sexta-feira, 13 de junho de 2008

Instintivo

Uma carpa que não deveria ter dentes mordeu minha unha que não deveria ter esmalte. Vinte cores diferentes e eu tenho o arco-íris nas mãos e caminho. Ainda assim, nunca chega, nunca chega o ouro do outro lado. Veja bem, meu bem, não quero cunhar moedas, quero colocar em cima da minha prateleira e escrever histórias de amor sobre o metal, não ia ser bonito um final feliz assinado a nanquim? Vamos fazer uma exposição do nosso ouro histórico, muitas luzes e canapés. Tudo debaixo do lençol, só eu, só você, as colunas gregas e o decorador de nome extravagante. Nossas velhas imaginações lançariam as bengalas no chão e bateriam palmas com aquilo que restou de som no mundo. Ia ser tão bonito, meu bem.

2 comentários:

Anônimo disse...

Você narra com tanta leveza! É como se, em um segundo, todas as palavras se organizassem em fila e mergulhassem em nossas mentes. E, passivamente, nos deleitamos com esse amor-lençol.

Juliana disse...

Poxa, truta
você disse "nunca chega o ouro do outro lado", mas eu penso que ele já estava nas suas mãos, com todas as cores e tudo mais, desde o começo.
e aliás, de que vale o ouro quando vc tem as cores?

p.s.: vc anda fumando?
pps: não se ofenda.
ppps: eu sei que isso soa muito "engraçadinha", mas eu tinha que dizer...
;D