Senhores, ela simplesmente me ignorou.
Estava andando na rua e aquela bela senhorita nem sequer parou para me cumprimentar. Não que ela não me conheça. Não meus senhores, esse é o pior. Grande amiga minha era ela, um acaso do destino nos afastou e perdemos o contato desde então apesar de residirmos tão próximos um do outro. Contar-lhes-ei o caso.
Enquanto caminhava eu na direção dessa singela reunião de cavalheiros eis que surge no horizonte uma bela dama. A beleza é tanta que no mesmo instante prende minha atenção completamente, ao aproximarmos-nos reconheço a face de uma antiga amiga com quem não falo a algum tempo, alegro-me com tal visão.
No entanto não anda sozinha, pelo contrário, senhores, caminha ao lado de outra dama, igualmente bela e completamente desconhecida para minha pessoa. Sorrio na direção de minha amiga, trocamos olhares por um instante e eis que vejo passar uma expressão indescritível por sua doce face no mesmo momento em que seus lindos olhos cor de amêndoa caminham sobre minha figura de cima a baixo. Essa expressão me lembra pena, desgosto e quem sabe até um certo desprezo. Expressão, senhores, difícil de descrever e compreender, ainda mais quando disfarçada por um pequeno sorriso visivelmente amarelo.
Paro para cumprimentá-la propriamente, mas eis que surpreendo-me mais ainda pois ambas voltam a conversar e, como se já não fosse o suficiente, alteram minimamente seu trajeto para desviarem-se de minha pessoa. Deixam-me assim, senhores, a olhar estarrecido o grande vazio em minha frente enquanto seguem sua rota tagarelando futilidades.
Pergunto-me então, meus senhores, o que levaria essa dama a ignorar velho amigo sempre tão dedicado e simpático para com sua pessoa? A resposta não terei jamais, mas tenho a impressão que ela reside naquela momentânea expressão indecifrável e naquele rápido e profundo escrutínio.
Sr. Gewöhnliche
4 comentários:
Melhor:
segundo a wikipédia
gewöhnlich
[editar] Alemão
[editar] Adjetivo
ge.wöhn.lich
costumeiro, habitual.
ordinário.
Camila, Camila
Camila
E eu que tenho medo até de suas mãos,
Mas o ódio cega e você não percebe.
Mas o ódio cega.
E eu que tenho medo até do teu olhar,
Mas o ódio cega e você não percebe.
Mas o ódio cega.
A ausência do silêncio daquelas tardes.
Daquelas tardes.
Da vergonha do espelho, naquelas das marcas.
Daquelas matas, daquelas matas.
Havia algo de insano naqueles olhos.
Olhos insanos.
Os olhos que passavam o dia a me vigiar.
A me vigiar.
[Refrão]
E eu que tinha apenas 17 anos,
baixava a cabeça pra tudo.
Não era assim que as coisas aconteciam,
mas era assim que eu via tudo acontecer.
ah, essa música sim é genial
uau!
mas que coisa... parece tanto com o jovenzinho Werner.
Uma amiga minha chamou esse livro de "os sofrimentos do pobre coitadinho", mas se eu entrar nessa história vou esquecer de comentar seu texto.
O senhor tem tantos heterônimos, senhor Diego, e seu próprio nome é um pseudônimo.
Eu me pergunto se é uma mente que fala por tantas vozes ou se tantas mentes falam por uma voz.
O que motivou um olhar tão desprezível por parte da amiga do senhor Gewohnlich, tampouco sei.Mas sei que o sentimento que o moveu deve ter sido forte, assim como o sentimento que deu origem a este texto.
tanto, que este sentimento me atingiu.
Cena muito bem descrita, eu quase pude ouvir a voz do senhor Gewohnlich contando-me o caso todo.
Postar um comentário