O rosto foi ficando vermelho, vermelho. Gotículas de suor brotaram na palma da mão. Ela já não sabia o que dizer. Ficara estupefata, sem ar nos pulmões, retorcida através de um passado que dava voltas e voltas, mas ainda assim cabia apenas na parte superior frisada dos um metro e setenta de altura. Tudo jogado fora.
E aí, perguntou, o que vai ser?
Era assim que tinha que agir. Submissa e arrogante. Mas e esse seu rosto, agora já bordô, que não entendia nada e ia se contorcendo em agonia?
Ele respondeu, olhando para baixo:
Sei lá, o que você recomenda?
Era assim que tinha que responder. Pacífico, compreensivo. Ainda mais arrogante.
A garota secou a palma das mãos no avental estampado com o logotipo da empresa. Piscou.
O que você gostar mais.
Não tinha sido sempre assim? A recomendação nunca era para ela, era sempre para agradar o outro. Escolhesse por si então, oras.
Faço questão que me diga o que recomenda.
A menina pousou os cotovelos delicadamente sobre a mesa e apoiou o rosto sobre a mão esquerda. Sorriu.
Que vá embora dessa merda de mesa e não volte nunca mais!
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