quarta-feira, 4 de junho de 2008

INRI cresceu do lado de lá

Do lado de lá, Colombina. E sobre ela, Pierrô. Mais certa alegria arlequina que certo boi me contou. Sobre seus rostos, as máscaras. Verde-vermelho a brilhar.
Tudo seria poesia naquele chão de papel. Não, não, manchete não tinha. Sobre os cabelos, um véu. E sobre as imagens, as máscaras. Verde-vermelho a brilhar.
Se Deus não quisesse, não seria assim. Diria: “Não quero”, pra você e pra mim. Mas diante dos olhos, o mundo. Verde-vermelho a brilhar.

Pois desceu o grito e o muro e o nosso jardim.
Edson morto no chão.
Veja, meu bem, que surpresa. Atrás do muro, o mundo era cimento. E nesse mundo daí, não existia poesia.
Os bois rodearam Edson, morto no chão. Roda morta gira, gira?
A última ficha caiu. Com ela, as máscaras. E se juntaram ao Edson, morto, no chão.
Caíram as pétalas das coroas de flores da Gente Humilde.
Mas Deus não viu, não.
Tinha tarja preta no olho. E a censura no coração.


Para Chico Buarque.

2 comentários:

nada disse...

bom, acho que eu não deveria ter feito aquela primeira crítica, foi péssima e sem sentido já que eu não tinha lido direito. Com certeza é o melhor texto de voce que eu já li. Incrível, incrível mesmo(olha, eu até usei adjetivos!), Guimarães Rosa deve estar no túmulo com uma inveja dos infernos...

nada disse...

(um dia eu descubro a juventude de deus aí, heehehhehehehehehehh)