quinta-feira, 31 de julho de 2008

Cogito

Vivendo comigo mesmo não pude deixar de perceber o quão melancólico esse que chamo de eu é. E, como melancólico, jamais negarei que cogitei...

Cogitei jogar tudo pra cima, desistir, chutar o balde, largar a vida, pular da ponte, beijar o meio-fio e tantas outras formas que há de fazer essa mesma coisa.

Confesso também que todas as vezes não passaram de impulsos ultra-românticos temporários. Hoje olho para aqueles momentos e vejo uma ridícula vontade de desistência e um egoísmo extremo, não pelo estado que meus conhecidos poderiam ficar e todo esse blá-blá-blá de sempre.

O motivo desse meu olhar atual é que não vejo nada como meu e acredito que essa história de propriedade está toda errada. E assim nada deveria ser usado só para mim ou em meu benefício, inclusive a vida que me deram.

Sendo essa vida algo em que eu tenho voto minerva por acaso do destino e sendo essa vida algo que direta ou indiretamente influencia a todos penso logo que as minhas decisões devam ser sempre em prol do coletivo. Duvido que o interesse deste seja a morte de qualquer um, e seguindo esse raciocínio me mantenho vivo e lutando pelo que acredito melhor para todos.

E que “minha” vida seja por todos e não por mim... nem que não seja de todo.


Essas reflexões eu posto para todos aqueles que já cogitaram.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Música

Sigo pela via das dúvidas buscando a via das respostas. Adorando pelo avesso mina atual condição desde que percebi a infrutibilidade de minha busca. Por dezesseis anos, sem pressa, busco a entrada. Dirijo no escuro sem luz que me guie e sempre com alguém ao meu lado... alguém que sempre muda. Sigo.

No fundo sempre sozinho, fazendo o meu caminha na infinita auto-estrada. Buscando a hipotética via que me guiará ao Nirvana ou, quem sabe, ao inferno.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Carpe Diem

Era terça feira, ou seria quarta? estava desanimado, fazia um frio horrível e eu estava atrasado. Todas as terças(ou quartas) começavam igual: acordava, tomava banho, café e ia para a escola. Terminavam igual, voltava cansado para casa, jantava tarde e dormia. Era a mesma coisa de sempre, mesmas aulas, mesmo tempo, mesmo lugar, mesmas pessoas...
Seus olhos naqueles óculos pareciam maiores, a roupa negra me lembrava os inquisidores naqueles tempos de censura, o caderno com o brasão vermelho e a caneta eram para mim naquele instante estante, cruz e fogo. Fiquei parado um tempo. A platéia esperava. Quer saber? não me importo, diria. Mas não disse, me importava. Baixei a cabeça e entrei. A criatura virou-se para aquela pedra verde que botam nas paredes, de uma caixa de madeira tirou pequenos cilindros brancos, que ao tocar a pedra me lembraram o choque do frio numa manhã ao sair das cobertas.
Pego meu caderno, pequenas histórias cotidianas se passam na minha cabeça. Talvez um grito, uma rebeldia qualquer do nada, para o nada. Mas um grito me livraria do proprio? Dizem que sim, "valvula de escape" é a palavra usada, acho que não acredito nisso. Deito a caneta e a cabeça, nessas horas o melhor é sonhar.
"Carpe Diem" diz a velha senhora. Eu já ouvi isso antes, "carpe diem", se não me engano numa tatuagem e embaixo os dizeres: "viva a vida como um louco". Foram os romanos que inventaram, diz a velha senhora, mas o sentido era diferente de viver a vida adoidado, sem preocupações. "Significa aproveitar a vida". O que seria aproveitar realmente a vida?
Chega nova criatura, não é tão velha quanto a outra e definitivamente não tão amendrotadora. Em vez de se ater a pedra verde, fica a monologar com a platéia, embora muitos prefiram virar os olhos. Fala sobre maquiavel, que as vezes queremos mais os fins, do que os meios. Contanto que o fim seja bom, o meio nao importa, diz ela. Concordo, nao quero o meio, quero o fim.Procura uma folha pra escrever isso, acabo encontrando outra coisa, um conto de alguem, que tinha me emprestado pra ler. Para se chegar, era o titulo...
"Acordar. sem levantar.Ligar aquela musica e viver debaixo do edredom 5 minutos interminaveislevantar de pes descalcos. Sentir a vida que pulsa mais um diaIndependente do sol ou da chuva, dizer bom dia..."
Um sol batia de leve na madeira, tocou ainda mais de leve minha mao. Meios, nao existem, sao sempre fins, depende de como vemos nossa vida. Pode-se viver sempre tentando alcancar algo, na verdade voce acaba nao vivendo, so tentando viver, o unico jeito de viver e vivendo. E seguir vivendo é sim "aproveitar a vida".

