quinta-feira, 15 de maio de 2008

Questão de vida ou morte

O tempo não é o problema. A questão é a contagem regressiva. Os minutos que se acumulam sobre as costas, a paciência que suga a cor do cabelo, a estabilidade que rouba a rigidez da pele. A questão é que agora está tudo muito bem e daqui a pouco eu estarei em frente à mesa do diretor da escola, depois atrás dela, até que quatro portas me comportem e uma música triste, triste do choro alheio sobreponha Mozart. Veja bem, a morte não é o problema. A questão é o nascimento e a montanha-russa. Eu gosto de ar no rosto, gosto. Gosto de caminhar descalça. Gosto de ler contra o sono. Gosto de comer chocolate quando está frio. A sensação de estar dentro do ringue sem barras ao redor onde me apoiar. Veja bem, o problema não é a morte, é a vida. Quais serão as conversas, sem mim? Os chocolates, sem mim? O chão, sem mim? Como será o mundo, sem mim? E se sou gostos, retina, saliva, endorfina, o que diabo serei eu sem o mundo?

Um comentário:

nada disse...

Adorei esse jeito de ver o que sentirá falta do mundo. Gostei muito do texto(Principalmente a parte do chocolate, tão Gabi).
ps: Se você acha que pode comentar acho que também posso...