriminada por não contar esses, da mesma forma que discriminei algumas pessoas, já esperando a reposta (Sério?! Que legal...). Queria que meus problemas fossem resolvidos. Tá, quem não quer isso? Por isso sou mais uma, tenho os mesmo problemas, as mesmas angústias e enjôos, talvez um mau gosto, mas aí eu fujo do assunto e mudo de cor. Cansei de ser esquecida, de achar e saber que as pessoas não lembram de mim, como eu lembro delas, de como eu gosto delas. Fui esquecida.
Acho motivos pra andar na cidade em busca de meus livros, do meu cineminha que passo irreconhecível e desfruto do verdadeiro cinema (fora os grandes filmes da casa da minha vó). Acho motivos pra alguma companhia, mas raros aqueles que me acompanham ("esses filmes dão sono!" - se eu falo que é porque a pessoa só entende de comédias românticas, sou chata), quando me acompanham, é para um chá e jogar conversa fora.
Passo nos lugares e até penso, que talvez elas não me conheçam e meu motivo para estar em tal lugar. Mas aí são pessoas normais, algumas com um sorriso enorme, felizes, tendo que provar do que toma conta delas. A cara dessa frustação é de um verão sem fim. É daquele sol que derrete os corações, é a cara de quando você deseja morar na Sibéria (e desejar um solzinho, beeem de vez em quando por lá), já que não pode morar na Europa,e desfrutar daquilo que você acha que pode ser onde estejam plnatadas as suas raízes...
Por isso que eu continuo aqui, sentada, sonhando, escrevendo. Algumas vezes inspirada, outras bêbada, outras mudando de cor, de espírito e descordando de tudo que te falam.
Ainda sonho, quero viajar, quero conhecer o mundo do mesmo modo que o mundo conhece a previsibilidade de nossos atos. Só queria um funeral decente.
(imagem- vá no google e procure por solidão. é uma das primeiras)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Por Liberdade!

Rotina.
Há quem diga que é tudo na vida.
Pode-se até dizer que ela é necessária.
Mas há também aqueles que vêem neste incessante "dêja vú" algo de cinzento.
Monotonia é trabalhar num só tom, disse meu professor de arte. Ele não tinha idéia de que essa fala faria tanta diferença na minha vida...

Monotonia?
Monotonia é o cinza do meu dia!
Que pensamento forte, que fraqueza que dá! Levantar às seis então...
E todo dia tomar o mesmo café da manhã, e dar o mesmo "bom dia" ao homem da portaria.
E o engraçado é o ritmo de rima pobre que isso tudo tem.

Ora, por que deveria ser monótona a minha rotina?
Não precisa ter nada de agitado.
Desde que saia do tom único. Desde que saiba se espalhar.

Por que deveria ser uma rotina a monotonia?
Não que ela não seja necessária. Tanto a monotonia, quanto a rotina.
Sim, pois sem rotina fico perdida.
E sem poder me concentrar num só tom de vez em quando, minha vida perde algo de seu sentido.

Por isso um grito!
Por liberdade, é isso!
Uma fuga da rotineira monotonia, da monótona rotina!
Que se façam notar os pedaços de outras cores entre nossos inúmeros horários.
Que se façam notar, e que ganhem o espaço de nossa rotina, os pedaços de nós ! Presos entre os tons monótonos que trabalham somente em si mesmos.
E que os horários saibam nos espalhar entre os inúmeros tons monótonos de nossas vidas!

Um grito de guerra contra a coesão!

Um esboço

O que segue aqui é um trecho das cartas de Kim, Cata e Lúcio, os textos que representam, para mim, o nascimento desses três "eus", que mudaram muita coisa no meu jeito de pensar. Quando eu escrevi essas cartas, redefini muitos conceitos meus.

Catarina,
Você sumiu.
Essa semana inteira não teve um dia em que não fiquei me perguntando o tempo todo o que foi feito de você.
Liguei pra sua casa e o Raul me passou esse endereço. Se você pensa que isto esclareceu todas as minhas dúvidas, engana-se: simplesmente não consigo entender por quê um ser humano planeja uma viagem e sai do país sem dizer nada aos amigos.
Por isso, não vou lhe perguntar como estão as coisas e aí, talvez, você concentre suas energias em responder minha pergunta.
Atenciosamente,
Lúcio.

