terça-feira, 17 de junho de 2008

A vida fala mais alto... por enquanto...

Mais um protesto que um texto. Ainda assim um texto e não um protesto.

Abaixo a ditadura da felicidade! Pelo fim da necessidade de competição. Atualmente precisamos ser felizes e eficientes. A tristeza virou doença e ganhou novo nome, ninguém fica triste ou melancólico, as pessoas estão todas deprimidas. E como doença que é doença, tem médico e cura. Vamos ao psicólogo e tomamos remedinho, a pílula da alegria.

Sou humano, porra, não sou perfeito, nem completo! Não sou Deus, nem quero sê-lo, sou apenas um discípulo errante de minha própria vida. Falta algo em mim e é a falta que me faz humano, não adianta encher do que não sou eu que não vai ficar bom, não vou viver bem.

Já inventaram a mercadoria por excelência, ela, além de prometer, dá felicidade. E por ser ilegal muitos a consideram resistência ao sistema quando é sua parte mais interna. Inventaram também a música da nossa geração, construíram a música da felicidade. É pra gritar, tirar o pé do chão e ser feliz em Salvador... reconhece?

Nossa própria felicidade é o que importa, comemos o outro, ele(a) é gostoso(a) e a noite foi uma delícia. E o outro? Gostou? Quem liga? Foi bom! Pra você...

Xinguem a ditadura da magreza e a indústria cultural, mas há coisas mais importantes. Deixe que digam como aparentar e pensar. Só não deixem que dominem seus sentimentos, é o que nos resta de humanidade!

8 comentários:

Juliana disse...

Diego,
vou continuar comentando seus textos. Por mais que você me ache uma chata , eu descobri que gosto de fazer isso. Me faz refletir, pensar, e, eventualmente, mudar de opinião. Eu gosto.
:D
Sobre felicidade.
( como sempre, uma opinião completamente pessoal)
Eu penso que felicidade, como um sentimento, é como a arte : as pessoas estão sempre tentando inovar, descobrir algo novo dela.Mas, nos últimos tempos, parece que não há mais nada de novo a respeito. Ela vem sendo moldada como um conceito, para tentar mesmo convencer as pessoas, para tentar dizer a elas o que é que elas querem ou precisam. Então, sim, o conceito de felicidade é uma ferramenta de alienação, de persuasão e tudo mais.
Ao mesmo tempo...
Eu creio que é meio que uma característica natural do ser humano buscar sua felicidade. E por isso é tão fácil manipular com esse conceito. E aí, há outras palavras atreladas: satisfação, sucesso, prazer... Coisas que cobram de nós, sim, e se não as tivermos, o mundo nos fará sentir que somos fracassados.
Mas não só o mundo.
Nós mesmos.
Eu creio que, como parte do mundo, ´nós o temos dentro de nós. Portanto, essa busca, essa coisa toda, não é apenas uma imposição. É um anseio de cada um também.
Por isso, eu prefiro acreditar que posso encontrar a minha própria felicidade. E ir seguindo por aí. E o que eu encontrei como felicidade é algo que a minha melhor amiga gabi me disse: achar um motivo para as coisas que eu faço. Eu cheguei à conclusão de que é possível encontrar beleza no meio da futilidade. Então, senhor Nada, creio também que esta sociedade que construímos não é só feita de culpa. Tem todas as contradições humanas no meio também, todos os sentimentos que estão lá!
eu naõ sei se deu pra entender qualquer coisa do que eu escrevi, porque eu fui completamente confusa, mas...
é isso.

Juliana disse...

uow, isso ficou grande...
me desculpe.
;)

Gabriela disse...

Ju, tenho certeza que o Diego não te acha uma chata. No máximo ele te acha Juliana, e isso pode significar que no caminho tinha uma pedra ou que na pedra tinha um caminho. Sou a favor, com certeza, da segunda opção. Chata? Duvido muito.
Prometi a mim mesma que não comentaria explicitamente esse texto. Mas a cada vez que o leio fico diferentemente impressionada. Como posso prometer algo sólido para mil faces? Não posso. E aqui estou, em um comentário par, para dizer que a lente que nós usamos ao ver o mundo quebrou a muito tempo para você. Ainda bem.

