O texto é a redação de um conhecido meu para ser entregue na escola. Achei interessante a discussão que ele pode gerar e o ponto de vista no mínimo discutível deste ser. O título é de minha autoria.
Paulistano ama paulistano. Nós, sem o igual, não somos nada (até as viagens de formatura são sempre para Porto, e, durante os feriados, quem não vai para Campos ou Bertioga?). Somos os paulistanos e amamos nossa cidade; afinal ela é o centro cultural do Brasil (qual outra cidade tem tantos cinemas?). Estamos na maior cidade do país e ainda assim nos conhecemos. Somos muitos e muitos são os lugares,, mas conhecemos todos e tudo. Mas essa cidade já não é mais a mesma ! é a violência, culpa desses baianos que vem para cá sem ter o que fazer.
Paulistano ama paulistano, e por isso foge de São Paulo. Vai construir uma cidade, uma sem violência, sem preconceito, sem desigualdade... Ahh, nossa amada Alphaville. Não gostamos da cidade, muito sujo por ali, mas é onde tudo acontece... então todos nós, paulistanos, vamos para lá todo dia de carro e ficamos horas no trânsito, cercados de paulistanos, cada um em seu carro. todos nós, paulistanos, convivemos entre nós, moramos perto, estudamos nas mesmas escolas e freqüentamos os mesmos lugares (como São Paulo é pequena!). Ou melhor, boa parte de nós, paulistanos.
Paulistano ama paulistano, e quase todos moramos na boa periferia. Alguns não. Esses conseguiram continuar vivendo em São Paulo, morando lá conseguem tudo, estão no centro do mundo, onde as coisas acontecem, compram pão na Covadonga e vão aos bares da Vila. Moram na cidade que odiamos e têm a vida que amamos. Suas casas ficam no décimo andar de seus prédios e a segurança destes é tão alta que vai até o nono.
Só assim para que nós, paulistanos, moremos em São Paulo.
7 comentários:
Fascinante: moradores do "centro cultural do Brasil" que não aceitam outras culturas.
Emocionante. O ponto de vista do garoto(muito provavelmente direcionado para o próprio umbigo coberto por pano quadriculado da alternativíssima vila madalena) é simplesmente emocionante.
Um ponto de vista definitivamente bastante suburbano(incrivelmente suburbano), mesmo assim é interessante, eu gostei.
Sabe como começou a vila madalena? era um bairro como alphaville, longe do centro.
Nada, conhecendo o seu regionalismo paulista, entendi o que quis dizer. Agora, uma coisa é regionalismo e outra bem diferente é a xenofobia. Vou reler o texto para ver se o garoto em questão não estava sendo irônico, caso contrário, continuo achando que o texto foi (minimamente) contraditório.
mas é claro que ele estava sendo irônico.
quer dizer, ninguém é tão asno, tão jumento, tão mula(às vezes eu me pergunto o que estes pobres animais fizeram para serem usados como xingamento) pra ter uma opinião dessas.
tipo, " a cidade que odiamos, a vida que amamos". OK, pode ser ironia e pode ser um daqueles apelos do tipo" explodam as favelas e tudo vai dar certo", e, de qualquer forma, acho o cara prepotente e arrogante. Porque, afinal, ele provavelmente é um "paulistano da boa periferia"
e sabe, auto-crítica é bom, mas não é pretexto para ser um bosta.
gente talvez vcs me matem agora, mas saibam q eu fiz esse texto com o objetivo de ser MUITO ironico mesmo e resolvi inventar uma historinha de q nao era eu pra ver as reaçoes dos seres humanos (alias animais fascinantes que fizeram muitas coisas piores que asnos jumentos e mulas)...
ta agora o jogo esta aberto... por favor nao me matem...
o titulo nao foi ironico e acho q explica minha visao do texto e da situaçao (incluindo a "alternatividade dos panos quadriculados" citando a gabi)
que malandro!
bom
mesmo sabendo que foi você e sabendo qual foi a sua intenção, eu não posso te pedir desculpas por te te chamado de um bosta.
não que eu te ache um bosta.
eu acho meio podre essa coisa de analisar o comportamento das pessoas ao fingir que não era seu o texto.
e ainda assim
é interessante.
me faz pensar
que talvez as pessoas só falem bem dos meus textos porque elas me conhecem ou porque gostam de mim.
ou falem mal quando não me conhecem.
talvez por puxa-saquismo( ou falta dele)
talvez porque o texto tem muito do autor.
porque se as pessoas soubessem quem era o autor do ilustre texto que você postou, é provavel que elas levassem em consideração esta informação.
e eu continuo com a minha opinião de que a auto-crítica às vezes é usada como um escudo contra as críticas dos outros.
e portanto, não é pretexto para ser um bosta. se você for um.
o que eu espero que não seja.
porque essa nossa "realidade virtual" me confunde tanto que eu nunca sei a quem você direciona o seu sarcasmo e as suas mensagens.
e eu simplesmente odeio a sensação de estar sendo analisada.
mas não vou te matar.
porque penso que esta não era (totalmente) a sua intenção.
e sei que você não é um bosta.
é uma crença própria.
não sou sua mãe pra te mandar não fazer mais isso. de me analisar. se é que você fez, mas eu me senti analisada, de qualquer forma.
mas eu posso te pedir
e espero que você entenda por quê.
a gente se encontra por aí
Acho que faltou uma última explicação minha: Quando eu disse o que disse, já considerava que era irônico, mas um interessante(pela própria irônia). Embora, como disse, é um ponto de vista suburbano, ironico ou não. Acho que a Gabi me entendeu mal...
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