Quim,
Recebi uma carta do Lúcio esta sexta. Não sei se ele te informou do meu paradeiro, ou ainda se você se deu ao trabalho de ligar pra minha casa. Talvez você não tenha nem se dado conta da minha ausência, mas a verdade é que estou muito decepcionada. Esperava que você me procurasse antes dele.
Enfim, fiquei muito contente em saber que alguém se preocupa comigo, ainda que este alguém não tenha sido aquele que eu esperava. Diga ao Lucinho que estou bem, ok? Muito bem, na realidade. E vê se estuda, que não quero vê-lo passando de ano por pouco de novo.
Beijos e abraços,
Catarina.

Cata,
E o que é que você é agora? Um ser onisciente nas nossas vidas? Isto tudo é um teste?
Em primeiro lugar, fiquei fulo com o fato de você fugir e ainda me acusar por não estar dando o sangue pra te agradar, como se eu ficasse abanando o rabinho como um cão. Acho que você esqueceu que não me chamo Lúcio.
Em segundo lugar, fiquei excepcionalmente fulo de ver que você continua escrevendo certinho feito um vestibulando puxa-saco.
Mas você pode adivinhar que estou feliz por ter notícias suas.
Foi bastante esquisito não te ver na saída, abraçando seus livros que nem colegial de novela. Senti falta de te ver sorrir enquanto me chama de Holden Caulfield.
Você sabe que eu te amo, não?
Pronto. Agora tô à altura do Lúcio?
A quem possa interessar,
Kim.

Esses três são pedaços de mim.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A vida fala mais alto... por enquanto...

Mais um protesto que um texto. Ainda assim um texto e não um protesto.

Abaixo a ditadura da felicidade! Pelo fim da necessidade de competição. Atualmente precisamos ser felizes e eficientes. A tristeza virou doença e ganhou novo nome, ninguém fica triste ou melancólico, as pessoas estão todas deprimidas. E como doença que é doença, tem médico e cura. Vamos ao psicólogo e tomamos remedinho, a pílula da alegria.

Sou humano, porra, não sou perfeito, nem completo! Não sou Deus, nem quero sê-lo, sou apenas um discípulo errante de minha própria vida. Falta algo em mim e é a falta que me faz humano, não adianta encher do que não sou eu que não vai ficar bom, não vou viver bem.

Já inventaram a mercadoria por excelência, ela, além de prometer, dá felicidade. E por ser ilegal muitos a consideram resistência ao sistema quando é sua parte mais interna. Inventaram também a música da nossa geração, construíram a música da felicidade. É pra gritar, tirar o pé do chão e ser feliz em Salvador... reconhece?

Nossa própria felicidade é o que importa, comemos o outro, ele(a) é gostoso(a) e a noite foi uma delícia. E o outro? Gostou? Quem liga? Foi bom! Pra você...

Xinguem a ditadura da magreza e a indústria cultural, mas há coisas mais importantes. Deixe que digam como aparentar e pensar. Só não deixem que dominem seus sentimentos, é o que nos resta de humanidade!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sobre existencialismo, razão, consciência e eu mesmo

Me olho no espelho e vejo meu cão me observando.
Sabe qual o problema do mundo? o homem. E o problema do homem? o mundo. Assim diz Heidegger, o homem e o mundo no mesmo instante, "Por que há simplesmente o ente e não antes o nada."
Só que o cão continua me observando do meu espelho.
Ok, botar a culpa no homem e no mundo é fácil. O problema mesmo é a palavra problema. Afinal o que é um problema? nada mais que o nada.
"Boa desculpa, meu caro, mas você nem sequer se convenceu".
Fui diminuindo e diminuindo e diminuindo...Até que virei uma barata. Então meu cão pisou em mim. Eu sei qual o problema...
"Não seja dramático."
O que voce quer que eu seja?
"Um hipócrita, uma mentira, uma verdade, uma tristeza, uma felicidade, uma beleza. Não importa, seja algo, seja tudo, seja nada. Só seja real"

A arte de navegar

Aí pelas tantas, me disseram que navegar é a arte de ter um destino preciso. Eu disse " e daí, que me importa?"
Naquele tempo, a última coisa que eu queria era ter um objetivo. Pra quê? Não sou nenhum jogo de tabuleiro, eu pensava. Não tenho regras. Não tenho planos.
Acreditava nisso. Acreditava mesmo.
"E sonhos?", ela me perguntou. "Sonhos são uma grande propaganda enganosa que alguém inventou pra te forçar a se engaiolar nas regras".
Que filósofo eu era! Que rapaz inteligente!
Com o conceito de liberdade que ela me ensinou, eu a abandonei. Que esperto!
Mas ela tinha as convicções dela, e eu não queria ficar preso.
Mal sabia eu que estava prestes a me acorrentar para sempre.
Na solidão.