Diego disse...

só tenho dois comentários que eu nao podia deixar de fazer em resposta...
primeiro eu gostaria de pedir ao senhor nada que mantesse o meu pseudonimo eem vez de sair colocando por ai na internet aberta a todos meu nome, pq mesmo sendo so um nome ele acaba carregando mta coisa pra mim... entao peço para continuar sendo diego, que embora talvez pareça que nao tem total sentido no caso.
segundo, ju eu jamais te achei chata ou algo assim, pelo contrario adoro ler seus comentarios, eles tb me fazem refletir e mtas vezes mudar de opiniao, melhor seria dizer mudar a opiniao. peço tb para continuar comentando se possivel e lhe pergunto se posso eu comentar em seus textos que pessoalmente acho lindos em sua maioria e morro de vontade de comentar.
para esclarecer meu texto gostaria so de apontar que ele nao foi feito tendo como critica o sentimento interno de cada um de felicidade ou uma critica visando a externalizaçao do opinador da sociedade, embora isso tenha realmente acontecido no texto.
a critica pretendida era ao conceito de felicidade como satisfaçao pessoal ao extremo em massa e sem sentido, em um momento em que tudo e todos sao mercadoria a ponto de nao precisarmos mais esconder nada dissoe de sermos seduzidos cada vez mais por apelos acriticos e de prazer imediato e de alienaçao.
so um parenteses. em minha escola foi eleita como chapa de diretoria do gremio uma chapa chamada de chapa grana cujos discursos passavam desde "festa do gremio nao é para divertir os alunos é para dar lucro" (nao q eu acredite ser o objetivo do gremio divertir os alunos) até "estou cansado de coisas para me fazer pensar eu quero é um festival de blockbuster campeao de bilheteria pra me divertir e para nao pensar nada". nao estamos fora da sociedade, pelo contrario estamos mais dentro dela do que qualquer um, so que nao devemos desistir e nao tentar mudar ela, devemos criticar e mudar ela, e como requisito para essa mudança mudar a nos mesmos.

Diego disse...

ficou gde tb... desculpa

nada disse...

bom caro diego, devo me desculpar por usar seu nome, na verdade o fiz meio sem pensar e apagarei o post, mas devo alertá-lo que seu email, como o de todos aqui, está visível para todos os autores do blog.
Bem sobre a crítica, continuo dizendo que concordo com você ao dizer que vivemos um mundo meio plástico, mas, bem esquece, leva uns anos pra eu explicar e normalmente dizem que eu sou um pouco exagerado no Sartreanismo.

Juliana disse...

Bom, vamos ver pelo lado positivo!
Nossas notas de redação devem melhorar depois de todos estes quilômetros de argumentação!
Eu concordo com você nisso, Diego
E acho que, ao mudarmos a nós mesmos, já estamos mudando algo na sociedade!
E só para deixar registrado, isso esclareceu bastante coisa para mim.
Uma coisa deste blog é que ele vem organizando os pensamentos que bóiam na minha cabeça ultimamente.
Fico muito feliz que você não me ache chata! Provavelmente, alguém vai acabr achando, com a minha empolgação nos comentários, mas tudo bem... Fico feliz mesmo que você não ache. Quanto aos meus textos...Sinta-se à vontade!

Beatriz disse...

Você é um dos poucos, reconhecendo o mundo melancólico que vivemos
Adoro seus textos, você (com todo o respeito) é meio o "selvagem" do admirável mundo novo.

vivemos com isso, não podemos ignorar, ou como diria a Madonna - "I'm a material girl".
realmente, estamos no caminho, parabens por ter enxergado isso. ("Afinal, foi bom pra você!")


Bia