(ja peco perdao pela falta de acentuacao e de cedilha, mas este computador que estou usando nao os tem, peco perdao tambem pois este texto eh soh a primeira versao, ou seja, ainda vai ser reescrito, postei para saber o que acham)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Quando ensaiamos sobre nossas vidas, sempre existem problemas, quedas, algumas desconfianças e sonhos.
De vez em quando ele sonha. Sua vida está formada aos dezoito anos. Realizou todos os desejos, menos um. Difícil de descobrir, para ele, a vida é fácil, mas alguma coisa falta. Seu conhecimento é o necessário, aprendeu com a vida.
Ele só ensaia a vida, eis o pecado do teatro. A vida formada é no teatro. Sua vida real se confunde em linhas, palavras, emoções, ou que compõe sua vida, a arte. A arte de ser belo, de ter uma vida fácil, de ter uma vida encenada. Para ele a vida continua fácil, afinal 0 teatro é sua vida. Como todos desejam a mesma coisa.
Aquela menina passa de seu lado, e se confunde em seus passos, tropeça por ele. Olha bem para o seus olhos (tomara que ele não perceba, ela pensa), e pensa: bem, até agora, o que já aconteceu na sua vida? Os olhos do menino escondem tudo que ele já passou, afinal, as lágrimas escorridas por amor já se foram, as de risadas se acumulam no seu rosto, formando a angecalidade de seus traços. Aquele ponto de dúvida no rosto do menino, deixa a menina encantada.
Se ele reparou na menina? Bem, deve ter dado uma olhada, mas não liga muito, afinal ainda falta algo em sua vida. Mas ele não se preocupa, continua ensaiando a vida, e a deixa fluir.
Para ele, a única coisa que despenca agora são as cortinas do teatro.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Devaneio infantil

O texto a expressão o amago da hipocrisia
não é nessas linhas vagas que se expõe o nulo desejo de significar?
e nao é nesse mesmo desejo que um espirro vira palavra e atrapalha
o raciocinio com subjetividade? subjetividade?
por que anseia pela dificuldade de compreemção? elitismo?
ou exigencia?
um copo d'agua por favor
e uma maçã
o dia foi longo, foi louco, e água e maçã seram meus dotes para o amanhâ.
faminto, sedento, divago.

terça-feira, 15 de julho de 2008

After

Imaginem um resumo lírico. Um daqueles em que teria que definir um livro pesado, de imensos valores. Um daqueles livros que encantam o seu mundo pequeno, onde as melhores palavras para definir este mundo estão no livro. (Teríamos o mesmo fim do "Admirável mundo novo"?)
Quais palavras você usaria? Será que soaria legal, interessante, bizarro, cômico, ou vivo? Será que isso existe? Esse resumo revolucionaria o mundo? Seria uma saída barata de antenar as pessoas?
Qual seria o peso dessas palavras? Fazer em algumas linhas o que esse livro pesado fez com o mundo é de um tanto complicado. O que seria a junção estranha de palavras (no caso palavras calóricas, porque hoje em dia até calypso, infelizmente, é música) com ritmo? É a junção de preguiça com música, de um resumo à uma arte (como viveríamos sem música?), de uma vida à uma dança?
Tantas questões, mas não saímos do mesmo lugar. Um resumo lírico é vida, é arte, é paixão. Junção de dois lados diferentes, que se completam. Junção de duas maravilhas.
Mundo pequeno... Se fôssemos pensar bem, Renato Russo resumiu o Brasil em uma música. Chico Buarque definiu a ditadura em uma música.
O que resta de nossa parte?