(Kim)

domingo, 15 de junho de 2008

Minha história

Sonho, perdido em meu momento nostálgico. Imagino, e se... Se tudo fosse diferente? Se eu cedesse à sua vontade? Se eu parasse com as mentiras corriqueiras? Se, realmente, me abrisse com as pessoas?

Elas saberiam meus medos, minhas inseguranças, minhas fraquezas, meus sonhos, meus gostos, meus preconceitos, minhas imagens...

Seria tão ruim?

Poderiam me destruir, me jogar no chão cuspir em mim, mostrar -me novamente que a máscara é minha única forma de sobrevivência. Afinal, são humanos.

Mas, e se eles aceitassem, gostassem, convivessem, liberassem? Será que é humano ser tão ruim assim? Não posso confiar neles?

Sou um simples animal. Um cachorro, acuado sempre que vejo um homem, o medo da mão estirada.

Medos. Traumas. Passado.

Todos temos histórias...

O problema

O problema não era o dia. O dia amanheceu igual, o sol despontou do horizonte e iluminou a cidade, as padarias abriram, o céu se azulou e os passarinhos cantaram. O problema também não é as pessoas, hoje continuavam completamente diferentes e por isso continuavam iguais. O problema não era a água, não era o vento, não era nem o tempo.
O problema era eu. O dia amanheceu sujo, o sol saiu detrás dos prédios e só serviu para mostrar o bueiro imundo que chamamos de cidade. O céu se azulou e depois adquiriu uma cor marrom amarelada. As pessoas pareciam sonâmbulos perdidos andando na rua e um parecia mais feio, mais decrépito e mais pobre que o outro. A água tinha um leve gosto de ferrugem e o vento trouxe fumaça pros meus pulmões, o tempo ainda parecia conspirar contra mim e andava lento.
O negócio é que tristeza não está na cena, está na cabeça.

sábado, 14 de junho de 2008

Lugar

Lugar devia ser verbo.
Como palavra parada, não tem sentido, é só e frio, informal. Um simples qualquer sem histórias. Um sinônimo de "local"
Local, por sua vez, descreve um espaço físico no qual pessoas se inserem fisicamente. E nada mais. É informação, referência.
Mas o lugar tem ambições muito maiores do que o local apostaria. O lugar não quer ser usado como mera referência, não quer que pisem nele e passem por ele com pressa.
Lugar quer é ser verbo, porque quando as pessoas aprenderem a conjugá-lo, perceberão que ele e todos que neles estão são muito mais que estado físico ou referência. Quem conjuga o verbo lugar permite-se fazer parte e permite também que outros façam parte de si.
Penso que o desafio é transformar um "lugar comum" num "lugar em comum". E é a isso que se dá o nome de "respeito".

escrito no começo do ano.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Instintivo

