domingo, 4 de maio de 2008

A Estante

Passo meus olhos pela organização colorida e empoeirada de velhas histórias. Já fui cavaleiro, detetive, caçador, soldado, médico, taxista e cobrador. Vivi em velhos prédios de apartamento, em construções abandonadas, subúrbios, mansões, morros cenográficos, minúsculos sítios e em enormes fazenda. Estive em histórias cotidianas e em aventuras irreais. Tudo no calor lúdico de minha infância.
Nas contra capas relembro das pessoas que indiretamente me deram tão bons momentos. Pequenos resumos de meus irmãos, dedicatórias de pessoas que não conheço, palavras de amigos há muito esquecidos e velhas frases destinadas a mim.
Ela pode parecer morta, mas em suas veias corre a mais pura vida: crônicas, contos, romances, poesias e fábulas se preparam para a próxima leitura, talvez com novo leitor, nova estante. Seus antigos donos e seus doadores jazem junto com suas histórias no fundo do meu coração, formando hoje quem sou: a estante.

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