quarta-feira, 7 de maio de 2008
Desequilíbrio
O homem de pedra que morava na minha memória e possuía o rosto no meu rosto me disse com um hálito de oxigênio que se não fossemos um mistério seríamos previsíveis demais. E eu disse que não tinha entendido nada. Ele me respondeu que só nesse caso eu teria entendido tudo. Acho que era louco, principalmente agora que estava compulsivamente me dando de beber com um álcool salgado que saltava dos meus olhos. Eu lhe disse que era alérgico a sentir, ele me disse que eu era a úlcera do mundo. Falei que úlcera lembrava âmago e que âmago era a palavra mais bonita que eu já tinha ouvido. Ele disse que eu não poderia me tornar filósofa se tivesse nascido uma. Perguntei o por quê.
Meu deus, o que é isso que está sugando a cor de todas as bocas, essa sensação que sobe pela garganta? Eles não me disseram isso nas revistas, nem nos seriados de TV. Não me alertaram no programa de saúde, nem existe uma cláusula contra isso na nossa constituição. Não somos uma federação, eu sei o que é uma, mas isso não arranca essa sensação horrível que quem está determinando o ritmo com que o meu peito sobe e desce não sou eu. E nós não somos uma federação. Será que esse formigamento pode ser meu sangue? Que, cansado da ausência resolveu latejar o excesso? Será que é possível que ocorra uma transfusão de almas? O médico disse que podia ser diabete, quem sabe eu poderia morrer, se fosse um tumor. E ainda assim não somos uma federação? Eu sou louca e sou poeta? Poetiza, ele disse. Poeta, respondi.
Meu deus, o que é isso que está sugando a cor de todas as bocas, essa sensação que sobe pela garganta? Eles não me disseram isso nas revistas, nem nos seriados de TV. Não me alertaram no programa de saúde, nem existe uma cláusula contra isso na nossa constituição. Não somos uma federação, eu sei o que é uma, mas isso não arranca essa sensação horrível que quem está determinando o ritmo com que o meu peito sobe e desce não sou eu. E nós não somos uma federação. Será que esse formigamento pode ser meu sangue? Que, cansado da ausência resolveu latejar o excesso? Será que é possível que ocorra uma transfusão de almas? O médico disse que podia ser diabete, quem sabe eu poderia morrer, se fosse um tumor. E ainda assim não somos uma federação? Eu sou louca e sou poeta? Poetiza, ele disse. Poeta, respondi.
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2 comentários:
tudo correto, muito bem feito, mas gabi, você pode fazer melhor.
Preferível não ter nascida filósofa, não é mesmo?
Numa dessas ficaria rancorosa e apontando defeito em cada linha escrita por outrem.
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