Uma carpa que não deveria ter dentes mordeu minha unha que não deveria ter esmalte. Vinte cores diferentes e eu tenho o arco-íris nas mãos e caminho. Ainda assim, nunca chega, nunca chega o ouro do outro lado. Veja bem, meu bem, não quero cunhar moedas, quero colocar em cima da minha prateleira e escrever histórias de amor sobre o metal, não ia ser bonito um final feliz assinado a nanquim? Vamos fazer uma exposição do nosso ouro histórico, muitas luzes e canapés. Tudo debaixo do lençol, só eu, só você, as colunas gregas e o decorador de nome extravagante. Nossas velhas imaginações lançariam as bengalas no chão e bateriam palmas com aquilo que restou de som no mundo. Ia ser tão bonito, meu bem.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Estamos sempre acostumados a ser mais um. Mais um filho, mais um aborto, mais um erro, mais uma vida. E ainda reclamamos, com toda a razão. Na esocla somos os segundos, os primeiros.
Desperdício.
Fomos criados com ótimos pais que nos proporcionaram um futuro de sonhos. Quebrados pelas drogas da sociedade, desde aquela maconha, até a falta de cidadania que nos compõe nesses dias.
A nossa criação é o resultado de muitas noites mal dormidas, de sofrimento e de angústias. Na tentativa de ser alguém, nos iludimos no exilir de cada momento, aproveitando, que de vez em quando passamos despercibidos na rua, mas notados por aquele velhinho na rua que derrubou o pão duro que seria seu jantar do seu lado.
E você, nem pra olhar, olha.Você olha para aquele aquele 'véio' que nunca teve um tratamento médico decente (mesmo se esse se decorresse ao SUS, algumas pessoas com plano de saúde que nao utilizam no momento, passou na frente dele), que deve ter no mínimo uma dor nas costas. Ele ainda carrega o peso de sua infância, de suas noites mal dormidas de frios e amigos congelados pelos inverno, queiamdos no calor, mas a felicidade de ter chegado até esse ponto. Vivo, sobrevivendo.. você chegou até aqui, sem fome, sem dor nas costas ou muito menos com peso na consciência, afinal, você já doou aquele quilo de feijão. Que legal, muito ferro para eles!
Mas você passa reto dele e de todos os outros que morreram afogados, subornados e pressionados pelo que fizemos com a sociedade. Essas pessoas nasceram cegas, surdas e mudas, poucas as que passam. Elas nao enxergam o mundo com o nosso olho, o que elas vêem, para alguns é traumatizante (ônibus 174), o que elas ouvem é desumano, liberdade de expressão então?... Fora as vezes em que o toque é sensibilizado.
Realmente o que resta é a escolha. E quem disse que eles aprenderam a escolher o caminho certo? eles querem o mais fácil, menor caminho, o da menor vida.
Fomos manipulados para ter medo dessas pessoas que roubam 10 reais,e sua carteira. Onde já se viu? Como sabemos para que ele vai usar aquele dinheiro?
Aquele que tem fome, continua com fome. Ele vai usar esse dinheiro para drogas, sexo, rock'n roll,e para aquele outro quilo de feijão. é uma rotina, até acabar na aids. Pra que adianta ser um dos melhores país no tratamento da AIDS, sem a prevenção (sexo, drogas e rock'n roll, agora substituído por outras gêneros musicais) que é o mais básico?
Nós somos o lixo da sociedade, a minoria que não divide o bolo, e que passou o chapéu no pobre. A nossa rotina acaba quando nosso sonhos acabam. Queríamos mudar o mundo (combater o aquecimento global, evitar a gravidez precoce, a AIDS e afins) até que fazer da nossa rotina, uma vida viciada nas drogas da sociedade é melhor, mais fácil. Não nos faz sofrer ao lembrar desses problemas.
Nós temos o melhor bolo, a melhor desigualdade. Claro, o queimadinho fica com o carinha da rua, afinal, é tudo bolo! nós somos o lixo da sociedade, mas nao aquele resto, até pelo contrário, a elite, mas aquele lixo que só acumula espaço. Nas lixeiras, ou nas grandes construções. Tacamos os marginais nos cantos,e a 15 anos atrás, uma pessoa ainda morria de cólera.
Juntamos duas rotinas diferentes, com sonhos diferentes, e fazemos um ciclo sem fim, com pedras no meio,e problemas deixados para tras (sabe aquela história de querer o mundo, já citada?) que fogem de nossa realidade.
Como ainda desejamos ser alguém na vida? Poucos percebem, mas como disse uma menina em uma das redações exemplo da Fuvest esse ano, quanto mais leite, mais nata (tudo bem que ela usou essa comparação em computadores, vamos usar na sociedade). Quanto mais aquele metidinho a nao ter nada continuar nos estragando, mais nata teremos, resto, lixo da sociedade.
No dia que isso mudar, o plano de vida de cada um muda. É mudando nossa pessoa que nós mudaremos o mundo. Ética, cidadania, questões morais, filosofia, nós não aprendemos á toa. É pra aplicar na sociedade, no dia-a-dia.
Eu, reclamo escrevendo, palavras e palavras. Mal escolhidas, mal colocadas. Erros de concordância, pensamentos errado. Tentei, minha parte tentarei fazer.
Desperdício.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Devaneios de uma dita mente culta

Cheguei em casa. Estava vazia, ambas, eu e a casa. Fui para meu quarto, olhei pela janela, vi a morte, mais comumente chamada de vida. Lembrei-me do ônibus, as pessoas em minha volta, muitas pessoas em minha volta, ilustres desconhecidos... é a minha cidade 15 milhões de pessoas, 15 milhões de anônimos desimportantes, o onipresente anonimato da cidade grande.

