sexta-feira, 23 de maio de 2008
Conversa
Hoje minha loucura parece doença. A anormalidade usual está dentro dos padrões. Somos todos um pouco loucos, cada um prum lado diferente. Mas hoje a loucura puxou todas as minhas vertentes.
Entende... Sei que entende.
Mas você entende isso, querido? Entende que a loucura explicada já não é mais loucura, mas é charme de gente culta? Entende que isso está me deixando morta de raiva, porque todos dizem que fico efusiva demais em dias assim?
Ah, mas tem sangue correndo nas minhas veias, passeando através de cabinhos pelo cérebro! E isso, não é efusivo? A vida por si só não é efusiva?
Qual diabo a morte. O assunto do descanso já me cansou tanto que perdeu o sentido.
Eu amo escrever sobre isso, sabia? Sempre elogiam tanto. Eles amam. Eles amam a insanidade quando não é física e está bem quietinha no papel. Caso contrário, ah, mas que efusiva! São loucos, eles. Isso sim.
Esses Kafkas, esses Poes. Estão todos na segunda leva do romantismo. Mas ficavam loucos da vida quando dizíamos isso. Porque não queriam que lhes déssemos nome, isso não. Ficavam tão bravos que nome parecia ser a única coisa que importava.
Como você sabe?, ele perguntou.
Ah, ah. Era assim com música, os músicos, e de música meu amigo entende (já posso assegurar que eu não entendo de nada).
E por que tem que ser assim com literatura?
Quantas perguntas, quantas perguntas.
Essencial, caro. Porque a música e a literatura estão ligadas por um ponto crucialíssimo: o ser humano.
Você entende? Me entende?
“Claro que entendo. Já passei por isso.”.
Somos tão charmosos, querido. Só falta um retrato em preto e branco e um cigarro. Clarice, Clarice. Uma idiota. Mas era tão charmosa.
Falar de charme te lembra algo erótico demais? Qual! Estamos no auge da sexualidade na escrita. Falar “sexo” ficou tão charmoso. Acho bonito, acho bonito. Só pensamos em sexo mesmo. A literatura não podia estar mais certa.
Não fique bravo, não quero que pense mal de mim. Sei que na sua imagem eu sou tão boa nesse sentido. Recatada até. Gosto muito da imagem que você tem de mim. Gosto tanto que ao colocá-la no álbum, junto às imagens que outras pessoas têm, reservarei uma página só para ela.
Mas querido, se lembre: eu sou tão ruim quanto você é. Porque somos seres humanos. E só nós dois sabemos o quão mal pode ser isso.
Rosana
obs: Oba. Primeiro heterônimo. Mais conhecido como heterônimo das extremidades.
Entende... Sei que entende.
Mas você entende isso, querido? Entende que a loucura explicada já não é mais loucura, mas é charme de gente culta? Entende que isso está me deixando morta de raiva, porque todos dizem que fico efusiva demais em dias assim?
Ah, mas tem sangue correndo nas minhas veias, passeando através de cabinhos pelo cérebro! E isso, não é efusivo? A vida por si só não é efusiva?
Qual diabo a morte. O assunto do descanso já me cansou tanto que perdeu o sentido.
Eu amo escrever sobre isso, sabia? Sempre elogiam tanto. Eles amam. Eles amam a insanidade quando não é física e está bem quietinha no papel. Caso contrário, ah, mas que efusiva! São loucos, eles. Isso sim.
Esses Kafkas, esses Poes. Estão todos na segunda leva do romantismo. Mas ficavam loucos da vida quando dizíamos isso. Porque não queriam que lhes déssemos nome, isso não. Ficavam tão bravos que nome parecia ser a única coisa que importava.
Como você sabe?, ele perguntou.
Ah, ah. Era assim com música, os músicos, e de música meu amigo entende (já posso assegurar que eu não entendo de nada).
E por que tem que ser assim com literatura?
Quantas perguntas, quantas perguntas.
Essencial, caro. Porque a música e a literatura estão ligadas por um ponto crucialíssimo: o ser humano.
Você entende? Me entende?
“Claro que entendo. Já passei por isso.”.
Somos tão charmosos, querido. Só falta um retrato em preto e branco e um cigarro. Clarice, Clarice. Uma idiota. Mas era tão charmosa.
Falar de charme te lembra algo erótico demais? Qual! Estamos no auge da sexualidade na escrita. Falar “sexo” ficou tão charmoso. Acho bonito, acho bonito. Só pensamos em sexo mesmo. A literatura não podia estar mais certa.
Não fique bravo, não quero que pense mal de mim. Sei que na sua imagem eu sou tão boa nesse sentido. Recatada até. Gosto muito da imagem que você tem de mim. Gosto tanto que ao colocá-la no álbum, junto às imagens que outras pessoas têm, reservarei uma página só para ela.
Mas querido, se lembre: eu sou tão ruim quanto você é. Porque somos seres humanos. E só nós dois sabemos o quão mal pode ser isso.
Rosana
obs: Oba. Primeiro heterônimo. Mais conhecido como heterônimo das extremidades.
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