(out for a few days now, mas fiquem a vontade pra comentar, quando eu chegar, eu olho!)

Humanos

Um dia desses um amigo me propôs uma questão. Quem é você?

Essa pergunta tem me feito pensar muito no assunto. Minha primeira resposta foi meu nome, então meu amigo me respondeu “não te perguntei seu nome, mas quem é você?”. Respondi novamente meu nome. Não que este tenha um grande significado etimológico (na verdade, só tem algo a ver com azeitona), mas meu nome hoje significa muita coisa para mim e, espero, para quem bem me conhece também. Significa bem mais que minha data de nascimento, endereço, telefone, RG, etc... Ainda assim senti que meu nome não respondia satisfatoriamente a pergunta.

Busquei em dicionários, enciclopédias, livros, textos, poemas... Átomos de carbono? Um feixe de relações? Dúvidas? Um animal com inteligência abstrata? Soldadinho do sistema? Pura química? Tudo isso e ao mesmo tempo nada disso. Minha busca não me deixou nem um milímetro mais perto de uma resposta.

Sinto que todos tentaram responder o que é o homem (pergunta já difícil o suficiente sem especificar um homem). Ao vê-los buscar a resposta para essa pergunta vi as mais maravilhosas mentes se perderem dentre as milhares facetas humanas e, no máximo, responder a uma delas.

Para responder essa pergunta teríamos de ser completamente secos e indiferentes à resposta e portanto não-humanos... percebi que não conseguiria a resposta para nenhuma das perguntas. Peço ajuda, se alguém for capaz:

Quem é você? O que é o humano?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Páginas em branco... elas esperam ser completadas pelo seu 'dono'. Elas esperam um sentido, esperam terem vida e servirem para alguma coisa.
Esse dono... não tem pressa, leva 5 minutos, 15 minutos, 10 dias, 1 ano, 20 anos, uma vida para completar essa página. Ela é um refresco da vida, um ideal dos ideais, ou apenas o ideal. É uma vida, é um sentimento, é uma confissão, de ódio, de amor, de solidão. O dono não tem pressa, tem responsabilidade; Cada letra é meio caminho percorrido, um pedaço de vida, inscrito, escrito, confessado em uma página em branco, rabiscada. As palavras estão sendo rabiscadas, deixando o sentido fluir na artéria da página, deixando o sentido claro, se completando, como imagina a cabeça desse dono. Dono sem medo, dono com sentimentos, dono revoltado, dono amoroso. É um dono, com fome de sabedoria, de ser correspondido pelo sentido que suas palavras rabiscadas têm na grandiosa página. É uma grande aventura, tentaviva. Algumas vezes sai falida, mas foi o caminho percorrido, que vai ser recomeçado com aventura, amor, ganância (...), protesto, que recomeçará com uma nova chance de uma vida redundante...

Escrever

Eu respiro. Muito mais do que escrevo.
Eu penso. Quase tanto quanto respiro. Mas pensar nem sempre é involuntário.
Eu sinto. Quando estou pensando, quando estou respirando e também quando escrevo.
Eu sinto sem pensar, eu sinto antes de escrever e sentir é, por vezes, mais incontrolável do que respirar.

Duvido de quem diz que escrever é natural como respirar. Duvido, pois respirar ninguém escolhe, é involuntário, é necessário. Já escrever, eu vejo como conseqüência do pensar e do sentir. Não que seja fácil, pois escrever é puxar algo do interior e trazê-lo para fora, organizá-lo, apresentá-lo, mostrá-lo.
Escrever é tecer com fios que vêm da mente, e quem escreve deixa sempre um reflexo de si impresso no papel.
Quem escreve cria ação, e a deixa fluir no papel.
Quem escreve, antes tem de respirar e antes de pensar tem de sentir.
Creio que é isso que me encanta sobre o escrever.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Inverno

Esses dias, enquanto passeava pelo mundo material e viajava por meandros entre as perguntas irrespondíveis e os campos obscuros até para a mais esclarecida das mentes. Eis que me deparo com bela árvore florida em tão hostil época do ano. Ponho-me a pensar instantaneamente sobre essa curiosa planta com a qual tenho uma relação de amor intenso desde que reparei em sua curiosa florescência. Dessas apaixonadas reflexões brotou esse texto.