Sentei. Que tenho que fazer? Matemática, física, geografia e português... Melhor dizendo geologia e gramática... Ahh, as desumanidades, que tristeza. Tiro um caderno da mala aleatoriamente, física. Letras em igualdade, a lógica numérica das variáveis. Eu não entendo nada, tenho até dezembro pra entender e tenho que saber só até a data do vestibular. Depois? A vida inteira pra esquecer, só mais uma pedra de conhecimento indigesto. Desisto, tenho mil dúvidas para cada problema e mais várias delas para o resto das coisas.

Arranco uma folha puxo um lápis e me ponho a desenhar. O que? A imagem do futuro... Com a bota não encontro problemas, ela é simples, dura e forte, sem detalhes, é um bloco monolítico e sem subjetividade. O problema é a face humana... De quem seria ela? Ela está sentindo dor? Gritando contra a bota? Tenta se esquivar de alguma forma? Ou está quieta, suportando, submissa? Agradecendo? Quando a situação se estatizar será o fim da história, sem dialética, sem humanos, só máquinas... O fim da contradição, o perfeito duplipensar, melhor seria chamá-lo de nulipensar. Seremos gado. Somos gado! Já escrevia Nietzsche sobre a vaca colorida... Nietzsche... Como soa bonito, citar um filósofo alemão parece tão inteligente. Mas e o Brasil? Cadê minha cultura? Cultura global? Multinacional? Indústria global!

Perdida em meus devaneios desisto do desenho. Vou beber água, paro, ligo a TV. Oh lindo mundo plástico! Pena que sou carne, a dura responsabilidade de escolher, pensar, viver... Porque não sou como as pessoas do lado de lá da tela? Porque não estou absurdamente feliz? Será que estou doente? Ligo para a psicóloga. É só tomar mais umas daquelas pílulas? Tem certeza? Obrigada! Tomo a pílula, volto para a TV. AH! Esses pensamentos que não me deixam! Desisto. Desligo.

Vou ao computador, ligo o Orkut. Desligo-me.


Bianca

terça-feira, 10 de junho de 2008

Desamparo

Ninguém corre atrás de seus ideais mais, eles morrem e definham. E como uvas passas ficam ali secos, sem vida, descrentes, assassinamos eles por medo de se comprometer e depois cair, medo de errar, necessidade de perfeição.
Será que existem pessoas que nunca tiveram sonhos de liberdade? Como elas podem viver com si mesmos? Mas pior são aquelas que tiveram, jogaram fora e riram com escárnio.
Mas não é sobre isso que eu queria falar. É sobre relações humanas, sobre a morte de um sonho, a fraqueza da vontade, o medo de perder, o fim da esperança.
É tão difícil agüentar um relacionamento aberto? Sartre estava tão errado assim? É necessário chamar o outro de seu, subjugá-lo em favor de sua vontade e unicamente desta? Somos humanos, falhamos, nenhum de nós está completo, não somos deuses, nada preenche o que nos falta. Não é matando o outro que viveremos melhor. Porque as pessoas caem nessa moda aprisionadora do namoro? Porque ninguém agüenta ser diferente? Por favor, não cometa você a loucura de parecer normal.
E quando alguém concordou com você depois cai e se submete? Cai um ídolo, morre uma esperança. Como se nada do que foi dito houvesse, de fato, sido dito. A morte de algo admirado é triste, mas mais triste é a morte de uma crença. As pessoas, os objetos são efêmeros. Mas as idéias... Ahh as idéias, essas são pra sempre...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tinha um Espelho da Geladeira.

