quinta-feira, 12 de junho de 2008

Estamos sempre acostumados a ser mais um. Mais um filho, mais um aborto, mais um erro, mais uma vida. E ainda reclamamos, com toda a razão. Na esocla somos os segundos, os primeiros.
Desperdício.
Fomos criados com ótimos pais que nos proporcionaram um futuro de sonhos. Quebrados pelas drogas da sociedade, desde aquela maconha, até a falta de cidadania que nos compõe nesses dias.
A nossa criação é o resultado de muitas noites mal dormidas, de sofrimento e de angústias. Na tentativa de ser alguém, nos iludimos no exilir de cada momento, aproveitando, que de vez em quando passamos despercibidos na rua, mas notados por aquele velhinho na rua que derrubou o pão duro que seria seu jantar do seu lado.
E você, nem pra olhar, olha.Você olha para aquele aquele 'véio' que nunca teve um tratamento médico decente (mesmo se esse se decorresse ao SUS, algumas pessoas com plano de saúde que nao utilizam no momento, passou na frente dele), que deve ter no mínimo uma dor nas costas. Ele ainda carrega o peso de sua infância, de suas noites mal dormidas de frios e amigos congelados pelos inverno, queiamdos no calor, mas a felicidade de ter chegado até esse ponto. Vivo, sobrevivendo.. você chegou até aqui, sem fome, sem dor nas costas ou muito menos com peso na consciência, afinal, você já doou aquele quilo de feijão. Que legal, muito ferro para eles!
Mas você passa reto dele e de todos os outros que morreram afogados, subornados e pressionados pelo que fizemos com a sociedade. Essas pessoas nasceram cegas, surdas e mudas, poucas as que passam. Elas nao enxergam o mundo com o nosso olho, o que elas vêem, para alguns é traumatizante (ônibus 174), o que elas ouvem é desumano, liberdade de expressão então?... Fora as vezes em que o toque é sensibilizado.
Realmente o que resta é a escolha. E quem disse que eles aprenderam a escolher o caminho certo? eles querem o mais fácil, menor caminho, o da menor vida.
Fomos manipulados para ter medo dessas pessoas que roubam 10 reais,e sua carteira. Onde já se viu? Como sabemos para que ele vai usar aquele dinheiro?
Aquele que tem fome, continua com fome. Ele vai usar esse dinheiro para drogas, sexo, rock'n roll,e para aquele outro quilo de feijão. é uma rotina, até acabar na aids. Pra que adianta ser um dos melhores país no tratamento da AIDS, sem a prevenção (sexo, drogas e rock'n roll, agora substituído por outras gêneros musicais) que é o mais básico?
Nós somos o lixo da sociedade, a minoria que não divide o bolo, e que passou o chapéu no pobre. A nossa rotina acaba quando nosso sonhos acabam. Queríamos mudar o mundo (combater o aquecimento global, evitar a gravidez precoce, a AIDS e afins) até que fazer da nossa rotina, uma vida viciada nas drogas da sociedade é melhor, mais fácil. Não nos faz sofrer ao lembrar desses problemas.
Nós temos o melhor bolo, a melhor desigualdade. Claro, o queimadinho fica com o carinha da rua, afinal, é tudo bolo! nós somos o lixo da sociedade, mas nao aquele resto, até pelo contrário, a elite, mas aquele lixo que só acumula espaço. Nas lixeiras, ou nas grandes construções. Tacamos os marginais nos cantos,e a 15 anos atrás, uma pessoa ainda morria de cólera.
Juntamos duas rotinas diferentes, com sonhos diferentes, e fazemos um ciclo sem fim, com pedras no meio,e problemas deixados para tras (sabe aquela história de querer o mundo, já citada?) que fogem de nossa realidade.
Como ainda desejamos ser alguém na vida? Poucos percebem, mas como disse uma menina em uma das redações exemplo da Fuvest esse ano, quanto mais leite, mais nata (tudo bem que ela usou essa comparação em computadores, vamos usar na sociedade). Quanto mais aquele metidinho a nao ter nada continuar nos estragando, mais nata teremos, resto, lixo da sociedade.
No dia que isso mudar, o plano de vida de cada um muda. É mudando nossa pessoa que nós mudaremos o mundo. Ética, cidadania, questões morais, filosofia, nós não aprendemos á toa. É pra aplicar na sociedade, no dia-a-dia.
Eu, reclamo escrevendo, palavras e palavras. Mal escolhidas, mal colocadas. Erros de concordância, pensamentos errado. Tentei, minha parte tentarei fazer.
Desperdício.

2 comentários:

Juliana disse...

ora
eu?
desculpe
mas eu tenho de discordar com o seu texto.
em primeiro lugar, como um apelo: não desapareça. Você mostra discordância com uma pá de coisas, e até critica a si mesma. por isso, tente não sumir.
eu penso que não há nenhuma culpa predestinada no fato de sermos "jovens, ricos e privilegiados". OK, desigualade existe e é uma bosta. Mas não é por isso que o cara pobre tem de ser bonzinho e o cara rico tem de se mau.
Eu sei la´. Acho que todos temos nossas responsabilidades, nossas convicções. Nossa sensibilidade. Fazer algo, sim, muitos de nós fazemos, e não é só doar um quilo de feijão pra diminuir o peso da consciência. Qualquer coisa que façamos pode ser mínima, pode parecer insignificante, mas e daí? é algo. Eu não acho que a gente precisa fazer uma revolução ou se doar por inteiro aos outros pra fazer valer. acho desnecessária essa crítica à sociedade desta forma. Mesmo porque esse conceito de sociedade machuca a individualidade de muitos. quando você diz" você" no seu texto, eu não sei a quem você se refere. Nós não somos um bando de "Pa´trícias" e "Maurícios" com a mesma cara e as mesmas atitudes. Mesmo porque, eu me chamo Juliana.
Me desculpe se eu me exaltei. Eu precisava dizer.

Gabriela disse...

Antes de pensar para fora, é preciso pensar para dentro.