segunda-feira, 5 de maio de 2008

Falsa Cidade

Não agüento mais a falsidade dessa cidade que eu vivo
me perco em meio de tanto teatro, de tanto retrato.

Quero aquele lugar aonde a gente morava, lembra?
o sol era quente, a manhã era fria, a noite tinha estrelas
quero uma cidade de verdade, onde as pessoas existam

mas agora não posso mais voltar, minha cidade está morta
que graça tem para mim conhecer as pessoas na rua?
Ver os animais brincarem no nosso caminho, os sonhos na lua?

eu já virei falso, meu lugar é aqui no meio dessa loucura
andar nessas ruas escuras, nos coletivos lotados, nos trens apertados
de preferência sem sentir a pessoa que está sentada ao meu lado
aonde ninguém se conhece, ninguém se ama, ninguém se odeia
e tudo anda, como? não sei, tudo é rápido, tão rápido e sem sentido

Essa cidade para mim é vida, afinal virei só mais um morto vivo,
Amarei o andar sozinho nas ruas em meio a tanta selvageria
E nesse momento perceberei que aquilo que chamo de falsidade
Na verdade sempre teria sido a mais verdadeira realidade

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