sacou o controle remoto apontando confiante para o televisor
os nove botões trouxeram ansia e vertigem, eram um deserto
não poderia vegetar naquela tarde.
-Você conhecia aquela historia? - Ouviu do corredor a voz cinica de João.
-Não.
-Mas deveria.
-...
Se levantou ignorando o invasor, e largou o aparelho remoto no chão, que no chão se
dividiu em pilhas, controle, e capa das pilhas.
tuc, tuc, tuc, o barulho do seu andar tuc tuqueava e tuc tuqueava, e ele parou

-você ta muito fresco hoje viu! parece até que vai aviadar de vez! - João criticou
ainda no corredor

"quando a justiça dava gargalhadas"

Na cozinha abriu a geladeira
viu um homem careca, velho, magricelo, e sem vida. e se definiu UM
UM caiu no chão. João o escorou e socorreu, mas UM ja nao ouvia mais.

A televisão tornou tudo turvo
o controle atrofiou sua mão
e o choque de saber, mesmo sem se enxergar como individuo

UM qualquer morreu naquela cozinha. passava Esporte na TV.

Problema de amor

É a menina mais cheia de história que conheci. Tinha essa mania de ficar criando personagens, descrevia uma boca no papel e, minha nossa Senhora, lá estava a boca no próprio rosto.
Andava devagarzinho, como se levasse um fogão amarrado em cada pé. Olhava para todo mundo meio torto, mas um torto bonito, engraçadinho, dava vontade de pegar aquele torto e colocar em um quadro.
Não é para menos que logo que a viu, se apaixonou. Andava atrás dela a quatro patas, enquanto a garota só no sorriso torto. Quem diria qualquer coisa sobre isso? Ela olhava assim também para a vespa e para a largartixa. Foi como o menino foi se sentindo, ê Maria, lagartixa. Ficou verde e de cama. Doente de amor, viu? Benção não resolvia, que não era de santo seu problema. Era problema de amor, doutor, seu padre, ah, pai.
Minha nossa Maria!

domingo, 8 de junho de 2008

Obstinada Feminina

Obstinada. Nasceu com flecha no peito apontando caminho para o sangue: fora daqui. Seu segredo existia apenas para ser gritado. Os dentes só saíram do leite para aparecer. Sorrindo ou rosnando. Obstinada.
Não sabe fazer poesia, senhor. Que problema, entretanto? As unhas vermelhas em torno do lápis, o olho em fenda, suor perfumado. “Nasci para me defender”, gritavam todas as bocas de todos os poros. Não sabe fazer poesia, senhor. Mas a proporção metricamente escaramanchada admitia que poesia era ela inteira.


obs: feito por causa de uma matéria que eu li sobre o preconceito embutido no termo "olhar feminino", quando nos referimos a qualquer expressão artistica feita por uma mulher. Ele também significa um olhar raso, sem profundidade. Vamos lá, provar que não é verdade.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O Passado

O rosto foi ficando vermelho, vermelho. Gotículas de suor brotaram na palma da mão. Ela já não sabia o que dizer. Ficara estupefata, sem ar nos pulmões, retorcida através de um passado que dava voltas e voltas, mas ainda assim cabia apenas na parte superior frisada dos um metro e setenta de altura. Tudo jogado fora.
E aí, perguntou, o que vai ser?
Era assim que tinha que agir. Submissa e arrogante. Mas e esse seu rosto, agora já bordô, que não entendia nada e ia se contorcendo em agonia?
Ele respondeu, olhando para baixo:
Sei lá, o que você recomenda?
Era assim que tinha que responder. Pacífico, compreensivo. Ainda mais arrogante.
A garota secou a palma das mãos no avental estampado com o logotipo da empresa. Piscou.
O que você gostar mais.
Não tinha sido sempre assim? A recomendação nunca era para ela, era sempre para agradar o outro. Escolhesse por si então, oras.
Faço questão que me diga o que recomenda.
A menina pousou os cotovelos delicadamente sobre a mesa e apoiou o rosto sobre a mão esquerda. Sorriu.
Que vá embora dessa merda de mesa e não volte nunca mais!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

"So sit on top of the world and tell me how you're feeling"- Take my hand, Dido

Às vezes tenho medo de arrogância intelectual.
Conhecimento por conhecimento, que diferença faz?
Ver o topo do mundo... Tantas verdades, tantas teses.
De quê adiantariam?
Encerrar tantas convicções, tanta sabedoria, numa só mente.
Encerrar qualquer desenvolvimento, cessar a glória de aprender.
Tenho medo. De intelectualidade sem qualquer espaço para bobagem.
De vida sem um pouco de futilidade.
De individualidade individualista.
Não quero que, para poder considerar-me um indivíduo, eu tenha de utilizar uma autonomia completa que não me pertence.
Não quero me desgarrar do sentimento para poder, enfim, mencioná-lo, tampouco.
Uma quimera que me realizasse os sonhos em troca da abdicação de ser o personagem que escolhi ser.