Conte-me, ipê, porque floresce no inverno? Contrarias todas as regras e lógicas e despindo-se de suas folhas e preconceitos mostra toda sua beleza. Ofuscando, com suas lindas flores, o brilho de tudo a sua volta que se acanha ainda mais nesse período do ano. Pequenas obras de artes ressaltam-se na paisagem gélida, pontos rosas, amarelos, brancos, roxos...

És um sublime grito natural pela diferença e autonomia. Fugindo da regra e se abrindo para o mundo sozinho quando a maioria se esconde e se fecha em eterna vontade de autopreservação. Não temes o frio e desafia-o com seu amor colorido, com seu calor desfolhado. És companheiro de quem sai para o frio, esses pobres nômades sem a capacidade de se fixar em um lugar por muito tempo. Acalenta-os e inspira suas almas dividindo com eles sua beleza incomparável.

Destemida árvore que se abre quando os outros se fecham em vergonha e um egoísta cuidado individual. Obstinada árvore, mate-me nesse momento de prazer antes que ele passe e chegue a ressaca, mil vezes pior que se o prazer não existisse. Doce embriagues da inspiração, bebo com orgulho de sua gélida e colorida fonte da inspiração.


E aos leitores, proponho um brinde ao ipê e à qualquer que sejam suas fontes de inspiração, naturais ou não.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O conhecimento

Porque estudar tanto? Não faço essa pergunta questionando a utilidade prática do conhecimento. Não quero saber onde usaríamos em nossa vida tudo que aprendemos. A pergunta se refere ao porque saber tudo isso, qual é o sentido desse conhecimento na nossa história e na nossa vida.

O conhecimento pelo conhecimento é legítimo (e até apreciável na minha opinião), mas esse é obtido em centros acadêmicos mais aprofundados nos assuntos e esse conhecimento não é de fácil acesso para o público exterior que esteja interessado. O conhecimento mais difundido atualmente é, infelizmente, aquele não criticado nem verdadeiramente compreendido (pelo ser que o está absorvendo). E mesmo quando o conhecimento é criticado e compreendido propriamente ainda assim ele é muito.

Não que não devamos conhecer um mínimo sobre tudo, sou o primeiro a criticar o sistema americano de ensino e o primeiro a elogiar o francês (que atualmente influencia a maior parte das escolas em nosso país). Só busco a causa dessa necessidade de saber, saber tanto sobre tantos assuntos, e tantos detalhes conjunturais... Jamais digo que o conhecimento tem de ter aplicação prática, mas tem de ter algum sentido nela em nossas vidas. Não na vida particular de cada um de nós, mas na história comum às pessoas. Será que nossa condição histórica pede tanto mesmo?

Para nos entendermos precisamos realmente saber quem foram tantas pessoas? Não seria mais importante saber as linhas ideológicas mais importantes de cada época e o contexto histórico em que elas se inseriam? Claro que o pensamento e questionamento dessas pessoas é importante para desenvolvermos o nosso próprio, mas será que tanto conhecimento absorvido não nos torna os homens modernos de Nietzsche?

Repito que não devemos ter tudo como útil no mundo material. O que sabemos, no entanto, deve ser sempre utilizado para uma reflexão e que essa se reflita em atuação no coletivo, do coletivo e pro coletivo.

Sejamos mais que só um vaso de conhecimento, sejamos ação conhecedora, e espalhemos esse conhecimento para todos que pudermos atingir. Mudemos o mundo com tudo que sabemos e saberemos, tendo em vista sempre o coletivo. Aprendamos sempre tendo em vista o sentido do aprendizado em nossa história e em nosso momento histórico específico.