quinta-feira, 10 de julho de 2008

Inverno

Esses dias, enquanto passeava pelo mundo material e viajava por meandros entre as perguntas irrespondíveis e os campos obscuros até para a mais esclarecida das mentes. Eis que me deparo com bela árvore florida em tão hostil época do ano. Ponho-me a pensar instantaneamente sobre essa curiosa planta com a qual tenho uma relação de amor intenso desde que reparei em sua curiosa florescência. Dessas apaixonadas reflexões brotou esse texto.


Conte-me, ipê, porque floresce no inverno? Contrarias todas as regras e lógicas e despindo-se de suas folhas e preconceitos mostra toda sua beleza. Ofuscando, com suas lindas flores, o brilho de tudo a sua volta que se acanha ainda mais nesse período do ano. Pequenas obras de artes ressaltam-se na paisagem gélida, pontos rosas, amarelos, brancos, roxos...

És um sublime grito natural pela diferença e autonomia. Fugindo da regra e se abrindo para o mundo sozinho quando a maioria se esconde e se fecha em eterna vontade de autopreservação. Não temes o frio e desafia-o com seu amor colorido, com seu calor desfolhado. És companheiro de quem sai para o frio, esses pobres nômades sem a capacidade de se fixar em um lugar por muito tempo. Acalenta-os e inspira suas almas dividindo com eles sua beleza incomparável.

Destemida árvore que se abre quando os outros se fecham em vergonha e um egoísta cuidado individual. Obstinada árvore, mate-me nesse momento de prazer antes que ele passe e chegue a ressaca, mil vezes pior que se o prazer não existisse. Doce embriagues da inspiração, bebo com orgulho de sua gélida e colorida fonte da inspiração.


E aos leitores, proponho um brinde ao ipê e à qualquer que sejam suas fontes de inspiração, naturais ou não.

2 comentários:

Juliana disse...

um brinde ao ipê.
mas por que não brindar também aquelas árvores que percebem o inverno e se fecham?
é uma questão de natureza, talvez.
talvez elas só tenham outro ponto de vista...
:D
as árvores sim são uns bichos interessantes!
hahaha
mais do que qualquer asno ou jumento ou burro. ou ser humano.

nos vemos, meu caro.

Juliana disse...

só acrescentando.
eu sei lá.
acho que às vezes é preciso ser ainda mais forte para poder seguir um padrão, mesmo que seja ele a própria natureza, com personalidade.
eu vejo isso em você diego.
sem querer tornar as coisas tão pessoais.
eu já disse isso pra gabi.
você é um cara que traz um monte de confusões pra cá. mas as suas confusões são sempre com convicção.
o que é meio que interessante.
o que é meio que algo.