Para Rafa

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O inutil orgão que mantém.


O apendice é a vida

sem o apendice não pode-se julgar humano


Eu perdi o meu apendice mas ainda respiro

Respiro.

INRI cresceu do lado de lá

Do lado de lá, Colombina. E sobre ela, Pierrô. Mais certa alegria arlequina que certo boi me contou. Sobre seus rostos, as máscaras. Verde-vermelho a brilhar.
Tudo seria poesia naquele chão de papel. Não, não, manchete não tinha. Sobre os cabelos, um véu. E sobre as imagens, as máscaras. Verde-vermelho a brilhar.
Se Deus não quisesse, não seria assim. Diria: “Não quero”, pra você e pra mim. Mas diante dos olhos, o mundo. Verde-vermelho a brilhar.

Pois desceu o grito e o muro e o nosso jardim.
Edson morto no chão.
Veja, meu bem, que surpresa. Atrás do muro, o mundo era cimento. E nesse mundo daí, não existia poesia.
Os bois rodearam Edson, morto no chão. Roda morta gira, gira?
A última ficha caiu. Com ela, as máscaras. E se juntaram ao Edson, morto, no chão.
Caíram as pétalas das coroas de flores da Gente Humilde.
Mas Deus não viu, não.
Tinha tarja preta no olho. E a censura no coração.


Para Chico Buarque.

terça-feira, 3 de junho de 2008

relações

se você não gosta de Nárnia, nem de Senhor dos Anéis, nem de HP, por favor nao passe dessa linha, há um delírio total, a partir desse momento.


3ª Crônica: The Horse and his boy, capítulo 11, última página:
"I was the lion". And as Shasta gaped with open mouth and said nothing, the Voice continued. "I was the lion who forced you to join with Aravis. I was the cat who comforted you among the houses of the dead. I was the lion who dorve the jackals from you while you slept. I was the lion who gave the Horses the new strength of fear for the last mile so that you should reach King Lune in time. And I was the lion you do not remeber who pushed the boat in which you lay, a child near death, so that it came to shore where a man sat, wakeful at midnight, to receive you"


nao sei se eu passei certo, mas podem perceber uma certa relação entre Deus, aquele amado dos cristãos e radicalizando um pouco, com aquela música do grande Raul, Gitã?
Sim, Lewis foi bem criticado por todos, inclusive por seu parceiro, Tolkien (que até o momento naão tinha criado Senhor dos Anéis), que o mandou uma carta, que resumindo, julgou que textos desse tipo, nada de interessante tinham.
As Crônicas de Nárnia podem parecer filminhos bobos, livros infantis, mas tem uma história, tem um contexto, no qual a infantilidade se torna o sentimento mais maduro que qualquer um pode ter. A imaginação colore o mundo, o mundo é aquele que o conreto domina, que o abstrato está cada dia com menos expressão.
A relação, acho que está meio clara, no qual o leão, no caso Aslam, é Deus, tem atitudes da música de Raul e pode ser retratada nesse livro, no qual eu gosto muito. A intenção de Lewis era mostrar um mundo perfeito, talvez? Ou o céu, ou aquele que nunca nso pertenceu, no qual só chegam os selecionados? Ou ele é um Gitã da vida (Eu sou as coisas da vida, eu sou o medo de amar (...), eu sou o início, o fim e o meio?)
Espero não ter sido chata, nem infantil.

