
Por algum tempo me achei uma pessoa perdida. Nascida em tempo, cidade e século errado.
Toda essa consideração por uma outra pessoa. Realmente, não me levou à nada. Ainda sou esquecida, despercibida. Raras as vezes que me passo como uma pessoa 'notada'. Estranho, as pessoas me estranham quando me vêem andando sozinha. Meu mundo é sozinho, nasci sozinha, morrerei sozinha. Na verdade, só queria desfrutar do tempo que vivo e que tenho alguém para compartilhar esses momentos. (A felicidade só é real quando compartilhada- Alex Supertramp).
Me considero uma pessoa feliz. Tenho várias pessoas para conversar, mas perco os meus problemas. Queria um dia falar todos os meus problemas. Já fui discriminada por não contar esses, da mesma forma que discriminei algumas pessoas, já esperando a reposta (Sério?! Que legal...). Queria que meus problemas fossem resolvidos. Tá, quem não quer isso? Por isso sou mais uma, tenho os mesmo problemas, as mesmas angústias e enjôos, talvez um mau gosto, mas aí eu fujo do assunto e mudo de cor. Cansei de ser esquecida, de achar e saber que as pessoas não lembram de mim, como eu lembro delas, de como eu gosto delas. Fui esquecida.
Acho motivos pra andar na cidade em busca de meus livros, do meu cineminha que passo irreconhecível e desfruto do verdadeiro cinema (fora os grandes filmes da casa da minha vó). Acho motivos pra alguma companhia, mas raros aqueles que me acompanham ("esses filmes dão sono!" - se eu falo que é porque a pessoa só entende de comédias românticas, sou chata), quando me acompanham, é para um chá e jogar conversa fora.
Passo nos lugares e até penso, que talvez elas não me conheçam e meu motivo para estar em tal lugar. Mas aí são pessoas normais, algumas com um sorriso enorme, felizes, tendo que provar do que toma conta delas. A cara dessa frustação é de um verão sem fim. É daquele sol que derrete os corações, é a cara de quando você deseja morar na Sibéria (e desejar um solzinho, beeem de vez em quando por lá), já que não pode morar na Europa,e desfrutar daquilo que você acha que pode ser onde estejam plnatadas as suas raízes...
Por isso que eu continuo aqui, sentada, sonhando, escrevendo. Algumas vezes inspirada, outras bêbada, outras mudando de cor, de espírito e descordando de tudo que te falam.
Ainda sonho, quero viajar, quero conhecer o mundo do mesmo modo que o mundo conhece a previsibilidade de nossos atos. Só queria um funeral decente.
(imagem- vá no google e procure por solidão. é uma das primeiras)
3 comentários:
Mas onde estão plantadas as suas raí\zes?
não sei se me considero uma pessoa que consiga definir onde elas estão plantadas, até com o jeito campineiro eu já estou acostumada...
espero estar errada : )
Você fala como se o mundo fosse ruim, nesse e em outros textos. Como se você fosse ser esquecida pelas pessoas, as pessoas más, as pessoas nulas.
Talvez seja apenas impressão, mas não me parece que esteja de fato descontente com o externo. Não acho que seu medo se baseie no fato de ser esquecida, mas na suposta ausência de motivos para ser lembrada.
Se seus textos são tristes não é pela crítica, pela rosa, pelo azul marinho ou funeral. Eles são tristes porque sua desesperança com o mundo age como um espelho interno.
O importante talvez não seja a grandiosidade, os nomes em neon. Talvez as pessoas na rua não repararem em você não seja algo tão detestável, afinal, quantas vezes você repara realmente nelas sem pequenos egoísmos e preconceito? A beleza de tudo pode estar em esbarrar um dia com elas, no colégio, na padaria, conhece-las de verdade. É claro, todos tem um sorriso único, mas por que cada um sorri assim? É sempre bem mais. Estar aberto não significa absorver absolutamente tudo que aparece, mas se construir com aquilo que temos.
Veja bem, eu digo tudo isso sem propriedade concreta sobre você como pessoa, mas é bem o que parece.
Serei sincera: não gostei dos últimos textos. Fiquei, na realidade, qualquer coisa indignada. Mas lendo esse último percebi a tristeza tão profunda, e tenho certeza que ela não foi criada no vácuo, se fosse não teria ecos.
É isso aí, espero ter falado qualquer coisa que faça sentido para você!
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