terça-feira, 10 de junho de 2008

Desamparo

Ninguém corre atrás de seus ideais mais, eles morrem e definham. E como uvas passas ficam ali secos, sem vida, descrentes, assassinamos eles por medo de se comprometer e depois cair, medo de errar, necessidade de perfeição.
Será que existem pessoas que nunca tiveram sonhos de liberdade? Como elas podem viver com si mesmos? Mas pior são aquelas que tiveram, jogaram fora e riram com escárnio.
Mas não é sobre isso que eu queria falar. É sobre relações humanas, sobre a morte de um sonho, a fraqueza da vontade, o medo de perder, o fim da esperança.
É tão difícil agüentar um relacionamento aberto? Sartre estava tão errado assim? É necessário chamar o outro de seu, subjugá-lo em favor de sua vontade e unicamente desta? Somos humanos, falhamos, nenhum de nós está completo, não somos deuses, nada preenche o que nos falta. Não é matando o outro que viveremos melhor. Porque as pessoas caem nessa moda aprisionadora do namoro? Porque ninguém agüenta ser diferente? Por favor, não cometa você a loucura de parecer normal.
E quando alguém concordou com você depois cai e se submete? Cai um ídolo, morre uma esperança. Como se nada do que foi dito houvesse, de fato, sido dito. A morte de algo admirado é triste, mas mais triste é a morte de uma crença. As pessoas, os objetos são efêmeros. Mas as idéias... Ahh as idéias, essas são pra sempre...

9 comentários:

Beatriz disse...

por que você tem que ser diferente, se nao é ninguém nessa vida? o que nos torna diferentes dos outros?

Gabriela disse...

Um bilhão de pensamento ligados entre si uma membrana tão fina que nem me parece um texto. Parece na verdade uma maravilhosa idéia.

Gabriela disse...

Para Beatriz: a idéia não é ser diferente, entende? Eu acho que não foi o que ele quis dizer. O Na realidade voce é alguém desgarrado de todas as tradições e se de fato exercer isso, é único. O único é diferente por consequencia, não por objetivo.

Diego disse...

pq nao somos ninguem nessa vida? somos sim! somos parte dela e o q fazemos, acontece, eu acho... atuamos e existimos. "estamos vivos/ mesmo sem motivos./ que motivos temos pra estar?"

Beatriz disse...

somos alguém sim!
mas o que nos está destinado?
o dom da diferença como consequência é raro
bem, nós sobrevivemos, mesmo sem razões, as you said
mas seu texto está ótimo mesmo!
parabéns

Juliana disse...

diferenças, porém não desigualdades. isso é o mais legal. mas no final, não foi essa a discussão que eu vi no texto, e ainda assim foi nisso que levaram os comentários. bom. eu gosto do texto. mas não concordo muito. eu creio que as idéias mudam. e que é nisso que as pessoas mudam. eu sei lá. tô indo ler o texto de novo pra ver se eu falei besteira. :D

Juliana disse...

Pois eu li e reli e continuo a discordar.
Por que o abandono de um ideal tem de ser um erro?
às vezes, eu acho, é melhor abandonar de vez a causa do que anbraçá-la com um ideal que já morreu. porque eles devem ser imortais afinal? nossos corações são finitos...
e porque a escolha de um compromisso pressupõe subjulgar a outra pessoa?
eu sei lá. acho que pensamos diferente.

Gabriela disse...

O desistência de uma idéia é diferente da evolução ou transição dela. Acho que aí é onde diferem as interpretações. A 'desistência' de uma idéia é a morte da pessoa. A finitude do coração só seria verdadeira se o coração não fosse uma rede de individuos e situações, e tudo que ocorre no nosso coração não influenciasse todo o resto.
Afinal, os olhos não são feitos apenas de retina.

Juliana disse...

é...
como sempre, senhora Retórica, eu acho que aí concordo com você(s)
como dizem por aí, nada muda, tudo se transforma...
acho que é isso.
a minha posição é só que mudar de idéia não é perder a identidade, é ( muitas vezes) crescer!
mas acho que vc entendeu isso.