"pega uma cachaça e um automóvel, é uma das coisas mais sem graças de que eu ja ouvi falar"

Em busca do lugarzinho (sinônimo de lugar para descansar e refletir os problemas)
vou em uma lambretinha descobrindo os problemas inexistentes!
Oh! lambretinha querida. ela que me levou em cada canto latino, em cada tristeza brasileira.
A lambretinha me levou a argentina, bolívia, paraguai, e eu nao achava o meu lugariznho, o meu cantinho latino anglo-saxônico.
nao sei se é em outro mundo, ou se esse texto é uma resposta de meu pensamento, dos meus livros ou da minha lambretinha.
é, ainda nao resolvi onde é esse meu lugariznho. lugariznho, ele é pequeno, ele é distante. só quero saber como é que eu vou parar nele, a lambretinha nao aguenta...
ah lugarzinho, por que surgiu na minha mente, como um queijo em minha vida?, é pra eu ser um ratinho? oh lugarzinho, encontrarei um lugar para descansar, sem contar com os meu problemas?
oh lugariznho! seria você a copa de uma árvore, ou um prato de feijão, ou o sertão nordestino?
O lugariznho me deixa com dúvidas de todas as certezas e incertezas da minha vida.
no começo, eu só queria um lugar para descansar, agora me questiono simplesmente se minha lambretinha aguenta. (agora entra aquela música 'movido a alcool')
as duvidas continuam, assim como a lambretinha.
se eu achei meu lugarinho? Talvez
se eu fui feliz? Talvez
Mas sei, um dia agradecerei pela existência de uma lambretinha. que, me trouxe certezas e incertezas, mas que um dia me fez feliz !

A nova religião - trecho

- As máscaras enfileiradas e atrás delas as pessoas enfileiradas. Deixe cair o cetro, que o gesso ser mais grosso não torna tua máscara menos máscara nem os olhos menos perversos.
- Debaixo das grandes roupas e armações, todos corpos estão nus. Debaixo da pele nenhum pulsa igual, mas são todos corações aqueles que bombeiam. Então uni-vos, pois teu sangue é o sangue dele e mesmo em alma os dedos se entrelaçam.


obs.: pequeno trechinho de uma história em desenvolvimento.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Imaginação

...e então se sente a tensão
Desperta a consciência
e a ciranda girando...

Ondas suspensas no ar
Ferem o silêncio
e a ciranda girando...

Girando lá fora
E alguém que vê de fora
Só foge porque mora

Nos seios da imaginação
Deita sonhando no colo sem chão

domingo, 1 de junho de 2008

Mary, a Imortal

Quarenta e três segundos para Mary pular do trem
ele disse volte logo, eu te amo, eu também
Me conte seu segredo, Mary, o que há depois do chão?
Quarenta e três velhas bonecas de cetim e de algodão.

Louca, louca, louca como uma pena
Mary flutua em paralelepípedos de cristal.
No céu só brilham as estrelas de cinema
mas quando vem o sol é só Mary a imortal

Um Desastre Iminente

Vivemos neste mundo, aqui e agora, presenciando a destruição interminável. A vida, tudo que conhecemos, que amamos, que prezamos, está em jogo. “Uma verdade inconveniente”, “O dia depois de amanhã”, conhecemos a realidade ainda assim a ignoramos. Simplesmente ela não existe, está diante dos olhos, está no tato, na audição, no cheiro do ar, mas não está lá. Será que nem ao menos sentir conseguem. Estão desprezando o horripilante fim trágico da humanidade. Perguntei lhe uma vez; “Por que você taca o chiclete no chão, quando o lixo ta bem ai?”, me respondeu então “Sei lá!”, “você não se importa com a natureza”, “Que se foda a natureza” ele disse. Será que vivo em outro mundo, não compartilhamos de uma realidade comum? Onde ele está? Parece tudo tão bonito do lado dele, tudo no lugar certo. Perguntei a outro, outra vez; “Quantos banhos você toma?”, “Três de vinte minutos, adoro relaxar.”. Será tão abundante assim tudo existente a ponto de tal ignorância? “Pra que todas as lâmpadas acesas?”, “Eu gosto da casa iluminada!”, “Se você vai sair?”, não entendo essas ações imbecis e desnecessárias. “Estamos perto de índices do irreversível e você ainda diz; que se foda! Que se foda você ignorante!”. Quando a nossa geração estiver no auge da vida, a nós a vida não suportara. Veremos então o “Que se foda”. Mudemos agora ou por bem ou por mal.

Um manifesto pelo bem daquilo que amo, porque sem ela você sabe o resto!